No meu primeiro jogo de tênis, senti falta da torcida de futebol

Padrão

Foi somente depois de completar a terceira década de vida que pude acompanhar in loco um grande jogo de tênis. E posso dizer sem pestanejar: senti falta da torcida de futebol.

Acesse a página do blog do Renan Prates no Facebook

Não acompanho tênis de perto como gostaria, mas não sou nenhum ignorante no esporte a ponto de não levar em consideração que a ‘torcida de futebol’ seria inviável neste esporte, pois os atletas precisam de concentração para jogar. Mas a sensação de que falta mais emoção vinda de fora da quadra ficou latente para mim.

Acompanhei o duelo entre o espanhol Rafael Nadal e o italiano Fabio Fognini pela semifinal do Rio Open no último sábado. A torcida que compareceu ao Jockey Club do Rio de Janeiro começou a acompanhar a partida de forma tímida, talvez influenciada pelo fato de que Nadal fez 6 a 1 no primeiro set sem nenhuma dificuldade. Pude presenciar apenas uns chamados pelo nome dos tenistas vindos da torcida entre os saques. O que movimentou mesmo o público foi a presença de Gustavo Kuerten no camarote do evento – o ex-tenista foi ovacionado quando apareceu no telão.

Acho que é justamente em momentos como esse é que ‘liberar geral’ para a torcida faria diferença. Ouvi inúmeras declarações de atletas, principalmente do meio do futebol, admitindo que os torcedores empurram um time para a vitória. Alguns falam até que a torcida é o décimo segundo jogador. Por isso me pego questionando: será que a gritaria e o incentivo vindo da arquibancada de uma partida de tênis não podem ter efeito positivo para os tenistas?

Por isso que gosto da Copa Davis. Os torcedores, para incentivar os atletas do seu país, costumam quebrar o protocolo e gritar além do permitido durante as partidas desta competição. Me lembro de um confronto épico entre Brasil e Áustria em 1996 que fez oaustríaco Thomas Muster abandonar a partida reclamando dos excessos dos torcedores. Claro que houve excesso dos brasileiros que estavam no Hotel Transamérica. Mas jogos assim são mais emocionantes, não?

Outro fator que particularmente me incomodou foi o impedimento da torcida entrar depois do jogo iniciado. Me atrasei para chegar ao duelo Nadal x Fognini, e só pude acompanhar quando estava 3 a 0 para o espanhol. Respeito a regra, mas não posso dizer que tenha achado normal.

Não sou dono da razão. Estou passando as impressões de quem acompanhou uma partida de tênis de uma competição importante pela primeira vez na vida. Estou aberto ao debate.

* O jornalista foi ao Rio Open a convite da Samsung

Crédito da foto: Renan Prates/Torcedores.com

Texto originalmente publicado no site Torcedores.com. Seja um colaborador!

Cinco exemplos de que o brasileiro não sabe torcer na Copa

Padrão
Getty Images

Getty Images

Óbvio que toda regra tem sua exceção, mas cada dia mais estou convencido de um fato: o torcedor brasileiro não sabe torcer em uma partida de Copa. E tenho exemplos para provar.

Acesse a página do blog do Renan Prates no Facebook

Vamos aos exemplos de como não saber torcer em um jogo de Copa:

1 – Vaiar o hino nacional do Chile: O exemplo recente mais claro é o demonstrado pela torcida brasileira na partida contra o Chile. Vaiar o hino nacional dos chilenos é uma tremenda falta de respeito, para dizer o mínimo. Digna de quem não sabe respeitar as diferenças.

2 – Xingar a presidente da República: Não é uma crítica por ser defensor do PT. Poderia ser no lugar de Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Fernando Collor. Não importa. O mínimo de educação pede que uma autoridade como a presidente da República não seja xingada. E no Itaquerão, durante a abertura da Copa entre Brasil e Croácia, Dilma esteve presente e foi obrigada a ouvir hostilidades.

3 – Desrespeitar os povos amigos: Estava no Maracanã em Colômbia e Uruguai. Presenciei alguns brasileiros, muito alcoolizados, dando show de como ser deselegante na torcida em um estádio da Copa. “Chupa Uruguai seu bando de pobre”, gritou um atrás de mim, no Maracanã. Maior exemplo de torcedor coxinha não há. Pior: não sabe que o pobre é ele.

4 – Perder metade do jogo só para comprar cerveja/bebida: Vi vários exemplos disso nos jogos da Copa que eu fui. Presenciei pessoas que nem se importaram com o jogo. A preocupação delas era só em beber ou comer. Pior é lembrar que muitos dariam a vida para estar ali…

5 – Comprar ingresso para vender/não ir no jogo: Vários brasileiros estão fazendo plantão na madrugada para comprar ingressos e…revender no minuto seguinte! Esse é o pior tipo de torcedor de Copa, o que enxerga o Mundial como uma possibilidade de lucro. Tem alguns que ainda ficam com ingresso na mão, não vão ao jogo e não repassam!

Concorda com a minha lista?

Texto originalmente publicado no site Torcedores.com. Seja um colaborador!

Cansei do “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”

Padrão

Cansei do “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Não dá para ver uma torcida do meu país com tão pouco repertório na hora de torcer.

Não consigo acreditar como conseguimos causar tamanha emoção na hora do hino nacional, tanto aos jogadores da seleção brasileira quanto a quem acompanha as partidas da TV e, ao mesmo tempo, mostrar tanta falta de originalidade na hora de entoar cantos de apoio ao Brasil. Em alguns casos, nem esperamos o fim do primeiro tempo para vaiar, pois o Brasil não tem direito de jogar um tempo sequer mal, não é mesmo?

Os cantos temáticos são os que melhor empurram e que mais dão graça aos jogos. Mostram a criatividade de quem torce no estádio, e empolgam quem está em campo. Só para citar um exemplo: os argentinos nem bem chegaram na Copa e já criaram uma música criativa para nos provocar. E o que fizemos em troca? Xingamos Messi. Não criamos nada.

Acesse a página do blog do Renan Prates no Facebook

Aliás, somos bons em xingamentos. Não poupamos nem a presidenta da República, Dilma Rousseff, que foi na abertura da Copa e desistiu de ir em outros jogos com medo de ser xingada. Bacana, não? E a minha crítica seria a mesma se fosse Aécio Neves, Eduardo Campos e até FHC no lugar de Dilma no posto de comandante máximo da República.

Escrevo estas linhas aos 30min do segundo tempo, antes mesmo do fim do jogo entre Brasil e México. Tomara que tenhamos mais cinco partidas até o fim da Copa. Se isso acontecer, boa oportunidade para melhorarmos de postura, não?

Crédito da foto: Getty Images

Texto originalmente publicado no site Torcedores.com. Seja um colaborador!

Você levaria um filho para um clássico no estádio? Eu não

Padrão

uma-garotinha-acabou-no-meio-de-briga-de-torcidas-no-jogo-do-corinthians-no-pacaembu-faccoes-de-corintianos-entraram-em-desacordo-e-causaram-tumulto-no[1]

Os dias passam e as histórias de violência nos estádios e fora deles são as mesmas. Só mudam os personagens. E o final é o mesmo: mortes de torcedores e inoperância do poder público. Diante de um quadro como esse, faço uma pergunta: você levaria um filho seu para ver um clássico no estádio?

Se você ainda está pensando para responder, já me adianto: EU não levaria. Adoraria responder o contrário, mas não consigo. Hoje, não dá. Amanhã, espero poder.

Penso que ainda dá para levar em um jogo de uma torcida só, com menor importância. Mas mesmo assim, ainda existem casos isolados como este da foto acima que geram riscos para uma criança.

Eu iria a um clássico. Sozinho. Pois penso que sei me cuidar. Mas estou falando de um risco a integridade física de uma pessoinha que eu já amo mesmo antes de nascer. Se decidir levar, tenho que cuidar de mim e dela. Não dá nem para pensar na possibilidade de acontecer algo. Por isso, ficaria com meu filho em casa.

O que está acontecendo no país é muito grave. E fica mais grave quando levamos em consideração que o santista morto numa emboscada de são-paulinos, infelizmente, vai virar estatística. Já iniciei a contagem regressiva e estou no aguardo das medidas paliativas que serão anunciadas pelas autoridades, e no final não vão dar em nada mesmo. Agora será diferente? Tomara.

Repito…o santista foi morto numa EMBOSCADA…a Torcida Jovem, maior organizada do Santos, já prometeu VINGANÇA aos são-paulinos. Até onde isso vai parar?

Ainda bem que tenho meu pacote do pay-per-view. Pelo andar da carruagem, meu filho provavelmente vai virar torcedor de TV. O futebol está perdendo para a violência. Vamos deixar isso acontecer?

Levar um filho ao estádio é correr risco de passar por situações como a da foto acima, que nem foi tirada num clássico (imagina se fosse). Crédito: Thiago Bernardes/Agência Frame

PS: Para quem tem dúvida sobre o prazer que é levar a um filho num campo de futebol, segue um link muito interessante de um vídeo do Canal Plus exibido no Esporte Espetacular, com a narração de Tino Marcos.

Relembre um post sobre um tema semelhante:

Não foram Vasco e Fluminense os rebaixados na última rodada. Foi o futebol brasileiro

Em tempo:
Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal