Troquei um emprego estável pelo risco de uma startup. E não me arrependi

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Queria muito escrever este texto há algum tempo. Acho que experiências que deram certo precisam ser compartilhadas. Hoje, quase seis meses depois de ingressar no Torcedores.com, posso dizer: troquei um emprego estável pelo risco de uma startup. E não me arrependi.

Fui integrante da equipe do UOL Esporte por sete anos. Tive um aprendizado riquíssimo por lá. Aprendi com alguns dos melhores profissionais do mercado. Cada minuto que passei na Avenida Faria Lima 1384 me valeu de alguma forma na minha profissão.

“Ah, mas se era tudo ótimo assim, por que você saiu?”. Simples: porque naquele momento, a empresa não podia me dar o que eu queria. Me considero um profissional ambicioso, mas que não prioriza o dinheiro nas suas decisões. Gostava do que fazia. Porém, queria mais.

Foi aí que recebi a proposta do meu atual chefe para trabalhar no Torcedores.com. Era um projeto novo, com conceitos diferentes do que é trabalhado no jornalismo esportivo, pois prioriza a colaboração de quem está fora da redação. Desafios não faltavam. Assim como os riscos.

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Me vi numa encruzilhada: me mantenho seguro na empresa onde estou, mas com poucas expectativas de evolução, ou vou encarar um novo desafio e participar do processo de construção de uma nova empresa produtora de conteúdo?

Ouvi. Ouvi muito. Me aconselhei com as mais variadas pessoas. Muitas delas, que confio muito, me disseram: “Não vá. É muito arriscado”. Desobedeci. Acabei aceitando o convite.

Arrependimento? Muito pelo contrário. Aqui no Torcedores.com participo de quase todos os processos. Sinto que sou parte importante na construção e consolidação de um projeto que acredito. E que está crescendo muito.

Já ouvi conhecidos que passaram por dilemas semelhantes ao meu. Por isso fiz questão de dar o meu depoimento. Claro que cada caso é um caso. Mas no meu, está sendo uma experiência incrível, que quero aproveitar cada vez mais.

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Jornalismo colaborativo é o futuro da cobertura de esportes no Brasil

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Tenho cada dia mais essa convicção: jornalismo colaborativo é o futuro da cobertura de esportes no Brasil. Admito que não é uma certeza ancorada em estudos, mas sim na vivência de quem passou por redações convencionais e está numa redação que prega o modelo do jornalismo colaborativo.

Por que jornalismo colaborativo é o futuro? Porque, como todos sabem, as redações convencionais estão diminuindo. Algumas delas estão até sumindo. A quantidade de profissionais de imprensa disponíveis no mercado é cada vez maior…

Mas o esporte mexe com paixão. E a plataforma do jornalismo colaborativo permite que qualquer um emita opinião sobre o esporte que mais lhe apaixona. É a liberdade de expressão e de produção de conteúdo na essência. Além disso, as pessoas gostam tanto de falar do que amam que aceitam produzir conteúdo sem serem remuneradas, tendo como contrapartida um aumento de capital social.

Quantos jornalistas ou estagiários de jornalismo possuem blogs onde externam o que pensam? E quantas dessas pessoas não são doidas para que essa opinião seja vista por milhares de consumidores de esporte? Portais de jornalismo colaborativo, como o Torcedores.com onde eu trabalho, estão aí justamente para isso: reverberar a opinião dos colaboradores.

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Além disso, a lógica do portal de jornalismo colaborativo é contrária a do portal de jornalismo convencional: enquanto as redações comuns privilegiam a produção de conteúdo que seja interessante para o maior número de pessoas, as redações colaborativas ‘abraçam’ os nichos. Vou dar um exemplo do Torcedores.com: para nós, é interessante encontrar colaboradores dispostos a escrever sobre todos os tipos de esporte, até os mais inusitados como rugby, por exemplo.

Claro que existem muitos desafios a serem vencidos pelos portais de jornalismo colaborativo. Como incentivar os colaboradores? Como pauta-los sem causar nenhum tipo de melindre? Como fazer com que eles abracem a causa do site e se comprometam com ele? Como corrigir os erros e mudar o texto sem que eles se incomodem? Como fazer com que 400 pessoas criem cadastro no site e sigam escrevendo? Como criar uma plataforma que permita tantos colaboradores?

Mas apesar de tantos desafios a serem vencidos, é uma filosofia jornalística que tem tudo para dar certo já a curto prazo. Os números de audiência estão aí: o Torcedores.com fechou o último mês com quase 6 milhões de páginas visualizadas. Expressivo, não?

Você concorda comigo? Deixe a sua opinião e contribua para o debate.

Adendo:
Postei este texto no Twitter e recebi respostas de alguns amigos discordando do que penso, com ponderações interessantes. Não acho que o jornalismo que praticamos hoje vá acabar. Só acho que é um modelo que está fadado ao fracasso muito por culpa da própria classe de jornalistas.

Já escrevi sobre isso em um outro texto. Qual é o nosso diferencial como bom jornalista? Escrever bem. Apurar. Investigar. Questionar. Não aceitar os modelos impostos. É isso que faz com que alguém que se forme nessa área seja diferente dos demais.

O problema é que muitos acham que qualquer um pode fazer jornalismo. Tanto que o diploma do jornalista não é valorizado como os demais. E nós, como classe, aceitamos isso, não nos valorizamos. Deixamos que as redações fiquem cada vez mais vazias.

Quando digo que o jornalismo colaborativo é o futuro, é porque acho que o modelo atual está se saturando. Esse novo modelo está se aproveitando das lacunas deixadas pelas falhas do modelo que aprendemos desde a faculdade.

Jornalista pertence a uma classe que se destroi sozinha

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Sou jornalista for formação e segui em esportes por uma mistura de paixão e oportunidade. Nestes 10 anos que estou na profissão, costumo me fazer perguntas.

Por que o jornalista ganha mal e tem um dissídio anual pequeno? Por que jornalista não faz greve? Por que jornalista não se mobiliza quando um colega é injustiçado? Por que o jornalista fica quieto quando não é defendido publicamente pelo seu chefe?

Acho que cheguei a uma resposta. Cada vez mais tenho certeza que o jornalista pertence a uma classe que se destroi sozinha.

Por que digo isso? Digo por ver o prazer no colega de profissão de criticar o trabalho do outro. Antes era em conversas reservadas. Com o advento das redes sociais, agora é em público mesmo. Só está faltando citar nominalmente o criticado, o que não deve demorar a acontecer.

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Jornalista geralmente é odiado porque ‘põe o dedo na ferida’ (ao menos, deveria colocar). É odiado porque “distorce uma chamada só para ter mais audiência”.

Mas posso dizer uma coisa para você que não é jornalista: já vi casos que a pessoa que mais odeia um determinado jornalista é…um colega de profissão!

Vivemos num mundo onde qualquer um acha que pode ser jornalista. Até o diploma não é mais tão importante quanto era anos atrás. Nossa profissão está desvalorizada.

Costumo dizer que jornalista escreve para jornalista. Uma porque o colega de profissão é uma das únicas pessoas que lê uma matéria e vai ver quem assinou. Outra porque o ápice da vaidade no jornalismo é dar RT no elogio do outro – de preferência, um jornalista.

Se a gente dá tanta importância para a opinião do colega, por que não se unir a ele? Tenho certeza que se ao menos houvesse um ‘pacto de não agressão’, já seria um bom caminho para a nossa profissão ser mais valorizada.

Rodrigo Rodrigues deixa a ESPN Brasil

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O apresentador Rodrigo Rodrigues não fará mais parte da equipe da ESPN Brasil. Ele deixa a emissora para se dedicar aos seus projetos pessoais.

Apurei no Torcedores.com que Everaldo Marques assumirá o seu lugar na apresentação do programa Bate Bola de forma interina. Mas a chefia da ESPN estuda a possibilidade de efetivá-lo na função.

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Rodrigo Rodrigues deve contar a notícia aos espectadores no Bate Bola desta sexta-feira. No Twitter, ele está sendo questionado do assunto e faz mistério ao responder para os internautas. (ATUALIZAÇÃO: O apresentador confirmou a saída em um post)

No início do ano, Rodrigo Rodrigues passou um tempo em Londres para se dedicar ao projeto de escrever um novo livro. London London é um livro-guia sobre Londres que será lançado de forma oficial no dia 9 de setembro.

Além do livro lançado, Rodrigo Rodrigues dedicará mais tempo a lanchonete que abriu recentemente na Zona Oeste de São Paulo e é um dos sócios.

Crédito da foto: Reprodução/Twitter

Texto originalmente publicado no site Torcedores.com. Seja um colaborador!

As TVs estrangeiras desprezam o Campeonato Brasileiro

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Getty Images

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No início deste mês, estive em um curso na Europa. Participei de algumas palestras. Uma delas foi na TV Globo de Portugal. E foi lá que tive a certeza: as TVs estrangeiras desprezam o Campeonato Brasileiro.

O palestrante na representante da Globo na Europa falou sobre os desafios de expandir a TV em outro continente. E respondeu a algumas perguntas. Uma delas foi a que fiz: por que o Campeonato Brasileiro é ignorado pelas TVs europeias?

As explicações que ele deu foram praticamente as mesmas que os especialistas em marketing esportivo aqui no Brasil já apontaram: horário de exibição, qualidade ruim dos jogos e dos jogadores, falta de grandes craques…

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Mas ele contou uma história que me chamou atenção. Falou sobre o dia em que foi tentar vender o produto Campeonato Brasileiro para outra TV na Europa. A pessoa com que ele conversou fez a seguinte pergunta: Tem jogo durante os meses de julho a setembro? Ele respondeu que sim, não só nesses meses, mas de abril a dezembro. Foi então que veio a tréplica:

“Não, só me interessa nesses meses. É porque são os meses em que aqui não tem nenhum jogo, e as pessoas sentem falta de futebol”.

Se alguém tinha dúvida do quanto Campeonato Brasileiro se tornou um sub-produto, não tem mais.

Crédito da foto: Getty Images

Texto originalmente publicado no site Torcedores.com. Seja um colaborador!

Venha participar do maior portal de conteúdo colaborativo de esportes do país

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Como a maioria já deve saber, saí do UOL na semana retrasada e agora faço parte do time do Torcedores.com, o maior portal de conteúdo colaborativo de esportes do país.

Gostaria de convidá-los para participar deste projeto. Se você tem seu blog sobre esportes, já atingiu um público bacana e gostaria que um número muito maior de pessoas lesse o que escreve. O Torcedores.com é o canal certo para isso.

Como fazer para ser colaborador do Torcedores.com?

É fácil. Só clicar neste link aqui.

Vou reproduzir a mensagem que a equipe do Torcedores.com escreveu para convidar os colaboradores:

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Crédito das fotos: Reprodução

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Fim de um ciclo de sete anos e três meses no UOL Esporte

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Acho que as pessoas que acompanham este blog mais de perto perceberam que as postagens desta semana foram poucas. Foi um período de transição e de mudanças significativas na minha carreira. Hoje termino um ciclo de sete anos e três meses no UOL Esporte, onde comecei a trabalhar em fevereiro de 2007.

Só tenho a agradecer. Prefiro não citar nomes, porque corro o risco de esquecer pessoas que foram muito importantes na minha trajetória no UOL Esporte. Gostaria de agradecer tanto a quem já saiu da empresa como a quem ainda está nela. Todos eles, que sabem quem são, contribuíram de alguma forma para o meu sucesso aqui dentro.

A partir desta segunda-feira, inicio minha trajetória no Torcedores.com (será motivo de um post separado). Foi uma decisão difícil, porém necessária. É chegada a hora de se permitir arriscar mais. E foi isso que eu escolhi. Farei de tudo para ser bem recompensado.

Se me considero um bom jornalista, devo isto em grande parte ao UOL. Foi praticamente a minha escola no jornalismo esportivo. Lá aprendi a ser redator, repórter, fiz as vezes de editor quando preciso, até participei de programa de TV (Bolada UOL).

No UOL, pude conhecer lugares no Brasil e na América do Sul. Trabalhei em competições como o Mundial de futsal, fiz eventos importantes como a final da Sul-Americana entre São Paulo e Tigre, e cobri dois amistosos da seleção brasileira (um deles, inclusive, não terminou por causa de um apagão).

No UOL, principalmente, fiz AMIGOS, que vou levar para a vida toda, e que torço MUITO pelo sucesso. As mensagens de carinho que recebi das pessoas da empresa dizendo que vão sentir a minha falta e que torcem pela minha felicidade me dão a certeza de que tudo valeu a pena.

É isso, amigos. Sucesso, muito sucesso. Para mim, para o UOL e para as pessoas que trabalharam comigo na empresa durante pouco mais de sete anos. E o meu agradecimento por tudo que vivi de bom e de ruim. Fica a saudade e o meu até logo.

Qual é um dos maiores temores do jornalista esportivo?

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Estou na labuta de redação no jornalismo esportivo há oito anos, e desde o início era claro pra mim que um dos maiores temores, senão o maior, da imprensa esportiva reside em um fato: o dia em que Pelé morrer.

“Espero não estar no jornalismo”. Já ouvi essa resposta tantas vezes que isso acabou até virando uma filosofia de vida. O dia que tal fato acontecer, espero estar bem longe da redação. Alguns dizem que sumirão sem atender celular. Outros falam em pedir demissão na mesma hora. Mas isso já soa como lenda urbana.

E por que tanto temor? Porque o dia que Pelé morrer, iniciará o maior período de trabalho intenso de todas as redações de esporte do país. Afinal de contas, se trata da maior sumidade na área por tudo que já fez no futebol, e de uma das três pessoas mais conhecidas do mundo.

Relembre os posts:

Pelé, o Rei que me mostrou ser solícito com seus fãs

Eles são humanos: o choro de Pelé e Cristiano Ronaldo

A motivação de escrever este post surgiu na semana passada, quando uma das maiores redes de televisão dos Estados Unidos, a CNN, simplesmente matou de susto muitas redações no Brasil ao anunciar, de forma errada, que Pelé tinha morrido.

A CNN depois pediu desculpas pelo erro. Mas o estrago já estava feito. Como reportou o grande camarada aqui no UOL Esporte, Bruno Thadeu, até um dos filhos de Pelé ligou para o escritório do pai para saber se a informação era verdadeira.

Mas o episódio inusitado serviu para os jornalistas da área fazerem a seguinte reflexão: e se fosse verdade?

Antes de mais nada: vida longa ao Rei do futebol!

Crédito: REUTERS/Louafi Larbi

Em tempo:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal

Jornalista deve revelar o time que torce?

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A pergunta feita no título acima é um dos grandes dilemas do jornalismo esportivo. Ela divide opiniões entre os profissionais de imprensa.

Muitos dos jornalistas que não declaram para que time torcem temem sofrer represálias dos torcedores rivais. Este temor ficou ainda maior após 2012, quando a Revista VIP ‘entregou’ o time de coração de vários profissionais de imprensa.

O UOL Esporte fez uma enquete com os internautas para saber se eles acham que os jornalistas esportivos devem revelar os seus times de coração. Curiosamente, 82% de 15 mil pessoas responderam sim para a pergunta.

Cheguei a repercutir o tema entre os profissionais de imprensa enquanto fazia uma série de entrevistas para o UOL Esporte Vê TV. Veja as respostas que colhi e perceba o quanto o tema gera discórdia.

Paulo Morsa – comentarista da Rádio Tranamérica
“Necessariamente não precisa isso. É um rótulo que te atinge, não tem dúvida. Rótulo que te pega na primeira esquina. É só enaltecer mais ou falar mal de um time que já te rotulam como torcedor. Acho que não precisa dizer para que time torce. Naturalmente vão assimilando, conhecendo. Não precisa chegar no microfone e dizer: torço para tal time, desnecessariamente”.

Chico Lang – comentarista da TV Gazeta
“Depois de 22 anos de televisão fazendo tipo corintiano, sou muito bem recebido em qualquer lugar. Hoje a torcida sabe que se trata de um personagem e respeita. Vi que não foi pênalti do Sheik domingo passado, mas falei para provocar. O torcedor entendeu que é um tipo que eu faço”. “[Os rivais] Me tratam muito bem. Acostumaram com o personagem, respeitam isso. Sou transparente. Muita gente torce para um clube e não fala. Eu assumo, eu falo”.

PVC – comentarista da ESPN Brasil
“Costumo dizer que não digo para que time eu torço, a não ser que me pergunte”.

Particularmente, estou com o PVC. Não me incomodo em responder para que time eu torço, desde que perguntem. Sei que essa atitude me faz correr riscos, mas não interfere no meu trabalho, pois já usei muitas vezes este espaço para criticar meu time de coração.

Crédito da foto: Reprodução de TV

Relembre o post:
Jornalismo esportivo me fez torcer muito mais por pessoas do que por agremiações

Em tempo:
PVC refuta obsessão por estatística e se diz normal: “namoro, tomo cerveja”

Chico Lang assume personagem corintiano e diz que não iria para Globo

Paulo Morsa elogia Casagrande e Edmundo: “únicos que acrescentam alguma coisa”

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal