Contra o mimimi no futebol: entre nessa campanha!

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Sheik

Recentemente, entrevistei o Djalminha para o UOL Esporte. Ele, sempre conhecido pela irreverência e que perdeu até uma Copa do Mundo por ter dado uma cabeçada no treinador do La Coruña, admitiu que o futebol de hoje está muito chato nesse sentido.

Djalminha fez vários elogios ao corintiano Emerson Sheik e diz que ele tem que continuar desta forma, sempre brincando com os adversários.

“A gente está falando de esporte, não está falando de guerra. Não é nada agressivo. No esporte, a brincadeira cabe, a zoação cabe. As pessoas não podem encarar como falta de respeito e de ética. É simplesmente uma brincadeira normal de quem quer o esporte feliz”.

Nem preciso dizer que apoio o que ele disse, né? Sou de uma geração que cresceu vendo o Viola imitar um porco, o Paulo Nunes comemorar com máscara, o Túlio imitar que está pescando um peixe só para provocar o santista. O que se vê disso hoje? O Santos de 2010, que tinha Neymar e Robinho, chegou perto disso, mas as dancinhas logo acabaram diante de tantas críticas.

O mimimi no futebol chegou ao ponto de o meia Valdivia correr o risco de ser punido porque admitiu forçar cartão. O cara agora paga por ser sincero? Por ter falado sobre o fato em tom de brincadeira? Ora, por favor! O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) tem coisas muito mais importantes com que se preocupar.

A atual geração do futebol pune a irreverência. Neymar, em 2010, deu um chapéu em Chicão durante um clássico entre Santos e Corinthians quando a bola estava parada. O que aconteceu? Os corintianos o chamaram de pipoqueiro, desrespeitoso, entre outras coisas.

Neste ano, o mesmo Neymar recebeu uma ameaça do atacante Nunes, durante um jogo entre Santos e Botafogo. O motivo? O drible desrespeitoso que ele teria dado durante a partida. “Iria quebrá-lo todo”, disse um dia depois, irritado. Ou seja, o que Garrincha fazia 50 anos atrás e todos gostavam, hoje é tido como ofensa.

Claro que hoje existe o fator da violência e da intolerância que está cada vez maior e tem que se levar em conta. Por isso, acho que a mudança de postura tem que ser não só nos jogadores, mas na torcida e também na imprensa (fatia em que me incluo), que valoriza a polêmica com os atletas irreverentes, depois reclama que os jogadores estão muito previsíveis e sem graça nas respostas que dão.

Isso tudo posto, inicio a campanha contra o mimimi no futebol. Quero a volta das comemorações irreverentes, das provocações antes dos clássicos, dos atacantes goleadores carismáticos. Esta é uma cultura que não pode ser perdida.

Crédito da foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

Em tempo:
Djalminha diz que não se arrepende de cabeçada que o tirou da Copa-02:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal

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2 comentários sobre “Contra o mimimi no futebol: entre nessa campanha!

  1. Ricardo Perrone

    Gostei do texto e o argumento, reparou em coisas que às vezes passa batido, mas acredito o que levou ao futebol estar tão desinteressante é o momento que passamos. Onde rola muito dinheiro tem que ser uma coisa muito controlada!!!! Desconfio de qualquer resultado, é só ver o penalti a favor do Corinthians não é necessário falar mais nada!!!!!

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