Claudinei deixará o Santos porque pecou pela falta de coragem

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O técnico Claudinei Oliveira se despedirá do Santos na última rodada do Brasileirão. Ele foi comunicado pela diretoria que não seguirá mais à frente do clube em 2014.

Claudinei deixará o Santos, ao meu ver, com um balanço positivo. Ele fez um time comprovadamente limitado ter um padrão tático e ser competitivo. Ainda que não tenha conseguido os resultados que a torcida esperava, o Peixe jogou de igual para igual com todos os adversários.

Mas o treinador promissor da nova geração cometeu um pecado que praticamente selou a sua saída do Santos: a falta de coragem. Claudinei nem de longe parecia o técnico ousado que foi campeão da Copa São Paulo de juniores neste ano, com um meio de campo sem volantes marcadores e somente com jogadores que sabiam tocar a bola. Ele pareceu muito mais preocupado em garantir um resultado do que fazer seu time jogar bem.

O primeiro problema de falta de coragem aconteceu na escalação do Santos. Mena e Gustavo Henrique pediram passagem por um bom tempo para serem titulares, mas Claudinei hesitou em fazer isso porque teria que colocar os medalhões Durval e Léo na reserva.

Claudinei por um bom tempo escalou o Santos com três volantes e ninguém na criação. Já chegou até a escalar o time de uma forma mais defensiva até do que seu antecessor Muricy Ramalho, que ficou com fama de retranqueiro no final da sua passagem pelo Santos. Suas substituições, no geral, são cautelosas demais. Precisando do resultado, ele costuma trocar jogadores da mesma posição.

O caso do empate contra o Vasco foi o mais emblemático. O time carioca se jogou todo ao ataque em busca da igualdade, oferecendo o contra-ataque. O que Claudinei fez? Trocou um atacante por um volante. Resultado? O Santos tomou o segundo gol.

Não tenho nada contra o Claudinei. Espero mesmo é que ele faça muito sucesso, porque o futebol precisa mesmo de mais bons técnicos da nova geração. Só que para isso, é preciso que ele confie mais no seu trabalho e na sua capacidade, e demonstre essa confiança na hora de agir em campo.

Crédito: Célio Messias/Photocamera

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Virou moda a injustiça de ‘fritar’ técnico no futebol brasileiro

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Confusão

Talvez pior do que demitir técnico é ‘fritá-lo’. E esta injustiça isso tem virado moda no futebol brasileiro. Vanderlei Luxemburgo sofreu uma fritura de duas semanas até ser demitido do Fluminense. Gilson Kleina tem trabalho contestado no Palmeiras e não deve continuar, assim como Claudinei Oliveira no Santos.

O que me incomoda nesses casos é a falta de transparência. Por que os clubes não comunicam aos treinadores que não vão contar mais com eles no final do contrato? Quem ganha com essa fritura?

O Palmeiras é o caso mais curioso. No Paulistão, Kleina perdeu nas quartas de final para o vice-campeão Santos e caiu nas oitavas da Copa do Brasil contra o Atlético-PR, que faz um belíssimo segundo semestre e disputa o título da competição. A obrigação que lhe foi dada, o treinador cumpriu com sobras: voltar para a Série A em 2014.

E o que Kleina ganhou com isso? A desconfiança. Os dirigentes do Palmeiras são incapazes de dar qualquer tipo de declaração que passe ao menos a impressão de que ele será o técnico em 2014. Que empolgação o técnico tem para terminar a temporada com esse ‘apoio’?

No Santos, inúmeros técnicos já foram cotados para a vaga de Claudinei que, apesar de algumas falhas, faz um trabalho muito melhor do que o apresentado por Muricy nesta temporada. Mas assim como no Palmeiras, os dirigentes santistas não fazem questão nenhuma de manifestar apoio público ao seu trabalho. Talvez isso explique o porquê de ele privilegiar tanto a retranca nas opções táticas que escolhe para escalar o time.

O Fluminense demitiu Luxemburgo e horas depois anunciou Dorival Junior. Será mesmo que a diretoria não tinha conversado com ele antes da demissão do antecessor? Duvido. A demissão foi uma decisão acertada, mas deveria ter acontecido duas semanas antes, quando o time carioca perdeu em casa para o Vitória mesmo com um jogador a mais.

Até o Corinthians, que sempre foi um bom exemplo de manutenção dos técnicos, tem hesitado demais para assegurar a presença de Tite em 2014. Será um sinal de uma mudança de postura para pior na cultura do futebol brasileiro? Se for, uma pena.

Crédito da foto: Rodrigo Capote/UOL

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Sombra de medalhões é cada vez maior aos técnicos da elite do Brasileirão

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Mano

Que Mano Menezes pediu demissão do Flamengo, isso não é mais novidade. Mas a sua saída do clube da Gávea reforça um dado:  a sombra de medalhões é cada vez maior aos técnicos da elite do Brasileirão.

Entre os técnicos considerados tops no Brasil, três estão sem emprego: Mano Menezes, Abel Braga e Paulo Autuori. No segundo escalão, se encontram nesta condição Celso Roth, Adilson Batista e Joel Santana, entre outros.

Nem bem saiu do Flamengo, Mano já é considerado sombra para Tite no Corinthians, pela sua proximidade com o atual presidente Mário Gobbi.

Abel Braga foi o sonho de consumo do Flamengo logo após a saída de Mano, mas o treinador, ao menos no discurso, diz que só volta a comandar um clube em 2014 (no que faz muito bem).

Mas a presença de nomes deste calibre no mercado pode ser nociva aos treinadores da nova geração que executam um bom trabalho. Claudinei Oliveira tira leite de pedra deste Santos e faz o clube sonhar até com o G4 do Brasileirão. Mas quem garante que ele vai ser mantido no cargo no caso de uma série de insucessos?

No Palmeiras, Kleina sofria até pouco tempo atrás com a sombra de Luxemburgo, atualmente no Fluminense. Agora, até o nome de Mano chegou a ser cogitado. Que tranquilidade o treinador vai ter para continuar exercendo seu bom trabalho com tantas especulações sobre a sua saída.

“Sinceramente, como vou pensar em 2014? Meu pensamento é deixar o Palmeiras na elite. E 2014 vamos deixar para o homem lá de cima que ele vai fazer a melhor escolha”, disse após a vitória sobre o Sport.

Não tenho nada contra os técnicos medalhões. A maioria fez por merecer o status que tem. Mas a atual fase do futebol brasileiro permite que profissionais como Claudinei, Kleina, Guto Ferreira (Portuguesa) e Enderson Moreira (Goiás) recebam os elogios que tem feito por merecer e sejam mais valorizados.

Crédito da foto: Pedro Ivo Almeida/UOL

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Claudinei fez mais que Muricy pelo Santos neste ano, mas ainda falta coragem

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O técnico Claudinei Oliveira assumiu no início de junho a missão de comandar, ainda que de forma interina, o Santos após a saída do técnico Muricy Ramalho e do atacante Neymar. Com dois meses de trabalho, já dá para dizer que ele fez mais do que seu antecessor no ano inteiro. Mas para receber a melhor nota da classe, ainda falta ter coragem de barrar medalhões.

Entre Copa do Brasil e Brasileirão, Claudinei disputou 9 jogos pelo profissional do Santos, com 4 vitorias, 3 empates e 2 derrotas, o que dá um aproveitamento de 55,6% – hoje, tal índice daria o sétimo lugar na classificação geral do Nacional.

Independente dos números, Claudinei conseguiu dar um padrão tático ao time. Hoje a torcida que acompanha os jogos do Santos sabe exatamente quem é o titular, à exceção do comandante do ataque, função que deve ser ocupada por Thiago Ribeiro.

Oriundo da base, Claudinei deu confiança aos garotos da nova geração santista, e os colocou para jogar. A aposta vem dando certo: Neílton se firmou no ataque, Leandrinho faz bons jogos como volante, e nomes como Pedro Castro e Léo Cittadini tem recebido chances concretas de demonstrar o seu valor.

Claudinei precisa resolver a sua defesa. Edu Dracena, Durval e Léo não podem jogar mais juntos. Por serem veteranos, os três formam um setor defensivo que tem muita dificuldade quando enfrenta ataques rápidos. Isso, somado ao fato de que Galhardo contribui muito mais no avanço do que na marcação pela lateral direita, caracteriza o problema a ser resolvido no Santos. O jovem Gustavo Henrique já mostrou o seu valor e pede passagem para ficar com a vaga de um dos zagueiros.

Provavelmente Claudinei tenha a mesma opinião, mas hesita em sacar um dos três por saber que são líderes do elenco, e a ida de um deles para o banco poderá revoltar os demais. Mas se quer ter a confiança total da diretoria do Santos, ele deve ter a coragem necessária para barrar quem preciso for em prol do crescimento da equipe. Não custa lembrar, Claudinei,  que Abel Braga está desempregado.

Crédito: Ricardo Saibun/Divulgação/Santos FC

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