Cuidem do produto futebol

Quando o produto futebol vai ser melhor gerido no Brasil? Quando as federações e clubes vão tratar o esporte como um espetáculo que precisa ser proporcionado da melhor maneira possível para quem assiste? Será que nutrir esse tipo de esperança me faz ser uma pessoa que acredita em conto de fadas?

Quando olho para o futebol brasileiro, tenho dois sentimentos díspares: ao mesmo tempo que espetáculos como o do último domingo entre Flamengo e Palmeiras me enchem os olhos pela qualidade demonstrada, vejo a Federação Paulista fazendo de tudo para enfiar ‘goela abaixo’ a volta do Estadual mesmo com mais de três mil mortes por covid por dia no Brasil. 

Depois que o Governo Doria e o Ministério Público enfim cederam, a mesma Federação não pensou duas vezes em obrigar clubes como o São Paulo a uma maratona de quatro jogos em sete dias. Para quem pensa que isso é um ‘privilégio’ do nosso Estado, na temporada passada o Palmeiras passou por uma maratona por ter montado um time em condições de disputar todas as competições (no caso, Paulistão, Libertadores, Copa do Brasil). 

Como cobrar desempenho dos jogadores neste contexto? Como esperar um nível técnico alto em toda partida? O Brasil é o único país dos grandes centros do futebol que parece que pune quem monta time bom com maratona de jogos. Acha que estou brincando? Então veja o que o vice-presidente da CBF, Francisco Noveletto, falou sobre o Palmeiras, vencedor da Libertadores 2020.

“Quem mandou ele ganhar tudo? Vê se o presidente do Palmeiras ou algum dirigente abre mão. Ele não é obrigado a jogar. Ele quer ganhar. Ele pode abrir mão. Ele não é obrigado. Mas, não. Ele precisa fazer caixa, ganhar prêmio da CBF, ganhar prêmio de quem patrocina o campeonato. A CBF vai pagar 60 milhões, 90 para a Copa do Brasil. Libertadores, 20 milhões de dólares. É tudo assim. Então, eles não são obrigados. Quem mandou ele ganhar?  Vamos ganhar só metade para não ter esse problema”.

Quando falo sobre o desprezo na gestão do produto futebol, falo sobre os mais variados aspectos. Não se discute uma adequação do calendário. A consequência disso é a banalização dos clássicos e dos jogos na primeira fase dos Estaduais. Quem aguenta ver tanta partida desimportante sempre?

Sobre os jogadores…alguém parece preocupado com o risco de contágio dos atletas? O risco dos membros da delegação? Digo mais…nós da imprensa esportiva falhamos ao não tratar as consequências físicas/psicológicas da covid-19 nos atletas que já contraíram a doença. Simplesmente o tratamos como máquinas. Recuperado da covid? Bora cobrar o mesmo tipo de desempenho que cobrávamos antes.

Ainda sobre as competições: que tipo de ações extra-campo estão sendo feitas para os torcedores que não podem mais ver o seu clube no estádio? Outro dia estava conferindo a temporada 3 da série Drive to Survive, do Netflix, e me surpreendi com uma iniciativa simples, mas que acredito ser efetiva para a relação entre ídolos e fãs: quando os pilotos entravam no autódromo, eles eram obrigados a parar em um totem para conversar virtualmente com fãs pré-selecionados pela organização. Na temporada passada da NBA, aparecia uma imagem virtual dos torcedores acompanhando de casa em tempo real a partida. Simples? Talvez. Mas muito melhor/mais sofisticado do que os bonecos com as fotos dos fãs que os clubes brasileiros proporcionaram para quem comprasse um ingresso virtual.

Na última sexta (9), o meu colega Rodrigo Mattos informou em sua coluna no UOL que os grandes clubes brasileiros perderam 270 mil sócios-torcedores desde o início da pandemia do coronavirus. Coincidência? Pra mim, é um sintoma claro de que falta ideia criativa para reter o fã de futebol.

Menos jogos. Mais planejamento. Mais respeito aos atletas. Mais carinho com o torcedor. Mais criatividade para reter o fã do futebol brasileiro. 

Cuidem do produto futebol brasileiro. Não é pedir muito.

O Brasil precisa acertar as contas com o bolsonarismo

Ameaça de golpe, tensão no ar, democracia testada dia sim, dia também…não bastasse sermos assolados pela pandemia do coronavírus, amplificada por uma falta de comando do Governo Federal, o bolsonarismo nos impõe viver também com o medo de revivermos a Ditadura Militar.

Bolsonaro pode até ser derrotado nas urnas em 2022, mas o bolsonarismo vai existir e ter certa relevância por muito tempo. Não só como movimento político, mas também como social. E o Brasil precisa acertar as contas com ele.

A eleição de Jair Messias Bolsonaro em 2018 legitimou o ignorante a ter orgulho de ser ignorante, o xenófobo a ter orgulho de ser xenófobo, o machista a ter orgulho de ser machista. Em resumo: todas aquelas pessoas que ficaram por muito tempo “no seu canto” por receio do surrado conceito do “politicamente correto”, agora saíram da toca e manifestam o seu pior lado sem nenhum medo de represália.

Como bem observou o amigo Allan Simon, o governo Bolsonaro também virou abrigo para os ressentidos, pois “conseguiu capturar todos os que fracassaram de alguma forma em suas áreas e passaram a ter ódio do sistema como um todo”.

E por que o Brasil precisa acertar as contas com esse seu lado? Oras, pois o bolsonarismo escancara a falácia de que somos um país de gente “humilde e hospitaleira”, um povo sempre “alegre e festeiro”, entre outros rótulos que gostamos de colocar em nós mesmos.

Quer fazer um teste? Digite “Brasil país que mais mata” no google. Fiz isso e colhi alguns resultados:

“O Brasil é o País que mais mata por arma de fogo no mundo”

Feminicídio – Brasil é o 5º país em morte violentas de mulheres no mundo

Pelo 12º ano consecutivo, Brasil é país que mais mata transexuais no mundo

Relatório mostra que o Brasil é o terceiro país que mais mata ambientalistas

Este é um país hospitaleiro? País que trata bem o seu povo e os turistas? Então…

Nestes pouco mais de dois anos como presidente do Brasil, Bolsonaro mostrou por A + B + C + D que é um desastre na função. Não trabalha, não comanda, não escala time competente. Seus subordinados, aliás, são especialistas em destruição. Estão destruindo o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Educação (só pra ficar em três exemplos).

Mas Bolsonaro foi até agora muito eficiente em uma tarefa: a de fidelizar o seu público. Hoje o presidente tem pelo menos 20% do Brasil do seu lado, o que lhe deixaria muito perto de um segundo turno (isso se tivermos democracia até lá). Pra quem ficou três décadas como Deputado Federal e não fez NADA de relevante politicamente tanto na Câmara quanto na Presidência, não deixa de ser um feito!

Qual é a saída para escaparmos deste buraco? Acho que só a educação salva. Um país mais instruídos forma pessoas com consciência cidadã e preparadas para, por exemplo, exercer melhor o seu direito de voto.

Mas independente disto, acredito que o Brasil precisa acertar suas contas com a elite do atraso, que ajuda a perpetuar o país desigual que somos e foi uma das principais fiadoras da chegada do bolsonarismo ao poder “para acabar com a corrupção do PT” (ps: que bom que a corrupção acabou agora, não é mesmo?).

Hoje vemos muitos dizendo publicamente que estão arrependidos em ter votado em Jair Bolsonaro em 2018. Mas no segundo turno de 2022, num hipotético Bolsonaro x Lula, quantos destes não repetiriam o voto no atual presidente?

Não sejamos hipócritas: pra elite do atraso, o que importa é ver a esquerda longe do poder. Mesmo que pra isso seja necessário mais quatro anos de Bolsonaro.

E é com esta elite do atraso, boa parte dela alinhada com os valores do bolsonarismo, que o Brasil precisa acertar suas contas.

O importante é a vaga!

Foi duro, difícil, suado, mas a vaga veio. O Santos empatou com o Deportivo Lara por 1 a 1 e avançou para a terceira fase da Libertadores por ter vencido por 2 a 1 o primeiro jogo na Vila Belmiro.

O título deste post, O importante é a vaga, pode passar a impressão errada de que o autor destas linhas entrou para o time dos resultadistas de plantão. O que estou tentando é valorizar o contexto: é uma equipe em formação, repleta de atletas jovens, com técnico novo, inúmeros desfalques e que ainda foi acometido por um problema estomacal de última hora pouco antes da bola rolar.

O jogo em si não foi bom. O Santos teve dificuldades de sair da forte marcação do Deportivo Lara, que mais uma vez jogou com cinco defensores. Teve mais posse (66%), conseguiu chutar mais no gol (3 a 2), mas faltou ser mais assertivo na hora de concluir.

O ponto que merece atenção especial, como o próprio técnico Ariel Holan reconheceu depois da partida, é a falha de marcação nas bolas paradas, que voltou a acontecer no duelo da Venezuela assim como havia ocorrido na Vila. Ciente da deficiência do Santos, o Deportivo Lara só ameaçou desta forma, e ficou perto de levar a partida para a disputa de pênaltis.

O registro positivo fica para o primeiro gol de falta de Soteldo com a camisa do Santos (um golaço). O venezuelano foi premiado pelos treinos diários para se aperfeiçoar neste quesito. Em duelos equilibrados como esse, a bola parada se torna um diferencial que pode ajudar muito o Peixe na temporada.

O empate de ontem rendeu R$ 3 milhões nos cofres combalidos do Santos e garantiu o clube na disputa de uma competição continental deste ano – mesmo se for eliminado por San Lorenzo ou Universidad de Chile na próxima fase, o Peixe vai disputar a Copa Sul-Americana. E o melhor de tudo: deu fôlego para Ariel Holan seguir o seu trabalho de montagem da equipe longe das cornetas da opinião pública.

Até agora, Holan tem quatro jogos no comando do Santos: duas vitórias, um empate e uma difícil derrota para o São Paulo no clássico. Mas o que vale é que, mesmo com pouco tempo de trabalho, já existe uma ideia clara em campo do que o treinador pensa, e muito espaço para os jovens se desenvolverem.

Que o torcedor tenha paciência com as oscilações, e entenda que é um trabalho que vai render frutos a médio prazo.

Leia também no renanprates.com:

Pelé ‘humano’ é o grande legado do documentário

Quem sobe e desce no Santos com Ariel Holan?

10 perguntas para Cuca (e um agradecimento)

Como é bom ter base!

O Santos conquistou uma importante vitória nesta terça-feira contra o Deportivo Lara por 2 a 1, saindo na frente na disputa por uma vaga na terceira fase da Libertadores. Vinicius Balieiro, 21, e Kaiky, 17, marcaram os gols do Peixe na partida, que marcou a primeira vitória do técnico Ariel Holan no comando do clube. Escrevo estas linhas ainda pensando sobre a partida que acabou faz pouco tempo. Mas uma seguinte constatação está clara na minha mente: como é bom ter base!

O primeiro gol do Santos (veja acima) é toda uma jogada construída pelos jovens do Santos: Sandry dá belo passe para Alison, que tenta o cruzamento. Na sobra, Vinicius Balieiro chuta com força.

O segundo gol do Santos (veja acima) coroa a atuação do melhor da partida. O zagueiro Kaiky estreou na Libertadores com a difícil tarefa de substituir Lucas Veríssimo e fez uma partida irrepreensível que foi coroada com um gol de cabeça, após cruzamento de Jean Mota (que havia acabado de entrar).

Ângelo, com apenas 16 anos, fez um primeiro tempo primoroso. Sem sentir o peso da estreia em uma competição continental, ele estava solto na partida e deu trabalho para a defesa do Deportivo Lara enquanto teve pernas. A melhor chance do primeiro tempo foi dele, que cruzou para Marcos Leonardo, 18, obrigar o goleiro venezuelano a fazer uma bela defesa.

A nota negativa fica para a bobeada da defesa do Santos no gol do Deportivo Lara. Luan Peres, Lucas Braga e Vinicius Balieiro bobearam e permitiram aos venezuelanos o empate logo após o primeiro gol santista.

Mas foi um resultado muito bom se levarmos em conta todas as circunstâncias adversas do jogo:

  • Desfalques de nomes importantes (Marinho, Pará, Kaio Jorge e Madson)
  • Novo técnico com menos de uma semana de treinos
  • Derrota por 4 a 0 no clássico contra o São Paulo

Isso significa que a vaga está encaminhada? Nem de longe. Ainda tem muito chão pela frente. Mas já é um (bom) começo.

Leia também no renanprates.com:

Pelé ‘humano’ é o grande legado do documentário

Quem sobe e desce no Santos com Ariel Holan?

10 perguntas para Cuca (e um agradecimento)

Pelé ‘humano’ é o grande legado do documentário

Assisti ao documentário “Pelé” no Netflix e fiquei maravilhado. Não me lembro de ter visto o Rei do Futebol tão ‘humano’. Humano, entre aspas, pois afinal de contas todos somos humanos, não é mesmo? Mas neste filme Edson Arantes do Nascimento se mostrou frágil, vulnerável, hesitante, como poucas vezes apareceu de forma pública.

Logo no início do documentário, Pelé surge em uma sala vazia caminhando com a ajuda de um andador. O Rei do futebol senta em uma cadeira e joga o andador com força para alguém que não aparece na imagem poder pegar.

Foi uma imagem que me chamou muito a atenção – até porque Pelé não tem o costume de aparecer desta forma publicamente. O único momento que me vem à mente em que ele apareceu fragilizado foi em 2017, durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo da Rússia, em que ele posou para imagens de cadeira de rodas.

Outro acerto do documentário é abordar de forma incisiva como o fenômeno Pelé foi explorado pela Ditadura Militar. Pelé hesita ao falar sobre o tema, mas admite o desconforto, principalmente pelo fato de que foi obrigado pela era Médici a disputar a Copa do Mundo de 1970.

O documentário entrevista várias personalidades contemporâneas a Pelé, desde jornalistas como Juca Kfouri e José Trajano a políticos de diferentes espectros ideológicos como Fernando Henrique Cardoso, Delfim Netto e Benedita da Silva e até o cantor Gilberto Gil. 

Destes, o depoimento que mais marcante foi o do Juca, que falou algo que me fez pensar. “Muitos comparam o Pelé ao Muhammad Ali (voz ativa a favor dos direitos humanos nos Estados Unidos). O Ali sabia que nunca iriam atentar contra a sua vida. O Pelé não tinha essa certeza de que, se protestasse contra a Ditadura, não seria morto por ela”.

Pelé sempre se posicionou como alguém que tinha uma ascendência ‘apenas’ restrita ao futebol. Lamento que ele não tenha percebido o seu tamanho e o quanto seria importante para o Brasil que ele tivesse sido mais incisivo contra a Ditadura Militar. Lamento, mas não condeno, pois só quem viveu aquele momento é que tinha uma ideia real dos riscos de tomar uma atitude como essa.

Mas deixo aqui um questionamento: que base educacional Pelé tinha para formar esta consciência política e cidadã? Sei que ele se formou em Educação Física, mas o fez quando a carreira estava consolidada. 

Meu ponto é um só: desde aquela época até hoje, são pouquíssimos os jogadores de futebol que conseguem completar os estudos. Eles despontam como craques cada vez mais cedo, ficam milionários e não têm tempo/interesse de conciliar o campo com a escola. Resultado: acabam sendo induzidos a viverem alheios aos problemas do país/mundo. Como se só o futebol e suas vidas pessoais lhes importasse.

Leia também no renanprates.com:

Quem sobe e desce no Santos com Ariel Holan?

10 perguntas para Cuca (e um agradecimento)

Claro que estou generalizando, e toda generalização induz ao erro. Mas por que não pensamos em políticas públicas/esportivas que permitam aos nossos jovens futebolistas conciliarem esporte com a escola? Com a palavra, políticos e gestores do futebol… 

O único ponto do documentário que eu lamentei foi o pouco tempo da cena do churrasco entre Pelé, Mengálvio, Lima, Pepe e Dorval, na casa do Rei do futebol no Guarujá. Cinco dos maiores jogadores do mundo na década de 60 conversando de forma nostálgica sobre o passado e o que fizeram naquele timaço do Santos. Pelé ainda brinca no fim: “Não comam muito que tem jogo amanhã”.

É por essas cenas tão simbólicas, que renderiam um filme por si só, que o futebol é tão apaixonante. 

Outros textos sobre o documentário do Pelé que eu recomendo bastante:

Paulo Júnior:
Pelé reconhece o mito, mas é na política que se interessa pelo homem

O Gabriel Carneiro produziu no UOL Esporte um bom material sobre o documentário:

“Não posso mudar a lei”, diz Pelé sobre crítica por posicionamento político

Netflix lança trailer de documentário que promete novo olhar sobre Pelé

LEIA TAMBÉM:

Homenagem a meu pai que escrevi no UOL Esporte:

O dia em que meu pai marcou o Pelé e foi parar no cinema

É a hora dos jovens no Santos

Santista, não perca o foco: Paulistão é a hora perfeita para os jovens do Santos mostrarem o seu valor! E não se engane com o (s) resultado (s): há muito o que comemorar mesmo com dois empates contra Santo André e Ferroviária.

O que comemorar? Vamos lá:

  • Como Lucas Musetti antecipou, os 19 jogadores do Santos que foram convocados para o duelo contra a Ferroviária ou são (ou foram) da base.
  • Você conhecia Gabriel Pirani? Kevin Malthus? Allanzinho? Kaiky? Pois é, eu confesso que não (minto, sabia da existência pois jogo com o Santos no Football Manager). Pois esses nomes, em pouco tempo, mostraram o seu valor.
  • Enquanto vários times da Série A estão emendando temporada, sem descanso algum, o Santos pôde dar folga a boa parte do seu elenco principal.

Mas o principal a comemorar é: em tempo de vacas magras, de dívidas exorbitantes, proibição para contratar, poder testar a base em jogos que não valem de nada é muito importante para o Santos – e principalmente para Ariel Holan, que mais uma vez pôde ver de perto com quem pode contar.

Os dois jogos em si não foram de encher os olhos. O Santos sentiu muitas dificuldades em boa parte deste tempo, principalmente contra a Ferroviária, que é um time bem montado e que tinha mais tempo de treino.

Mas para os resultadistas de plantão, sempre bom ressaltar: este time, desentrosado, não perdeu nenhuma das partidas que disputou.

Agora vem o São Paulo pela frente. Primeiro clássico, estreia do Ariel Holan, rival embalado por uma vitória por 4 a 0 contra a Inter de Limeira…

Santista, não perca o foco: Paulistão é a hora perfeita para os jovens do Santos mostrarem o seu valor!

Deixo aqui a pergunta: você aceitaria deixar de disputar o título paulista se achasse que ele serviria para descansar os jogadores para as competições mais importantes e dar a chamada ‘cancha’ para os atletas oriundos da base?

Minha resposta é sim. Sem pensar!

Leia também no renanprates.com:

Quem sobe e desce no Santos com Ariel Holan?

10 perguntas para Cuca (e um agradecimento)

Quem sobe e desce no Santos com Ariel Holan?

Luan Peres deve ganhar ainda mais espaço no Santos de Ariel Holan (foto: Ivan Sorti/Santos FC)

O Santos anunciou na última segunda-feira (22) a contratação do técnico Ariel Holan, ex-Universidad Católica, para dirigir a equipe até dezembro de 2023, mesmo período que termina o mandato de Andrés Rueda na presidência. Ouvindo a sua primeira entrevista como treinador do Peixe e lendo materiais produzidos por colegas da imprensa sobre os seus métodos, me arrisco a fazer um exercício de futurologia sobre os jogadores que sobem e os que descem após a sua chegada.

SOBEM

Luan Peres: Holan necessita de zagueiros de explosão, que estejam preparados fisicamente para ajudar na contenção dos contra-ataques adversários. Luan Peres demonstrou – principalmente na final da Libertadores – que pode ser bem útil neste sentido.

Felipe Jonathan: Sua capacidade de gerar amplitude e de apoiar o ataque, como um autêntico ala, deve conquistar o novo treinador do Santos. Sua habilidade pode transformá-lo em um trunfo para triangulações rápidas para gerar superioridade no setor.

Madson: Seu vigor físico pode ser um diferencial, pois Madson teria fôlego para apoiar o ataque e ajudar na retomada defensiva, evitando que os zagueiros fiquem muito expostos aos contra-ataques dos adversários.

Sandry: Sua qualidade no passe será o primordial para garantir a sustentação da fase ofensiva do jogo de posição do técnico Ariel Holán. Vejo que Sandry deverá atuar como um camisa 5, ajudando na ligação defesa e ataque.

DESCEM:

Pará: O lateral completou 35 anos em 2021, e já não tem a mesma explosão física de antes. Além disso, vejo que ele poderá ter dificuldades para abrir o campo e ajudar nas triangulações para gerar superioridade numérica no seu setor.

Luiz Felipe: Vejo Luiz Felipe com muitas dificuldades para se estabelecer no Santos de Holan, pois não tem o vigor físico necessário e, por isso, deverá ficar muito exposto aos contra-ataques rivais.

Alison: Para seguir como titular incontestável com Holan assim como foi com Cuca, Alison terá que aprimorar o seu passe, ou então terá a mesma dificuldade para se estabelecer como teve na passagem do técnico Jorge Sampaoli pelo Santos. Vale lembrar que Sampaoli e Holan são adeptos do jogo de posição.

Lucas Braga: O estilo de jogo de Lucas Braga (ponta que ajuda muito na marcação da defesa, mas não é muito técnico e pode comprometer as ações ofensivas em alguns momentos) provavelmente deverá fazê-lo perder espaço com Holan. Não vejo Lucas Braga sendo efetivo nas triangulações ofensivas (espero estar errado).

Aproveito aqui também para fazer umas considerações iniciais sobre a chegada de Holan:

  • Ariel Holan deve chegar ao Brasil para ver a estreia do Santos no Paulistão contra o Santo André. Amigos do Lance/Diário do Peixe informam que ele deve estrear no banco de reservas na segunda rodada (Ferroviária) ou terceira (São Paulo). Acho arriscado estrear logo em um clássico.
  • É importante que exista a compreensão de que Holan vai se adaptar ao Santos e o Santos vai se adaptar a Holan. Isso leva um tempo. Imprescindível que haja bastante paciência, principalmente nos primeiros jogos, para o trabalho dar certo.
  • Método do Holan significa uma ruptura grande ao modelo do Cuca, mas ao mesmo tempo é uma reaproximação com o jeito Sampaoli de jogar. Por isso, acredito que nomes importantes como Marinho, Soteldo e Sanchez, que foram comandados por Sampaoli, vão ajudar muito no entendimento ao novo modelo de jogo.
  • Holan é conhecido por revelar jovens talentos e trabalhar com o elenco que tem, o que é perfeito para o momento do Santos. Sua predileção por tecnologia e inovação me agradam bastante.
Vale a pena ler a análise do Pedro sobre o trabalho de Holan

Você leu também no blog:

O legado de Cuca para Holan

10 perguntas para Cuca (e um agradecimento)

Para saber mais sobre Holan, recomendo a leitura:

Blog do Tales Torraga: ‘Estilo HOLANdês’: Novo técnico do Santos é tido como gênio na Argentina

De estacion en estacion: Ariel Holan fala ao Coaches Voice

O legado de Cuca para Holan

Reprodução/Twitter

Tudo indica que Ariel Holan deve ser confirmado até o final desta semana como novo técnico do Santos para a temporada 2021. Antes de falar sobre o novo treinador, prefiro comentar sobre o legado que Alexi Stival, o Cuca, deixa para o Peixe.

É inegável que Cuca teve méritos no comando do Santos. Mas um deles salta muito aos olhos de quem acompanhou o time mais de perto neste ano: Cuca fez o grupo acreditar que era capaz. É claro que uma conjunção de fatores ajudou a colaborar para uma ‘tempestade perfeita’ neste aspecto, tais como:

  • Clube em crise financeira
  • Transferban, como consequência desta crise, impediu o Santos de contratar
  • Cuca ficou impedido de sugerir contratações tão ruins como as que ele sugeriu na segunda passagem pelo clube (Laércio foi a única exceção, pois foi contratado no intervalo entre duas punições).

Sem opções, Cuca se viu obrigado a trabalhar com o elenco que tinha. E foi aí que mostrou o seu principal mérito, que até excedeu o seu trabalho como treinador: ele muitas vezes foi supervisor (convencendo atletas a não processar o Santos), outras diretor de futebol (indicando reforços), outras coaching (motivando a equipe), e assessor de imprensa (cuidando do que seria divulgado para a mídia).

Além do desempenho fora dos gramados, Cuca mostrou méritos na armação do Santos: construiu um time vibrante e ofensivo. O treinador conseguiu potencializar jogadores como Alison e Kaio Jorge, que se tornaram vitais para o seu esquema tático.

O resultado veio: antes visto como ‘quarta força do Estado’ ou time que estava fadado ao rebaixamento, o Santos mostrou a sua grandeza ao fazer uma campanha histórica que culminou no vice-campeonato da Libertadores com um gol sofrido aos 53min do segundo tempo.

Mesmo com um baque tão grande na temporada (a perda do título), Cuca superou a sua fama de depressivo (nestes momentos) e conseguiu fazer o Santos reagir no Brasileirão. Com uma sequência de quatro jogos sem derrota (duas vitórias e dois empates), o Peixe está muito perto de se garantir na Pré-Libertadores, o que facilitaria muito a vida de Ariel Holan nesta temporada.

Mas independente deste resultado, o maior legado Cuca deixa para Holan é o elenco do Santos. Um time jovem, motivado, brigador e com muito potencial de desenvolvimento para o futuro. O Peixe tem uma base pronta para trabalhar, o que já é um grande passo. Só falta a torcida ter paciência e não cobrar do novo técnico um título desde o primeiro minuto.

Até onde vai o limite do BBB?

O BBB mais uma vez virou o assunto do Brasil. Mas desta vez sob uma perspectiva muito mais pesada: um participante (Lucas) abandonou o programa e o outro está louco para ser eliminado no paredão desta terça (Bill), chegando ao ápice de sua mãe e da equipe que atualiza as suas redes sociais fazerem campanha para que o público vote para que ele saia da casa.

O BBB assumiu o papel na Globo que antes cabia às novelas de retratar o que acontece na sociedade. Brigas, intrigas, traições…esse sempre foi um enredo clássico BBB sim BBB também. Só que a edição de número 21 do programa trouxe um componente brutal: o terrorismo psicológico.

Nunca antes na história do BBB os participantes eram alvos de jogos psicológicos com o intuito de isolá-los e de fazê-los sentir “o cocô do cavalo do bandido”. Com a desculpa de que são bons jogadores e aceitando o papel de vilôes, nomes como Karol Conká e Negro Di segregam, confundem e manipulam quem eles não gostam, e ainda jogam a casa contra essas pessoas. Lucas e Bill foram alvos. Gilberto e Sarah tem tudo pra ser.

Aí voltamos ao ponto inicial do texto: até onde vai o limite do BBB? O BBB tem que ser o retrato da sociedade? Ou ele pode assumir o papel de regulador moral e agir para conter excessos? 

Outro ponto a ser questionado: até que ponto as marcas vão aceitar investir dinheiro em uma edição de um programa que expõe terrorismo psicológico neste nível? Que faz com que o público, já extremamente desgastado por uma pandemia brutal que assola o Brasil há um ano, se sinta exposto a este espetáculo do masoquismo? As marcas vão aceitar estar associadas a valores como esses? Vale tudo por bons números de audiência?

Meu pitaco: acho que para tudo tem limite. E o BBB não deveria fugir à regra. A direção deveria estipular punições para quem tem atitudes como fazer terrorismo psicológico com o outro (só para citar um exemplo). Os participantes deveriam ser comunicados das regras que precisam ser respeitadas.

Confesso que cheguei num ponto de temer pelo Lucas tentar tirar a vida dele no meio do programa. Vocês já imaginaram a consequência de um ato dramático como esse na história da televisão brasileira? É isso que queremos? É isso que precisamos?

De tragédia já basta o dia a dia do Brasil da pandemia, não?

10 perguntas para Cuca (e um agradecimento)

Queria começar este texto com um agradecimento a Alexi Stival, o Cuca. É inegável o valor dele na campanha que o Santos fez na Libertadores. Encontrou um cenário de terra arrasada, com os jogadores e a torcida desacreditados, dívidas e mais dividas (#transferbannomuro) e conseguiu reverter. O Peixe ‘ressurgiu das cinzas’ após o seu comando. Teve vitórias históricas contra adversários do calibre de Grêmio e Boca Juniors. Fez muita coisa para se orgulhar na competição. Com ele, o Santos relembrou o seu gigantismo.

Mas tudo leva a crer que a terceira passagem de Cuca pelo Santos está cada vez mais perto de um fim. Antes de falar de nomes para substituí-lo, gostaria de deixar perguntas que, a meu ver, separam a avaliação do seu trabalho de bom para ótimo.

Cuca teve uma série de ‘derrapadas’ no momento que o Santos mais precisava na temporada. E a expulsão na final contra o Palmeiras deixou muitas perguntas a serem respondidas (se alguma das perguntas abaixo foi respondida e eu não percebi, por favor me avisem):

  1. Por que colocou Wellington Tim em campo na final da Libertadores sendo que ele nem tinha 90 minutos em campo pelo profissional?
  2. Por que nem sequer relacionou Wellington Tim pelo Brasileirão dois jogos depois, relacionando Wagner Palha e Alex, que poderiam ser opções viáveis no segundo tempo contra o Palmeiras?
  3. Se o John não se recuperou completamente da covid, por que ele jogou a final da Libertadores, o jogo mais importante da temporada?
  4. Por que abdicou do ataque contra o Palmeiras sendo que as duas melhores experiências na Libertadores foram quando o Santos não abdicou do ataque em nenhum momento? (Santos e Grêmio na Vila)
  5. Por que colocou jogadores no segundo tempo da final em posições diferentes das quais eles estão acostumados a jogar? (Kaio Jorge foi meia, Lucas Braga foi centroavante e Madson atuou no meio do campo – só para citar três exemplos)
  6. Por que Laércio segue como titular, sendo que claramente ele não tem nível para jogar no Santos?
  7. Por que o Ângelo não recebe mais minutos?
  8. Por que a insistência em nomes como Jean Mota, Arthur Gomes e Taílson, que merecem buscar a felicidade em outro lugar?
  9. Por que o Santos, quando tinha superioridade numérica no segundo tempo contra o Atlético-GO, achou que a solução era cruzar QUARENTA E SEIS bolas na área do rival?
  10. Por último, o mais importante: como fazer o torcedor acreditar que o clube tem forças para buscar a vaga na Libertadores 2021 se você mesmo dá mostras de que está esgotado e psicologicamente abalado com o vice da Libertadores?

Se as perguntas forem respondidas, este texto será atualizado no momento oportuno.

<span>%d</span> blogueiros gostam disto: