Opinião: O torcedor faz papel de otário. Culpa da STJD, CBF (e dos clubes)

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O futebol brasileiro está cada vez mais digno do 7 a 1 que a seleção levou da Alemanha na Copa do Mundo deste ano. E são três os culpados: o STJD, a CBF e os próprios clubes, que proporcionam ao torcedor fazer o ingrato papel de otário nesta história.

O STJD é culpado por julgar sem critério. O Tribunal se acha o dono da verdade e pune sem lógica alguma. Pior: as decisões interferem demais no dia a dia dos clubes. Um exemplo disto se deu nesta quarta-feira: o atacante Guerrero, destaque do Corinthians no Brasileirão, foi suspenso por três jogos e não poderá atuar em dois clássicos (Palmeiras e Santos). Prejuízo enorme para um clube que disputa vaga na Libertadores de 2015.

A CBF parece que não está nem aí para o sucesso dos clubes brasileiros. A única preocupação dos membros que comandam a entidade é com a seleção brasileira. Por isso que a entidade organiza amistosos caça-níqueis que só servem para desfalcar alguns clubes de suas principais peças na reta final do Brasileirão e da Copa do Brasil.

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Imagino que você que lê este texto deva estar perguntando: por que os clubes são culpados se eles são os maiores prejudicados pelo STJD e a CBF? Simples: porque não fazem nada para mudar. Não se unem. Se comportam como se torcessem para o ‘co-irmão’ se prejudicar por causa de uma decisão da CBF/STJD.

Não fazem nada para evitar as convocações da seleção brasileira porque sabem que, se fizerem, seus jogadores não serão mais convocados. Logo, perderão a chance de ficar valorizados no mercado.

Ou seja: quem faz papel de otário nessa história? O torcedor, que sofre por seu time e não pode fazer nada para evitar que CBF/STJD (e os clubes) acabem com o futebol brasileiro.

Crédito da foto: Getty Images

Texto originalmente publicado no site Torcedores.com. Seja um colaborador!

Clubes colaboram (muito) para a mediocridade

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O título deste post pode parecer um tremendo contrassenso, mas não é: o futebol brasileiro não evolui porque os clubes não querem.

Explico melhor: provavelmente por medo de retaliação ou por dependência financeira, os clubes beijam a mão da CBF, que é comandada por quem representa o que há de mais atraso neste país, que é o presidente José Maria Marin e o vice Marco Polo del Nero.

O acontecimento digno de vergonha ocorrido recentemente foi o pacto firmado entre os clubes para coibir qualquer tipo de tentativa de melar o Brasileirão na Justiça Comum. A agremiação que não cumprir o pacto será punida com perda de cotas de televisão.

Outro sinal de conivência com o atraso do nosso futebol: posso estar enganado, mas não vi nenhum dirigente de clube apoiando de fato o Bom Senso FC, com atitudes concretas. Até agora eu só vi declarações vazias de apoio ao movimento que tem representado uma evolução no modo de lidar de forma mais profissional o futebol nacional.

Infelizmente, alguns casos de clubes que davam mostras de que fariam uma gestão mais profissional e empurrariam os rivais na direção da modernidade acabaram tendo insucesso pouco tempo depois, como Corinthians e Santos.

Como bem diz o técnico Muricy Ramalho, os torcedores só sabem de 10% do que realmente acontece no futebol. A guerra pelo poder ocorre nas sombras, sem alarde público entre os vencedores, nem entre os vencidos.

Enquanto os nossos dirigentes forem covardes de não peitarem as forças retrógradas que comandam a CBF e egoístas a ponto de pensarem mais na própria promoção do que no sucesso dos clubes, nosso futebol continuará atrasado.

Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress

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Reunião entre CBF e clubes define pacto contra decisões da Justiça Comum

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Fifa e CBF tem discurso bom contra o racismo. Mas e a prática?

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O caso deplorável de racismo envolvendo o cruzeirense Tinga na Libertadores mereceu destaque em toda a imprensa. Personalidades do mais alto calibre, como a presidente Dilma e os mandatários da Fifa e da CBF, prontamente se manifestaram contra o episódio.

“Não só como presidente da CBF, mas, sobretudo como amante do futebol, tenho o dever de repudiar essa prática absurda de racismo que continua acontecendo nos estádios. O futebol é símbolo de congraçamento, de alegria e não de demonstrações de preconceito e intolerância”, disse Marin.

“Faço coro com @dilmabr ao condenar o episódio de racismo envolvendo Tinga, do @_OficialCEC. A FIFA é contra todo ato de discriminação”, endossou Blatter.

Mas…E A PRÁTICA?

Discursos contra o racismo eu tô cansado de ouvir. Mas cadê a coragem da Fifa de obrigar a Conmebol a excluir o Garcilaso da Libertadores? Cadê a CBF para interceder a favor de Tinga e forçar a Conmebol a aplicar uma punição pesada?

Ah, alguns podem ponderar que o clube não tem nada a ver com isso. Mas os torcedores realmente sentirão as consequências dos seus atos quando perceberam que seu time não poderá disputar competições importantes por causa disso.

A punição tem que ser a mais dura possível. Até para que o exemplo seja dado, e que atos como esse não sejam mais cometidos.

E sempre é bom ressaltar: que postura elegante do Tinga durante todo o episódio. Que ele tenha a força necessária para superar isso. E que o futebol seja praticado por mais caras como ele.

Crédito da foto: Dionizio Oliveira/UOL

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Felipão e CBF dão show de trapalhadas no caso Diego Costa

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Diego Costa

O caso polêmico envolvendo a decisão de Diego Costa de recusar a convocação para a seleção brasileira e optar pela espanhola talvez tenha sido o assunto mais falado da semana. O que me chamou atenção foi o show de declarações desastrosas de Felipão e da cúpula da CBF no caso, a saber:

Felipão diz que Diego Costa está “ignorando sonho de milhões“: técnico insiste em repetir um discurso patriótico vazio e que nem ele mesmo cumpre, ou se esqueceu que já deixou de cumprir. O que ele fez ao optar por dirigir a seleção de Portugal? E quando ele convenceu Deco a se naturalizar português?

– CBF pede o cancelamento da nacionalidade brasileira do jogador: não existe medida mais ditatorial e retrógrada do que essa. A ideia foi tão sem cabimento que até o Governo Federal contrariou a CBF e disse que Diego Costa só perde cidadania se quiser.

CBF diz que Diego Costa agiu por dinheiro: diretor jurídico da entidade perdeu uma boa chance de ficar calado e admitir a derrota na tentativa de impedir que o jogador escolha pela Espanha ao invés do Brasil.

– Marin ignora comissão técnica e diz que brigará por Diego Costa até o fim: repito o comentário anterior: CBF, admite que perdeu para a Federação Espanhola o jogador. Fica menos feio.

Durante trote que sofreu de rádio espanhola, Felipão admitiu que só definiu Fred como atacante para a Copa: e Jô, que tem feito gol atrás de gol pela seleção brasileira, como é que fica? Que motivação que vai ter depois de uma declaração dessas?

Como vários colegas já disseram com muita propriedade, Diego Costa pode escolher a seleção que preferir. Não pode ser tachado de vilão. O atacante vem em boa fase no Atlético de Madri há tempos. Quando a Espanha disse que iria chama-lo, Felipão decidiu convocar o jogador. Coincidência? Claro que não.

A seleção brasileira é muito maior que essa polêmica e ‘conseguirá sobreviver’ sem Diego Costa. Portanto, Felipão, Marin e cia: hora de esquecer o assunto e pensar na preparação para a Copa do Mundo.

Crédito da foto: Reuters/Heinz-Peter Bader

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Clubes são punidos no Brasileirão por contratarem jogadores bons *

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Pato

Sim, não escrevi errado o título. Foi isso mesmo que quis dizer. É impressionante perceber o quanto os clubes sofrem por ter em seus elencos jogadores convocados para seleções nacionais.

A CBF é a única entidade que marca para uma Data Fifa rodadas importantes do seu maior campeonato. E o que acontece? Ano após ano, os clubes são prejudicados.

O Santos, enquanto conseguiu segurar Neymar, foi muito prejudicado por não poder escalá-lo em campo por causa de compromissos com a seleção brasileira. Hoje o clube também sofre, mas em menor escala: o lateral Mena sempre é convocado para defender o Chile. O meia Montillo volta e meia aparece na lista da Argentina.

O Corinthians sofreu muito nos últimos jogos. O Timão não conseguiu vencer desde que Pato e Guerrero foram defender as seleções de seus países de origem – um empate e uma derrota. Tite, que tem um dos melhores elencos do Brasil, se viu obrigado a mudar a característica do time porque perdeu seus homens de referência e teve que escalar o jovem Léo no ataque.

Neste contexto, quem se beneficia? Cruzeiro, Grêmio e Atlético-PR, que estão no G4 não só pelo bom futebol que tem praticado, mas também por não se prejudicarem com convocações para as seleções nacionais. Como bem lembrou o internauta Vinicius que leu esse post, o Botafogo ainda sofre sem Jefferson e Lodeiro, mas mostra que está em grande fase e consegue bons resultados mesmo assim.

Em suma, a CBF consegue o dom de fazer com que todos torçam para que seus jogadores não sejam convocados. E o que deveria ser um motivo de comemoração para os clubes, acaba sendo um problema.

Como mudar isso? Formulando um calendário mais decente. Mas aí o buraco é mais embaixo né?

* Atualizado na terça-feira

Crédito da foto: Divulgação

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