Por que o Muricy tem birra com os atletas jovens?

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Texto originalmente publicado no site Torcedores.com. Seja um colaborador!

Muricy Ramalho voltou a destilar a sua raiva nos atletas jovens. O treinador do São Paulo deu uma senhora bronca no menino Boschilla após o fim do clássico contra o Corinthians na Arena Barueri. Chegou até a entrar em campo. Precisava de tudo isso? Não é a primeira vez que Muricy faz algo do tipo. Por que tanta birra com os jovens?

“Aqui não é juvenil, não é amador, é profissional! Nós tomamos gol por causa dessa função (cobrir a lateral). Se ele entra ali, ele tem de cumprir isso. Aqui não é Cotia, não. Ele não está em Cotia! O negócio aqui é grande. Não pode entrar tão desligado. A bola está lá e ele está em cima do Pabón fazendo o quê? Os meninos que saem de lá precisam estar mais concentrados, não pode entrar mais ou menos. Tem de ser ligado”, justificou o treinador após a partida em coletiva de imprensa.

Vamos levar em consideração que Muricy tenha motivos para ficar irritado. Que Boschilla realmente entrou desligado. Agora…precisava desse show? Entrar em campo? Dar bronca pra todo mundo ver e ouvir? Submeter o menino a uma crucificação? Vou além…será que Muricy agiria dessa forma com Luis Fabiano e Rogerio Ceni? Duvido.

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Certo, a meu ver, foi o Ganso, que tirou Boschilla de perto de Muricy. Roupa suja se lava em casa, já diz o ditado: “É um menino de qualidade, mas é garoto. Ele vai aprender. Tirei o Muricy para ele dar bronca dentro do vestiário”, disse o meia aos repórteres logo depois.

Não é a primeira vez que Muricy faz isso. Quando estava no Santos, o treinador logo chegou dizendo que os garotos da base vinham com “defeito de fábrica”. Ele não se cansou de pegar no pé do meia Felipe Anderson até o menino ser transferido para a Lazio.

Por que Muricy é tão ranzinza com a base? Porque é mais fácil trabalhar com jogadores que já estão prontos. E é muito mais fácil dar bronca e pegar para cristo quem não está preparado para reagir.

Crédito da foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

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Garotos do Santos dão recado para Muricy

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Dá gosto de ver esse Santos jogar. É seguramente o time que apresentou o melhor futebol no Paulistão, ganhando ou não a competição. E é curioso ver que Muricy Ramalho, técnico que criticou a atual safra dos jovens santistas quando ainda os comandava (“tem defeito de fábrica”), não conseguiu levar o São Paulo nem para a semifinal da competição.

Dentre os jovens de destaque no Paulistão, Geuvânio é o melhor deles. Tem tudo para ser o maior nome deste Paulistão. É o mesmo jogador que foi pouco aproveitado no ano passado e chegou até a ser emprestado para o Penapolense, rival do Santos na semifinal do Paulista.

Geuvânio faz gols (já são sete) e dá assistências (11) com a mesma eficiência na temporada. Tem atuado com muita confiança, mérito também do técnico Oswaldo de Oliveira neste processo.

O Santos vai ser campeão? Não dá para saber. Mas joga bonito, e isto deve ser valorizado. Ao contrário do São Paulo, que passou vexame contra o Penapolense e se despediu de forma melancólica do Paulistão.

Tenho minhas dúvidas se dá para diferenciar a campanha do São Paulo com a do Corinthians. Afinal de contas, se fosse no regulamento antigo, o Timão estaria classificado. Os dois passaram vergonha no Paulistão, e isto deve ser ressaltado.

O Palmeiras tem cumprido o seu papel no Paulistão com qualidade. Ao que tudo indica, fará uma final muito equilibrada com o Santos, desde que ambos não sejam contaminados pelo oba-oba na semifinal. Quem vencerá? Difícil dizer. Acho que os Meninos da Vila tem uma ligeira vantagem.

Crédito da foto: Divulgação/Santos FC

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Desrespeito entre treinadores brasileiros: até quando?

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Cada vez mais tenho a convicção de uma coisa: os treinadores do futebol brasileiro se desrespeitam. Nas últimas semanas, acontecimentos desabonadores entre os profissionais desta classe no país tem me provado que esta análise é correta.

Conhecem Vagner Benazzi e Toninho Cecílio? Não? Pois conhecerá agora. Os dois protagonizaram um episódio lamentável de desrespeito mútuo via imprensa.

Benazzi foi no mínimo deselegante com Cecílio ao dizer que encontrou uma bagunça no Comercial e, por isso, estava com dificuldades de fazer o time de Ribeirão Preto se manter na primeira divisão do Paulistão.

“Eu estou aqui há um mês. Isso aqui estava uma bagunça. O time estava todo errado dentro de campo, todo torto. Sem uma parte física boa”.

Irritado com o que disse Benazzi, Toninho Cecílio foi MUITO além na resposta publicada em uma carta destinada aos amigos do Globoesporte.com. “Como pode haver tamanha covardia de um colega de trabalho?”.

Como pode tanto desrespeito entre dois profissionais que deveriam no mínimo serem colegas? Fico pensando…os treinadores brasileiros tem dificuldade de desenvolverem seus trabalhos porque não se ajudam. Muitas vezes, o técnico que está fora fica torcendo para o que está dentro perder e, assim, deixar o cargo disponível.

E o desrespeito entre profissionais tem acontecido nos mais diferentes níveis de equipes no Brasil. Outro dia, Mano Menezes insinuou que o São Paulo teria facilitado na partida para o Ituano para prejudicar o Corinthians. Muricy Ramalho, técnico do Tricolor, ficou chateado com a insinuação, mas mesmo assim Mano se recusou a pedir desculpas. Custava ele ter feito isso?

Penso que criar um ambiente de cooperação seria um grande passo para os treinadores desenvolverem um bom trabalho em suas equipes no Brasil.

Crédito da foto: Site oficial do Avaí

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Técnicos estão se estressando no banco. E culpam os médicos

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O que Muricy Ramalho e Oswaldo de Oliveira tem em comum além de serem técnicos? Eles tem chamado a atenção por se estressarem no banco de reservas. E ambos encontraram o mesmo ‘culpado’ para este problema: os seus respectivos médicos.

“Quero pedir desculpa a todos. Isso normalmente não acontece comigo. Recentemente meu médico falou: ‘Não guarda, não somatiza, que isso vai te fazer mal’. Então eu às vezes extravaso porque ficar contendo esse tipo de coisa tem me feito sentir muito mal. Por isso eu às vezes extrapolo um pouquinho”, disse Oswaldo de Oliveira após o empate no clássico contra o São Paulo, jogou em que ele foi expulso.

Muricy Ramalho chegou a perder jogos por problemas de saúde quando ainda era técnico do Santos. Depois que melhorou, disse o mesmo que Oswaldo: que seu médico pediu para que ele extravase a raiva que sente.

São dois dos melhores técnicos do Brasil. Os resultados falam por si. Mas estão estressados. E a questão que fica implícita neste stress é: será que os treinadores não são pressionados mais do que deveriam? Será que os super salários que recebem não vem acompanhados de uma pressão e um stress excessivos? Penso que as duas coisas tem que diminuir na vida do treinador brasileiro – a cobrança e o salário.

Crédito da foto: Reinaldo Canato/UOL

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Torcedor do São Paulo tem motivo para começar 2014 preocupado

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Queda nas semifinais do Paulista, nas oitavas da Libertadores e na semifinal da Sul-Americana. Isso sem contar o melancólico Brasileiro, em que ficou várias rodadas brigando para sair da zona de rebaixamento. Esse foi o 2013 do São Paulo.

Aí você pensa: ciente de tudo isso, a diretoria vai ao mercado trazer bons reforços para melhorar a equipe, além de não deixar os bons jogadores irem embora, certo? Pelo visto, errado. Mesmo em ano eleitoral, o São Paulo de Juvenal Juvêncio se mostra muito tímido no mercado e dá motivos para que o torcedor inicie 2014 bem preocupado com os rumos do time.

Dizem que o técnico Muricy Ramalho tem até evitado dar entrevistas para não externar o seu descontentamento com a falta de reforços.

O fato é que, até agora, apenas o lateral-direito Luis Ricardo chegou para reforçar o São Paulo. E o clube vai perder Aloísio, que foi a principal referência ofensiva da temporada passada.

O São Paulo insiste em contratar Vargas, mas deve perder para o Santos. O Tricolor disputa o volante Souza com o Flamengo. O também volante Jucilei segue como sonho distante, assim como o meia Diego.

Pouco, muito pouco, para quem quer algo a mais em 2014. Se a diretoria não se movimentar, o futuro do São Paulo tem tudo para ser sombrio.

Você concorda?

Crédito da foto: Reinaldo Canato/UOL

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Muricy tenta negar, mas é muito bom de marketing

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O técnico Muricy Ramalho ficou conhecido pela filosofia de “aqui não é conversinha, é trabalho”, o que trocando em miúdos, significa: “não gosto de fazer propaganda de mim mesmo, gosto apenas de trabalhar”. Apesar de não admitir, o atual treinador do São Paulo é muito bom de marketing.

A eficiência de Muricy nesta área pode ser explicada pelo simples questionamento: você defender que não faz marketing não é uma forma eficiente de fazer marketing? Afinal de contas, ele impõe sua marca ao fã de futebol, que o reconhece por “trabalhar muito e falar pouco”.

Ninguém aqui está negando os méritos de Muricy dentro de campo. Como já defendi em outras postagens sobre ele, os títulos são a maior prova da sua capacidade. Com seu jeito simples, trabalhador e duro, Muricy recolocou o São Paulo nos trilhos.

O que está em discussão aqui é a eficiência de Muricy como criador de uma marca. E os recados velados que ele dá. Ou ninguém percebeu que em todas as entrevistas que concede, o treinador tenta de forma sutil colocar na cabeça do torcedor do São Paulo que aceitou uma proposta desvantajosa porque ama o clube? E por proposta desvantajosa, leia-se ganhar R$ 350 mil ao invés dos R$ 700 mil que ele costuma receber.

“O momento realmente é ruim, Juvenal me ligou falando assim. Cheguei no CT e vi, era assim mesmo, estava difícil. Pensei: ‘Eu estava lá em Ibiúna, comendo carne e tomando cerveja, com a família, estava ótimo… Nunca fiz isso, ser vagabundo (risos). Estava ótimo, meu Deus. Mas falei: ‘Vamos lá, Juvenal’. Nem assinei ainda o contrato, está lá em casa jogado em algum lugar”, disse depois da vitória contra o Atlético-MG no meio de semana.

Acredito que Muricy, inicialmente, não se dava conta de que poderia usar o estereótipo de que é bom de trabalho a seu favor. Mas agora, a impressão é que em todo discurso que faz, ele tenta se aproveitar desta marca que criou.

A relação da torcida do São Paulo com Muricy é algo messiânico, inexplicável. A adoração dos torcedores pelo treinador é muito maior do que os três Brasileiros que ele conquistou, somente comparável à paixão do são-paulino por Telê Santana, a quem foi discípulo no início da carreira.

Craque do marketing como é, Muricy sabe explorar os benefícios dessa relação como poucos. O casamento entre o treinador e o São Paulo tem tudo para dar certo.

Crédito da foto: Reinaldo Canato/UOL

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Contratação de Muricy é prova de desespero da diretoria do São Paulo. Mas pode dar certo

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De forma surpreendente, a diretoria do São Paulo decidiu demitir o técnico Paulo Autuori e contratar Muricy Ramalho. Muito se foi falado, mas até agora ninguém me convenceu de que não se trata de uma atitude de desespero de uma cúpula que teme seriamente o risco de rebaixamento inédito na história do Tricolor. Mas, por mais que possa parecer contraditório, a medida pode dar certo.

Quando apresentou Paulo Autuori menos de dois meses atrás, o presidente Juvenal Juvêncio mostrou aos jornalistas uma lista de técnicos que o arquirrival Corinthians contratou nos últimos anos na tentativa de criticar o excesso de trocas do Timão. Coincidência ou não, nesta terça-feira ele nem apareceu para apresentar Muricy – delegou a função ao vice-presidente de Futebol, João Paulo de Jesus Lopes.

A decisão de demitir Autuori, que até pouco tempo atrás era visto como o técnico mais cobiçado do mercado por Juvenal (o tentou, sem sucesso, tirar do Qatar por mais de uma vez) não foi consenso nem entre a cúpula são-paulina. O próprio Jesus Lopes não conseguiu esconder o descontentamento por não ter sido ouvido e fez questão de elogiar o ex-treinador na presença de Muricy.

E por que a troca de treinador, neste caso, se trata de uma prova de desespero? Porque a diretoria jogou fora a cartilha pregada no futebol de dar tranquilidade a um técnico para ele exercer o seu trabalho é uma das premissas para os resultados aparecerem. Porque bateu a aflição de terminar o primeiro turno na zona de rebaixamento. E, principalmente, porque Muricy é quase unanimidade para o torcedor do São Paulo.

Aí entra também a questão da eleição, que ocorrerá em abril do ano que vem. A chegada de Muricy serve também para eximir a atual diretoria de culpa. Se o São Paulo cair, os dirigentes falarão: mas nós trouxemos o técnico que vocês sempre quiseram, não foi? Fizemos a nossa parte.

Não discuto a capacidade de Muricy. Seu currículo fala por si. A questão é que a diretoria do São Paulo está apostando em fatores emocionais, em ligação entre técnico e torcida, para que o time consiga reagir no campeonato. O fator campo está ficando em segundo plano.

Pode dar certo? Claro que pode. A graça do futebol é que é um esporte que proporciona surpresas a quem o pratica. Ainda acho que o São Paulo não cai. Mas que a atual diretoria está fazendo força pra isso, ah isso está.

Crédito: Reinaldo Canato/UOL

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Claudinei fez mais que Muricy pelo Santos neste ano, mas ainda falta coragem

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O técnico Claudinei Oliveira assumiu no início de junho a missão de comandar, ainda que de forma interina, o Santos após a saída do técnico Muricy Ramalho e do atacante Neymar. Com dois meses de trabalho, já dá para dizer que ele fez mais do que seu antecessor no ano inteiro. Mas para receber a melhor nota da classe, ainda falta ter coragem de barrar medalhões.

Entre Copa do Brasil e Brasileirão, Claudinei disputou 9 jogos pelo profissional do Santos, com 4 vitorias, 3 empates e 2 derrotas, o que dá um aproveitamento de 55,6% – hoje, tal índice daria o sétimo lugar na classificação geral do Nacional.

Independente dos números, Claudinei conseguiu dar um padrão tático ao time. Hoje a torcida que acompanha os jogos do Santos sabe exatamente quem é o titular, à exceção do comandante do ataque, função que deve ser ocupada por Thiago Ribeiro.

Oriundo da base, Claudinei deu confiança aos garotos da nova geração santista, e os colocou para jogar. A aposta vem dando certo: Neílton se firmou no ataque, Leandrinho faz bons jogos como volante, e nomes como Pedro Castro e Léo Cittadini tem recebido chances concretas de demonstrar o seu valor.

Claudinei precisa resolver a sua defesa. Edu Dracena, Durval e Léo não podem jogar mais juntos. Por serem veteranos, os três formam um setor defensivo que tem muita dificuldade quando enfrenta ataques rápidos. Isso, somado ao fato de que Galhardo contribui muito mais no avanço do que na marcação pela lateral direita, caracteriza o problema a ser resolvido no Santos. O jovem Gustavo Henrique já mostrou o seu valor e pede passagem para ficar com a vaga de um dos zagueiros.

Provavelmente Claudinei tenha a mesma opinião, mas hesita em sacar um dos três por saber que são líderes do elenco, e a ida de um deles para o banco poderá revoltar os demais. Mas se quer ter a confiança total da diretoria do Santos, ele deve ter a coragem necessária para barrar quem preciso for em prol do crescimento da equipe. Não custa lembrar, Claudinei,  que Abel Braga está desempregado.

Crédito: Ricardo Saibun/Divulgação/Santos FC

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Por que Muricy desperta tanta adoração e raiva nos torcedores?

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Talvez não tenha hoje em dia nenhum técnico no futebol brasileiro que desperte tanta adoração e raiva nos torcedores como Muricy Ramalho. Os ‘muricystas’ e ‘não muricystas’ seriam capazes de ficar horas discutindo se o técnico é bom mesmo ou não é tudo isso que se alardeia.

Mas afinal, por que essa mistura de sentimentos? E Muricy é bom mesmo?

Sim, Muricy já provou que é capaz. É vencedor, conquista muitos títulos, como ele mesmo gosta de propagar. Mas apesar de ser multi-campeão, o treinador é adepto do futebol simples. Eficiente, mas sem brilho: o que revolta muitos torcedores.

Muricy foi de técnico de conquistas regionais a um dos melhores do país em cinco anos, quando faturou quatro brasileiros, três pelo São Paulo e um pelo Fluminense. O segredo? Se for para resumir em poucas palavras: montou times ótimos na defesa e com muito poder de decisão no ataque nas oportunidades que eram criadas. Em 2007, o Tricolor paulista foi campeão com uma impressionante média de apenas 19 gols sofridos em 38 jogos.

Muricy teve muitos méritos no início do trabalho do Santos justamente por ter acertado a defesa. Confiou no volante Adriano como seu ‘cão de guarda’ dos zagueiros, vigiou mais a subida dos laterais e deixou Ganso e Neymar a vontade para jogarem o que sabe. O resultado? Título da Libertadores após 48 anos de jejum.

Mas foi no mesmo Santos que a filosofia defensiva de Muricy foi colocada em xeque. Como os atuais dirigentes santistas gostam de propagar, o clube tem em sua história um DNA ofensivo que, na visão deles, deve ser respeitado. Na análise dos atuais diretores, as pratas da casa sempre devem ser valorizadas, o que não condiz com o histórico de Muricy, apesar dele insistir na falácia de que revela, sim, muitos jogadores. Por isso, ele amargou a demissão.

Os críticos de Muricy alegam que ele anda desmotivado, e que não conseguiu montar no Santos um time que deixasse de depender do Neymar. Os defensores, e nesta lista se incluem boa parte dos torcedores do São Paulo acostumados com a fase vencedora de títulos brasileiros, alegam que ele é um técnico vencedor, característica que não dá pra se desprezar.

Penso que as duas vertentes tem um pouco de razão. Mas Muricy tem, principalmente, que reciclar seus conceitos. Exemplos bem sucedidos de treinadores estudiosos e inovadores, como Tite e Cuca, estão aí para mostrar que não o futebol praticado em 2008, quando Muricy era multi-campeão, está cada vez mais em desuso.

Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress

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Leia a entrevista exclusiva dos colegas Luiz Paulo Montes e Vinicius Mesquita com o Muricy:

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