Tite, Roberto de Andrade, a demagogia e os torcedores que sempre ficam como “trouxas”

O episódio que culminou na troca do técnico Tite, do Corinthians, pela seleção brasileira, a meu ver, só comprovou o que eu já pensava: o mundo do futebol é cercado de “faz de conta” e de demagogia. No final, quem cumpre o papel de trouxa é sempre o torcedor.

Por que o torcedor cumpre o papel de trouxa? Porque, geralmente movido pela paixão, ele acredita nas pessoas que comandam e/ou cumprem papeis importantes no mundo do futebol.

“Pode-se dizer que o Corinthians está rompido com a CBF”, vociferou Roberto de Andrade, presidente do Corinthians na coletiva de imprensa nesta quarta-feira, claramente incomodado com a saída do treinador responsável pelos anos mais gloriosos na recente história do Timão.

Boa parte da torcida provavelmente irá se inflamar com a fala do presidente e bradará aos quatro cantos para os amigos que torcem para outro time: “meu time é rompido com a CBF”, o que hoje é sinônimo de orgulho, visto os problemas com a Justiça que enfrentam os principais comandantes da entidade e a imagem cada vez mais arranhada da mesma perante a opinião pública. Mas…quanto tempo este rompimento vai durar? Vale lembrar que Andrés Sanchez, um dos principais líderes do Corinthians, já declarou guerra a Del Nero mais de uma vez. E Roberto de Andrade votou em Coronel Nunes, aliado de Del Nero, para a presidência da CBF. Na palavra de quem podemos acreditar?

Tite também teria que se explicar, já que, em um passado não tão muito distante, assinou um manifesto pedindo a renúncia do presidente Marco Polo del Nero da CBF — mandatário que foi o responsável pela sua contratação para comandar a seleção brasileira. Como trabalhar ao lado de uma pessoa que você queria que estivesse fora da entidade? O torcedor — corintiano principalmente — acreditava que, enquanto Del Nero fosse presidente, Titenão pisaria lá. E foi enganado. Veja bem: Tite tem o direito de fazer a escolha que bem entender, e se for usar os problemas jurídicos de quem comanda o futebol como justificativa para não trabalhar em um lugar A ou B, provavelmente estaria desempregado. Não é este o “x” da questão, mas sim como a opinião das pessoas no futebol pode ser moldada em pouco tempo.

Tite deu coletiva como técnico da seleção brasileira, como esperado, ao lado de Del Nero, que teria de se explicar o motivo de ter demorado dois anos para escolhê-lo como treinador, sendo que Tite estava livre no mercado e ele optou por Dunga, mas não o fez.

Del Nero teria que dizer o porquê de ter escolhido alguém que critica a sua gestão. Quando pensei em escrever este texto, apostei que ele provavelmente ressaltaria as inegáveis qualidades de Tite como treinador, que era qualificado “desde 2014”, mas foi escolhido somente agora”.

O que Del Nero não disse (e não dirá) é que a escolha por Tite é para que ele tenha o escudo necessário no futebol para ter tranquilidade para se defender das acusações na Justiça. Afinal de contas, se o Brasil fracassar nas eliminatórias, ele pode virar para a opinião pública e dizer: escolhi o técnico que vocês queriam, não?

Tite, a minha desilusão com o futebol não é de hoje

Antes de começar a exercer o jornalismo esportivo, eu torcia muito para o meu time de futebol (Santos), ia em estádio, ficava realmente triste com as derrotas. Depois de conhecer mais de perto este mundo de “faz de conta”, de reiteradas mentiras e frases demagogas, torço bem menos.

Por quê? Porque me achava um torcedor trouxa. Daqueles que acreditava na palavra de todos que fazem parte deste mundo futebolístico. Você também se acha assim? Faz todo sentido.

Texto adaptado da publicação que fiz no Torcedores.com. Veja aqui

Onde foi que perdemos a capacidade de debater com argumentos?

Texto originalmente publicado no site Onda

Um belo dia, em uma rede social, um amigo compartilhou uma foto da deputada federal Luiza Erundina, do PSOL-SP, pedindo a saída do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Foi aí que começou o ‘debate’

Pessoa 1 – “O sujo falando do mal lavado”
Pessoa 2 – Não concordo com sua posição e, não há nada que desabone a senha Luiza Erundina da Silva, ok?
Pessoa 1 – Se vc confia nesse lixo de político, entendo pq vc não apoia a saída da presidenta. Opinião minha ok?

Na tentativa de entender se a pessoa 1 tinha argumentos para defender a tese de que a Erundina é um “lixo de político”, interagi com ela, mesmo sem conhecê-la.

“Por que a Erundina é um “lixo de político”? Queria entender”, perguntei.

Eis que recebi a seguinte resposta, repleta de bons argumentos: Cada um com sua opinião querido! Não sou obrigada a gostar do que vc acha bom pra si. Eu e Sandro já nos entendemos. Obrigado! De nada

Sim, isto aconteceu. Foi real. Eu vivenciei. Ninguém me contou. E não está em questão se a deputada Luiza Erundina está correta ou não. Se ela é honesta ou não. A questão deste post é a falta de argumentos para o debate.

Onde foi que perdemos a capacidade de debater com argumentos? Salvo raras (e boas exceções), os debates estão pautados da seguinte forma: vence quem ‘ataca’ melhor, quando na verdade, em primeiro lugar, não deveria haver ‘vencidos’ ou ‘derrotados’. Todos ganham com um debate saudável. Todos tem sempre algo para aprender com o outro. Onde foi que esquecemos disso?

Percebo outro problema que emburrece o debate: as pessoas não conseguem entender que, em determinadas situações, 2 + 2 pode ser igual a 5. Também não conseguem entender que, em uma discussão de ideias, as duas pessoas podem estar certas, as duas pessoas podem ter dito verdades. Só que cada um analisou a mesma situação de um ângulo diferente.

E neste contexto, os valores acabam sendo distorcidos, principalmente quando o debate é no campo político. Se uma pessoa faz um post no Facebook criticando um ato ilícito de um político ligado ao PT, fatalmente vai ler na sua timeline algum comentário do tipo: e o político do PSDB que faz a mesma coisa e ninguém fala nada? Ou seja: não discutimos o ato ilícito. Discutimos quem fez o ato. Pior: discutimos se o amigo criticou ou não quem fez o ato. Ou seja: a pauta está errada, é superficial. A discussão fica rasa.

Acredito que a onda de intolerância que assola o país também contribuiu para o emburrecimento do debate. As redes sociais (Facebook principalmente) viraram o ‘lugar certo’ para as pessoas desabafarem, mostrarem o que existe de pior nelas. Muitos postam um comentário e depois pensam. O que deveria ser um local de reflexão e de debates, vira um local de troca de agressões.

Como reverter este quadro? Investindo em educação. Quem lê mais, reflete mais. Tem mais argumentos. Aprende mais. Pode debater melhor. E, se tiver estômago para lidar com quem quer só provocar, eleva o debate. Todos ganhamos com isso.

Opinião: Até quando jornalistas serão perseguidos pelas torcidas e ninguém fará nada?

Texto originalmente publicado no Torcedores.com

Fiz questão de escrever este texto para manifestar a minha indignação com algo que vem acontecendo constantemente na cobertura do futebol no Brasil: jornalistas perseguidos pela torcida. Até quando isso continuará acontecendo e ninguém fará nada para acabar este problema?

O último caso ocorreu com o ótimo repórter Tiago Maranhão, do Sportv. Ele trabalhou pelo canal na cobertura de Palmeiras 3 x 0 Rio Claro, na última quinta-feira, pelo Paulistão. Cumpriu muito bem com o seu dever jornalístico (assim como os operadores de imagem da emissora, diga-se de passagem) ao relatar uma irregularidade cometida por o auxiliar Omar Feitosa, do Palmeiras, durante a partida.

O que a torcida do Palmeiras fez? Ao invés de entender que um funcionário do clube cometeu uma infração, passou a perseguir o repórter no Twitter a tal ponto que ele se viu obrigado a excluir a sua conta nesta rede social.

Aí que eu faço duas colocações ao torcedor do Palmeiras, que o chamou injustamente de ‘dedo-duro’.

– Que prova vocês tem de que o repórter dedurou a informação para o trio de arbitragem? Olhei a cena mais de uma vez, e dá para ver claramente que ele não fez nada.
– Ainda que ele tivesse feito isso, qual foi o seu erro? Que hipocrisia é essa que absolve quem cometeu o erro e condena quem relatou?

Não é a primeira vez que uma covardia como essa é cometida pelos ‘valentões da internet’, que muitas vezes se escondem atrás de perfis falsos para ofender quem está trabalhando, e incitar outras pessoas a fazer o mesmo.

A colega Ana Thaís Matos, que também faz um bom trabalho na Rádio Globo/CBN, recentemente foi perseguida de forma covarde. O motivo? Postagens nas redes sociais que, na visão torta dos torcedores do Palmeiras, inviabilizariam a sua permanência como setorista do clube. Argumento ruim, para dizer o mínimo. Sou testemunha da dedicação da profissional para executar o seu trabalho da melhor maneira possível.

Eu já fui alvo de ‘valentões’ desse tipo. Quando trabalhava como setorista do UOL Esporte, recebi ameaças via Twitter de torcedores.

Por isso, a minha indignação maior é com quem nos representa. Até quando as nossas entidades de classe vão assistir a isso e não vão fazer nada?

Nós jornalistas esportivos precisamos nos sentir seguros para fazer o nosso trabalho. Fazer nota de repúdio não basta. Precisamos de ações mais efetivas.

Veja as lições para a sua carreira que você pode aprender assistindo ao filme Moneyball

Sempre que assisto um filme, penso que pode se tratar de alguma valiosa oportunidade para aprender algo, seja para a minha vida profissional ou mesmo para a vida pessoal. Claro que vejo películas com o simples objetivo de me distrair ou “esvaziar a mente”, mas para estas dou uma importância muito menor.

Assistir um filme com este objetivo tem me proporcionado experiências valiosas que eu relatei neste espaço ao abordar o filme O Senhor Estagiário (que rendeu mais de um textoe ao admitir a relevância da série The Good Wife.

Pois bem, o último filme que de alguma forma transformou a minha vida foi Moneyball.

Aí você vai pensar: “Puxa, como ele só assistiu à esse filme agora?”. Exato, foi isso mesmo que pensei: por que demorei tanto tempo?

Moneyball, ou o Homem que mudou o Jogo, é um filme de 2011, inspirado no livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, que conta uma história real ocorrida com Billy Beane (muito bem interpretado na película pelo ator norte-americano Brad Pitt)

Beane é o gerente geral do Oakland Athletics, que fez uma temporada notável em 2001 mesmo com poucos recursos financeiros e se vê sem saídas para repetir o feito depois da saída dos principais nomes do seu time para equipes com poderio financeiro maior.

Foi este o filme que me proporcionou lições importantes para a minha carreira profissional, que vou relatar nos parágrafos abaixo. Antes, um parênteses: sei que de alguma forma vou acabar dando spoiler a quem não assistiu ao filme. Portanto, se você não gosta de spoilers, talvez seja o momento de parar de ler por aqui.

– Não tenha medo de inovar:  No filme, o personagem de Brad Pitt decide contratar reforços problemáticos do ponto de vista de comportamento, mas eficientes em relação ao desempenho no campo de beisebol. Este modelo enfrentou muita resistência entre os olheiros e especialistas do esporte. Se o gerente geral se intimidasse com essa resistência, provavelmente o projeto seria um fracasso retumbante.

– Entender os números pode mudar o jogo: Muitos ainda insistem em desprezar a importância dos números, principalmente no esporte. Pois o filme Moneyball prova que, se você souber fazer uma boa leitura dos números e associar corretamente a uma boa filosofia, você pode ter muito sucesso em qualquer profissão que exercer.

– Faça o que for preciso para a inovação dar certo: Inicialmente, o Oakland Athletics colecionou derrota atrás de derrota. Mas…por qual motivo? O gerente geral simplesmente executou as mudanças e tentou “enfiar goela abaixo” do técnico e dos jogadores. Se você não convence os atores do espetáculo de que o roteiro precisa ser diferente, a chance da mudança dar certo beira a 0%.

– Saiba identificar os talentos ‘esquecidos’: Foi uma desesperada tentativa de contratar um atleta de um time rival que fez Billy Beane conhecer Peter Brand (interpretado pelo ator Jonah Hill – na vida real, Brand se chama Paul DePodesta), aparentemente um amedrontado assistente do Cleveland Indians, mas que na verdade era um brilhante estudioso de beisebol e dos seus números.  As ideias de Brand fizeram Beane mudar a história do beisebol norte-americano. E por que a cúpula dos Indians não aproveitou o seu talento? Arrisco um palpite: eles o desprezaram por ser jovem e não saber se impor com sua ideia de jogo tão diferente do convencional.

– Não se prenda a ‘fantasmas’ do passado: Billy Beane acaba perdendo talvez a maior oportunidade da sua vida porque ele não quis repetir o mesmo erro do passado. Mas quem garante a mudança para o Boston Red Sox seria um erro? Você pode sempre reescrever a sua história. Basta tentar aprender com os erros e não se deixar levar pelos ‘fantasmas’ do passado.

Assistiu ao filme Moneyball? Concorda com a minha análise? Pretende assistir? Comente na caixinha de comentários abaixo 🙂

Por que prestamos serviço tão mal — e não nos preocupamos com isso?

A crise econômica é algo abordado diuturnamente no Brasil, seja nas manchetes de jornais, nos noticiários que você assiste enquanto toma o seu café da manhã ou no papo com o seu colega de trabalho. Mas tem algo que muitas vezes passa despercebido no nosso país e particularmente me inquieta — por que prestamos serviço tão mal? E pior: por que não nos preocupamos com isso?

A classe dos taxistas é o maior exemplo de como existe um desprezo pela prestação de serviços eficiente. Matéria do UOL Notícias, de 21 de janeiro de 2016, informa que a Prefeitura de São Paulo recebeu uma média de quatro reclamações por dia contra taxistas no ano passado.

“Entre as denúncias, 30,4% foram relativas à atitude desrespeitosa do condutor do táxi com o passageiro”, diz a matéria. Ora, respeito a um cliente é o mínimo que pode se exigir de um profissional prestador de serviço.

Agora façamos uma breve pausa para um exercício de reflexão. Esses foram os que “perderam seu tempo” e reclamaram. Imagina os que sofreram com os taxistas e resolveram ficar quietos?

É neste contexto que entra o Uber. A empresa de transporte compartilhado está “engolindo” o serviço comum de táxi por um simples motivo: trata bem os seus clientes. E se engana quem pensa que o Uber está inventando a roda, porque tratar bem, neste caso, significa se preocupar com pequenos gestos como oferecer uma água, uma balinha, perguntar se o ar condicionado está bom ou que estação de rádio o cliente deseja sintonizar.

E é neste ponto que a minha indignação aumenta. Como profissional do mercado de trabalho, se um concorrente oferece um serviço melhor que o meu, eu me esforço para tentar superá-lo e prestar um serviço melhor que o dele, certo? Não é assim que pensam muitos taxistas.

Em outubro, antes da chegada do Uber em Fortaleza, alguns taxistas se prepararam para criar uma frota com serviços mais qualificados e respeito aos clientes — o que foi uma iniciativa excelente. Mas olha o que contou um dos administradores da frota, Hélio Pereira, em entrevista ao jornal O Povo:

“A maioria me chama de babaca e besta. Quando você inova, sempre tem gente contra. ‘Vai gastar dinheiro com o cliente?’. Gastar dinheiro com o cliente deve ser um crime mesmo…

Instituições de ensino também deixam a desejar

Em um país que tenta ser a Pátria Educadora, assusta um pouco a percepção de que algumas instituições de ensino pecam em fatores tão básicos de prestação de serviços.

Vou usar este espaço para relatar dois problemas que vivenciei. Fiz pós-graduação no campus Paulista da Universidade Anhembi por 18 meses. E durante todo este período, sabe qual era um dos maiores problemas dos alunos? O elevador. A instituição oferecia apenas três elevadores para os alunos utilizarem. Resultado? Enormes filas nos ‘horários de pico’ e alunos que chegavam atrasados nas aulas por não quererem (com razão) subir 13 andares de escada.

Outro problema vivenciei recentemente com a escola de inglês Wise Up, que promete um ensino “revolucionário” da língua inglesa com aulas em classes com alunos de diferentes níveis, mas na verdade se preocupa muito mais em enviar o boleto para pagamento do que em avisar das mudanças dos calendários e horários de aula. Relatei todos os problemas para a coordenação da minha unidade por email. O que eles fizeram? Nada. Aí não dá para pagar o que pago por mês e receber este tipo de atenção, não é? Por isso vou sair do curso. E vou fazer questão de não recomendar a escola para ninguém.

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Crédito da foto: Reprodução/Facebook oficial

Caso Quitandinha mostra a arrogância dos donos de estabelecimento

O recente caso de assédio de dois homens a duas mulheres ocorrido no Bar Quitandinha, mostra, além de um comportamento deplorável dos assediadores, gerente, garçom e policiais que estiveram no caso, algo que infelizmente é muito comum entre alguns donos de estabelecimentos famosos em São Paulo: a arrogância.

No caso, o empresário Flávio Pires, um dos sócios do Quitandinha “e de pelo menos mais cinco estabelecimentos na Vila Madalena, deu declarações típicas de quem não se preocupa com a satisfação de cada cliente que entra em seus estabelecimentos — algo que precisa ser a premissa de um bom prestador de serviços.

Ele concedeu uma entrevista ao portal G1. Me reservo ao direito de pegar o trecho da declaração que mais me chamou atenção: “Pode ter tido erro, mas não do tamanho da repercussão”. Ora, por que agir como se fosse vítima de um ato orquestrado de quem quer prejudicá-lo? Não seria mais fácil admitir o erro e prestar assistência para a vítima? É muita arrogância!

Flávio ficou assustado porque criaram mais de um evento no Facebook pedindo o fechamento do Bar Quitandinha. Mas a sua postura de não assumir a falha dos seus funcionários só contribuiu para aumentar a ira dos seus clientes.

Para finalizar a linha de pensamento sobre este caso, fico com o excelente texto de Marc Tawil e, especialmente, com esse trecho: “o recado das ruas, melhor dizendo, da rede, é tão simples quanto direto: reveja os seus conceitos. Reveja quem você contrata, reveja seu atendimento, sua comunicação, sua ética e suas relações”.

É claro que este texto não leva em conta os bons exemplos, que felizmente acontecem no nosso país. Mas ainda tratamos os bons exemplos mais como exceção do que como a regra.

Por via das dúvidas, não custa perguntar: você tratou bem o seu cliente hoje?

Você é manipulado todos os dias. E o pior: nem percebe

Manipular, segundo o dicionário Michaelis, tem como um dos significados as seguintes palavras:

Engendrar, forjar. Exemplo: manipular ideias

Você é manipulado todos os dias. E o pior: nem percebe.

Mas espera um pouco: “do que esse cara está falando?”

Estou falando do que sai na imprensa. A mídia mostra o que ela quer. Ou o que ela acha interessante ser mostrado. Escute uma palavra amiga deste profissional de imprensa: não caia no mito da imparcialidade. Ele não existe mais.

Duvida? Então vamos aos exemplos:

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Capa da Folha de S. Paulo do dia 12 de janeiro. O jornal tinha uma investigação própria que denunciava uma suposta propina de R$ 100 milhões que teria ocorrido no governo FHC. Procure com uma luva para achar o destaque que esta matéria teve na capa.

A minha questão, neste caso,  não é nem o que é certo e o que é errado. É que o próprio jornal já mostra a sua linha editorial quando faz este tipo de escolha. E as pessoas mais desavisadas vão “comprar” esta hierarquização do jornal.

Vamos a outro exemplo:

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O chargista Marco Aurélio simplesmente teria se confundido e fez uma charge do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva quando queria fazer uma charge sobre Fernando Henrique Cardoso. Por mais que eu faça força, não consigo achar que tenha sido uma mera confusão. Em todo caso, o jornal Zero Hora foi obrigado a fazer uma errata. Mas…imagine quantas pessoas compartilharam essa imagem porque “compraram” a ideia do chargista?

Vamos a mais um exemplo:

São Paulo enfrentou recentemente uma das maiores crises de educação da sua história recente. Milhares de pessoas foram para as ruas protestar contra a decisão do governador Geraldo Alckmin de fechar escolas em nome da reorganização escolar. O que a Revista Veja fez? Criou um ranking de competitividade dos Estados, onde distribuía notas de 0 a 100 para os estados brasileiros em diversos quesitos.

Chuta qual foi a nota de São Paulo no ranking de educação. 100. Sim, a nota máxima.

Os veículos de imprensa têm todo direito de apoiar A, B ou C. O que me incomoda, aqui no Brasil, é essa cultura equivocada da imparcialidade. Se fosse dono de uma mídia, a minha primeira ordem seria: vamos fazer um editorial e defendermos a nossa posição política. Somos de direita? Somos de esquerda? Somos de centro?

A gente não gosta de se espelhar sempre nos Estados Unidos? Por que não nos espelhamos neles nisto também? O jornal The Ney York Times publicou no último dia 31 um editorial a favor da eleição de Hillary Clinton como candidata dos Democratas para a Presidência dos Estados Unidos.

Aí que fica a pergunta: não é muito melhor agir desta forma? Não é uma forma de respeitar o seu leitor sendo honesto com ele?

Você merece saber sempre a verdade. Não pode ser manipulado. Não permita isso.

Você tem muito a aprender com os mais velhos. E não pode desprezar isso

Se tem uma coisa que me incomoda é o descaso com que os mais velhos geralmente são tratados. Na vida, no mercado de trabalho…

Toda pessoa que tem mais idade do que você tem algo a te ensinar. Não despreze isso. Não perca a oportunidade de adquirir mais conhecimento.

Ah, mas ele nem tem faculdade e eu sou pós-graduado. O que eu posso aprender com ele?

Vem cá…você acha MESMO que a única instrução importante na vida (e até no mercado de trabalho) é a que você recebe na escola? Então tome cuidado. Você está indo para o caminho errado!

Os mais velhos podem te dar a calma necessária quando você acha que tem que colocar o pé no acelerador. Podem alertá-lo para não cair em armadilhas de quem quer te enganar. Podem ensiná-lo na prática a importância de pensar duas vezes antes de tomar uma decisão importante. Ou a não hesitar tanto para não perder a chance de tomar uma atitude rápida que pode beneficiá-lo.

Este foi mais um post motivado por um filme que recomendo. Um senhor estagiário é uma comédia com Robert de Niro e Anne Hathaway. Na película, De Niro vive um senhor de idade que trabalhou 40 anos de forma bem sucedida no mercado, mas que está aposentado e perdeu a perspectiva de vida depois que a sua esposa morreu. Mas ele ganhou uma nova vida quando viu um anúncio da empresa comandada por Hathaway em busca de estagiários seniors.

É impressionante reparar como a habilidade adquirida pelo personagem de Robert De Niro durante 40 anos de profissão acaba sendo extremamente valiosa para a personagem vivida por Anne Hathaway. Ele tinha as competências que ela não possuía. As características dos dois, somadas, gerariam um profissional quase perfeito. Ele deu conselhos valiosos para ela vencer desafios importantes como presidente da sua empresa.

Mas tudo isso deu certo pela postura dos dois. Principalmente dele, que soube vencer a desconfiança inicial dela e soube mostrar o seu valor aos poucos, sem se incomodar com o fato de que ela só o aceitou porque foi obrigada.

Por esse motivo que sou favorável a um intercâmbio maior entre profissionais mais jovens e mais velhos. Desde que ambos os perfis tenham a “cabeça aberta” suficiente para entender a importância desta troca de vivências, pois os mais jovens também tem muito a ensinar aos mas velhos.

E não sou só eu que acho isso. Um estudo divulgado em julho de 2015 pelo Federal Reserve of Saint Louis, que fez a relação entre idade e patrimônio líquido, comprovou que os mais jovens não conseguem mais acumular tanta renda do que os mais velhos acumularam.

Os autores do estudo, William Emmons e Bryan Noeth, indicam que o segredo para os mais jovens aumentarem nos seus rendimentos é aprender o que os mais velhos fizeram para acumular mais riquezas.

Gosto de dizer que uma forma interessante de ver o caráter da pessoa é saber a forma como ela trata os seus avós. Se ela trata com ternura, admiração, respeito, ou se é desrespeitosa, mal educada e trata com tédio.

Muitas das histórias antigas que o seu avô/avó te contou no passado podem ser úteis no seu futuro.

Já ligou para os seus avós hoje?

Sua forma de se posicionar diz MUITO sobre você

Hoje queria abordar neste texto algo que passa despercebido por muitos. No mercado de trabalho e na vida pessoal. Mas que é muito importante. Sua forma de se posicionar diz MUITO sobre você.

Quantas vezes você saiu de uma reunião ou de um bate papo com amigos inconformado porque ninguém concordou com você, mas você sabia que estava certo? Ou inconformado porque você sabia que tinha um ponto de vista importante para abordar, mas ninguém quis te ouvir? Pois então. Talvez você tenha ignorado o fato de que tudo isso aconteceu porque você não soube se posicionar corretamente.

Não basta ter ideias boas. Precisa saber contá-las. Precisa ter iniciativa. Em alguns momentos, precisa saber até se impor.

“Mas eu não posso chegar enfiando o pé na porta e obrigando as pessoas a me ouvirem”.

Claro que não. Mas você pode ter convicção na hora de se posicionar. Falar com voz firme. Olhando no olho de quem você quer que escute a frase. Expondo seus argumentos. Sem medo de ser censurado. Afinal de contas, você se esforçou e deu o seu melhor, ou não?

Sua postura pode dizer muitas coisas. Que você é (des) compromissado. Que é (ir) responsável. Que (não) sabe do que quer.

Pense no lugar onde você trabalha. Por que a pessoa que disputou o cargo que você queria passou na sua frente se você se dedicou tanto? Talvez seja porque ela soube se posicionar diante dos seus chefes e você não.

Felizmente ou infelizmente, vivemos em um mundo em que não basta fazer o certo no seu trabalho. Precisa saber mostrar que está fazendo certo.  Ter convicção dos seus atos, estando certo ou não.

E aí, como você se posiciona?

Adendo: este post foi motivado por um filme que recomendo. Um senhor estagiário é uma comédia com Robert de Niro e Anne Hathaway. Na película, De Niro vive um senhor de idade que trabalhou 40 anos de forma bem sucedida no mercado, mas que está aposentado e perdeu a perspectiva de vida depois que a sua esposa morreu. Mas ele ganhou uma nova vida quando viu um anúncio da empresa comandada por Hathaway em busca de estagiários seniors. A vida deles se cruza mesmo sem ela querer. Mas é impressionante como ele ganha a confiança dela sabendo se posicionar. Não quero contar mais detalhes para não parecer spoiler.

Série The Good Wife dá dois conselhos valiosos para o mercado de trabalho (e para a vida)

Recentemente, terminei de acompanhar a sexta temporada da Série The Good Wife no Netflix, que ainda não disponibilizou a sétima (e até agora última) temporada. E posso dizer, sem sombra de dúvidas, que além de ser uma série bem escrita e com tramas que chamam atenção, The Good Wife dá dois conselhos valiosos para quem quer triunfar no mercado de trabalho.

Antes de falar sobre os conselhos, cabe aqui uma pequena contextualização para quem não está familiarizado com a série: The Good Wife conta a história de Alicia Florrick (Julianna Margulies), que se vê obrigada a voltar a advogar após 13 anos para sustentar os filhos porque o seu marido Peter Florrick (Chris Noth) foi preso por estar envolvido em um escândalo com prostitutas e corrupção. Só este caso já é um ‘aperitivo’ do quanto a protagonista sofrerá durante a série.

É uma série muito interessante não só para quem gosta de aprender e entender mais sobre julgamentos, mas também sobre as estratégias (e artimanhas) dos advogados para vencê-los. Mas The Good Wife não é monotemático, pois mostra uma série de enredos e dramas pessoais que se desenvolvem em torno do tema principal, que é a prática da advocacia.

Mas voltemos aos conselhos para o mercado de trabalho. Vou listá-los abaixo. Só adianto que não vou relacionar os conselhos com os acontecimentos da série porque não quero dar spoiler a quem ainda não assistiu.

– Você tem o direito de recomeçar: The Good Wife mostra na prática que, não importa o tombo que você leve ou o insucesso profissional que tenha em algum momento da carreira, você sempre tem o direito de recomeçar — e pode ser muito bem sucedido novamente se souber lidar com isto sem frustração. Portanto, erga a sua cabeça e procure soluções para crescer novamente, pois às vezes a saída está mais perto do que você imagina.

– Você não é o centro do mundo: Está reclamando porque seu chefe te deu uma bronca injusta? Não gostou porque a apresentação que você montou não saiu do jeito que queria? Reclame! Tente uma solução! Mas não se comporte como se o seu problema fosse o maior do mundo. Admito que quando assisti The Good Wife, a primeira coisa que pensei foi: “caramba, e eu reclamando do meu dia hoje. Acho que não conseguiria passar pelo que a Alicia Florrick está passando”.

Sempre tento assistir à uma série ou um filme com o intuito de tirar lições para a minha vida como um todo. É uma experiência muito enriquecedora, que recomendo a vocês.

A busca da excelência é um processo que tem que ser diário no seu trabalho

2016 está vindo com força, e com ele uma certeza: a busca da excelência é um processo que tem que ser diário no seu trabalho.

Você vai ler esta frase e pensar: “mas eu faço isso todos os dias”. Aí eu vou rebater a pergunta: você tem CERTEZA que faz?

Vivemos em um mundo em que até mesmo as empresas mais hegemônicas em suas áreas de atuação não podem sossegar e achar que ninguém irá superá-las.

Pegue o Facebook como exemplo. Existe algum concorrente que em curto prazo conseguirá superá-lo? Não. E, mesmo sabendo disso, o Facebook busca inovar sempre.  Repare que constantemente você recebe aviso de mudanças, desde as mais simples até as mais sofisticadas, nesta rede social.

O Facebook também busca comprar as “ameaças” do mercado – já fez isto com o Instagram, o WhatsApp, de forma bem sucedida, e teve uma tentativa fracassada de compra do Snapchat. Para que? Assim existe a certeza de que não será uma rede social superada.

“Tá, e o que isso tem a ver com a minha vida?”. Tudo. Sempre existe algo em que podemos melhorar.

– Se você bateu a meta e conseguiu um número recorde em sua empresa, comemore hoje, amanhã trabalhe para superar este número.

– Se você fez um curso e se considera fluente em inglês, busque a fluência no espanhol.

– Se você fez uma pós-graduação que o ajudou no mercado, busque outro tipo de curso (conhecimento nunca atrapalha, sempre ajuda).

O desafio que deixo para você em 2016 é esse: saia da acomodação e busque aperfeiçoamento. Sempre.

Não é pelo seu lugar de trabalho. É pela sua carreira. É pela sua vida.

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