Palmeiras precisa lembrar que é gigante

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O Palmeiras teve mais uma eliminação em sua trajetória. A derrota diante do Ituano em casa na semifinal do Paulistão causa frustração pela boa campanha que a equipe vinha fazendo durante a competição, mas também pela constatação de que o Verdão não tem conseguido neste novo século desempenhar o papel de gigante no futebol brasileiro que lhe cabe.

Um dado que ajuda a verificar este problema é o número de títulos conquistados na última década entre os quatro grandes de São Paulo (desde 2005):

Palmeiras: 1 Copa do Brasil, 1 Paulista, 1 Série B
São Paulo: 1 Mundial, 1 Libertadores, 3 Brasileiros, 1 Sul-Americana, 1 Paulista
Santos: 1 Libertadores, 1 Copa do Brasil, 1 Recopa, 5 Paulistas
Corinthians: 1 Mundial, 1 Libertadores, 2 Brasileiros, 1 Recopa, 1 Copa do Brasil, 2 Paulistas

Como dá para perceber, os rivais amealharam mais títulos e tiveram conquistas de maior importância do que o Palmeiras, único clube entre os grandes de São Paulo que caiu duas vezes para a segunda divisão na história dos Brasileiros.

O pior não foi a derrota para o Ituano. O pior para o palmeirense é ter a convicção de que eliminações como esta não são mais surpreendentes. Guarani no Paulistão e Goiás na Sul-Americana são exemplos que estão aí para corroborar esta tese.

Neste ano do Centenário, o Palmeiras tem que lembrar que é um clube gigante e se impor em campo como tal. Clube gigante ganha jogos improváveis, se impõe pela camisa e conquista títulos, muitos deles que ficam para serem contados durante toda a história. A Academia de Futebol e a geração vencedora do Verdão na década de 90 estão aí para não deixar mentir.

A imensa e apaixonada torcida do Palmeiras pedem isso. Os rivais pedem. Palmeiras, volte a se impor como um gigante! O futebol brasileiro agradece.

Crédito: Rodrigo Capote/UOL

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Técnicos estão se estressando no banco. E culpam os médicos

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O que Muricy Ramalho e Oswaldo de Oliveira tem em comum além de serem técnicos? Eles tem chamado a atenção por se estressarem no banco de reservas. E ambos encontraram o mesmo ‘culpado’ para este problema: os seus respectivos médicos.

“Quero pedir desculpa a todos. Isso normalmente não acontece comigo. Recentemente meu médico falou: ‘Não guarda, não somatiza, que isso vai te fazer mal’. Então eu às vezes extravaso porque ficar contendo esse tipo de coisa tem me feito sentir muito mal. Por isso eu às vezes extrapolo um pouquinho”, disse Oswaldo de Oliveira após o empate no clássico contra o São Paulo, jogou em que ele foi expulso.

Muricy Ramalho chegou a perder jogos por problemas de saúde quando ainda era técnico do Santos. Depois que melhorou, disse o mesmo que Oswaldo: que seu médico pediu para que ele extravase a raiva que sente.

São dois dos melhores técnicos do Brasil. Os resultados falam por si. Mas estão estressados. E a questão que fica implícita neste stress é: será que os treinadores não são pressionados mais do que deveriam? Será que os super salários que recebem não vem acompanhados de uma pressão e um stress excessivos? Penso que as duas coisas tem que diminuir na vida do treinador brasileiro – a cobrança e o salário.

Crédito da foto: Reinaldo Canato/UOL

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Contra o imediatismo no futebol: adote esta causa

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Nesta semana, aconteceram dois fatos que me deixaram intrigado e chamaram a minha atenção para o óbvio: como somos imediatistas em algumas análises ligadas ao futebol. Por isso, lhe peço: adote esta causa contra este movimento.

Vamos descrever as situações. A primeira ocorreu com Paulo Henrique Ganso, que foi duramente criticado por muitos quando Muricy Ramalho o colocou no banco de reservas, e virou gênio para outros quando participou de dois gols da vitória do São Paulo sobre o XV de Piracicaba apenas três dias depois.

Ganso não é gênio, muito menos perna de pau. Tem uma inteligência e qualidade técnica acima da média dos demais, mas insiste ainda em dormir e demonstrar falta de vibração em alguns momentos importantes dos jogos que participa. Não deve ser crucificado, nem idolatrado. Deve sim ser elogiado e criticado quando for necessário.

O outro caso ocorreu com Adriano Imperador, que entrou no final de duas partidas do Atlético-PR na Libertadores. Na primeira, ficou oito minutos, nem tocou na bola, mas já foi questionado sobre seleção brasileira (?). Na segunda, foi colocado numa ‘fria’ pelo técnico, reclamou e o mundo caiu sob as suas costas por causa disso.

Adriano já tem experiência suficiente para saber que não deve externar desta forma algumas reações para não gerar crise nos times em que atua. Mas…ele estava errado? De que adiantava entrar naquela hora?

Sei que é chover no molhado falar que o Imperador motivado é atacante de seleção, mas não se deve criar expectativas em um jogador com o histórico de Adriano e que ficou tanto tempo parado. Deve-se sim acompanhar a sua evolução, cobrá-lo se houver recaídas e enaltecer o seu desempenho quando for necessário. Sem imediatismos.

Nós jornalistas, como formadores de opinião, às vezes não nos damos conta de como uma análise imediatista pode interferir no dia a dia de um clube e de um jogador, tanto para o bem, quanto para o mal. O oba-oba tem sempre que ficar com a torcida.

Relembre o post:
É preciso ter paciência nas análises sobre Ganso

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Você levaria um filho para um clássico no estádio? Eu não

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Os dias passam e as histórias de violência nos estádios e fora deles são as mesmas. Só mudam os personagens. E o final é o mesmo: mortes de torcedores e inoperância do poder público. Diante de um quadro como esse, faço uma pergunta: você levaria um filho seu para ver um clássico no estádio?

Se você ainda está pensando para responder, já me adianto: EU não levaria. Adoraria responder o contrário, mas não consigo. Hoje, não dá. Amanhã, espero poder.

Penso que ainda dá para levar em um jogo de uma torcida só, com menor importância. Mas mesmo assim, ainda existem casos isolados como este da foto acima que geram riscos para uma criança.

Eu iria a um clássico. Sozinho. Pois penso que sei me cuidar. Mas estou falando de um risco a integridade física de uma pessoinha que eu já amo mesmo antes de nascer. Se decidir levar, tenho que cuidar de mim e dela. Não dá nem para pensar na possibilidade de acontecer algo. Por isso, ficaria com meu filho em casa.

O que está acontecendo no país é muito grave. E fica mais grave quando levamos em consideração que o santista morto numa emboscada de são-paulinos, infelizmente, vai virar estatística. Já iniciei a contagem regressiva e estou no aguardo das medidas paliativas que serão anunciadas pelas autoridades, e no final não vão dar em nada mesmo. Agora será diferente? Tomara.

Repito…o santista foi morto numa EMBOSCADA…a Torcida Jovem, maior organizada do Santos, já prometeu VINGANÇA aos são-paulinos. Até onde isso vai parar?

Ainda bem que tenho meu pacote do pay-per-view. Pelo andar da carruagem, meu filho provavelmente vai virar torcedor de TV. O futebol está perdendo para a violência. Vamos deixar isso acontecer?

Levar um filho ao estádio é correr risco de passar por situações como a da foto acima, que nem foi tirada num clássico (imagina se fosse). Crédito: Thiago Bernardes/Agência Frame

PS: Para quem tem dúvida sobre o prazer que é levar a um filho num campo de futebol, segue um link muito interessante de um vídeo do Canal Plus exibido no Esporte Espetacular, com a narração de Tino Marcos.

Relembre um post sobre um tema semelhante:

Não foram Vasco e Fluminense os rebaixados na última rodada. Foi o futebol brasileiro

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Análise de um ano para se esquecer no futebol brasileiro e o meu muito obrigado

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torcida

No último post de 2013, nada como fazer uma retrospectiva. Fico com a certeza de que, no futebol brasileiro, foi um ano para se esquecer.

Afinal de contas, como num mesmo ano conseguimos reunir episódios como a tragédia de Oruro, a barbárie de Joinville, seguidas mortes nas obras da Copa do Mundo e o pastelão da decisão de quem vai cair para a Série B do Brasileiro ser via tribunal?

A queda vexatória do Atlético-MG no Mundial de clubes, ainda que não manche o feito histórico do clube de ter conquistado a Libertadores, veio para ‘coroar’ um ano que vai ficar marcado muito mais pelos problemas do que pelas soluções.

Regionalmente, foi um ano péssimo para os clubes paulistas, que não conseguiram sequer se classificar para a Libertadores de 2014, e melancólico para os cariocas, que podem cair duas vezes para a Série B (se o STJD permitir né?)

Os mineiros, porém, só tem motivos para sorrir com o Galo campeão da Libertadores e o Cruzeiro campeão brasileiro. Os catarinenses conseguiram a proeza de colocar três clubes na Série A no ano que vem (Chapecoense, Criciúma e Figueirense).

A seleção brasileira também teve um ano de glórias ao aplicar um expressivo 3 a 0 contra a Espanha, atual campeã e (ainda) dona do futebol mais vistoso do planeta, na final da Copa das Confederações. Mas de nada vai valer se o time de Felipão der papelão na Copa do Mundo

Muito obrigado

Já disse aqui neste espaço que quando comecei a escrever, tinha uma meta de terminar o ano com cinco mil visualizações. Quando vi que consegui o objetivo com muita antecedência, comecei a sonhar com dez mil. E com muito orgulho, percebo que já passei de 13.600!

Tenho aprendido muito aqui a expressar a minha opinião sobre o que acho pertinente, sem medo da rejeição de quem me ler. Me fascina muito a ideia de usar este espaço para debater ideias, e é isto que quero manter para 2014.

Que o leitor que me acompanha neste blog tenha um excelente final de ano! A não ser que aconteça alguma motivação especial, volto a escrever em 2014.

Crédito da foto: Heuler Andrey/Estadao Conteudo

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