Homenagens da Globo dão a noção da grandeza de Luciano do Valle

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Luciano do Valle morreu neste final de semana. De forma muito justa, recebeu homenagens de todos os cantos do país. A TV Bandeirantes, empresa onde ele trabalhava, mudou toda a sua programação por causa da morte do seu principal representante da equipe de esportes. Mas a série de reverências da TV Globo, rival pela audiência, dão a noção da grandeza do narrador.

A Globo dedicou muitos minutos do Jornal Nacional, programa de maior audiência do jornalismo televisivo brasileiro, para falar sobre a morte de Luciano do Valle. Nesta segunda, o Globo Esporte iniciou e terminou com reverências ao narrador, que foi funcionário da empresa.

O que faz a maior emissora do país destinar muitos minutos da sua programação para homenagear um narrador que trabalhava numa concorrente? A grandeza de Luciano do Valle, um dos maiores narradores da TV brasileira (senão o maior) e um dos grandes empreendedores do esporte brasileiro.

O fato de Galvão Bueno ter entrado ao vivo no Brasil Urgente para falar da morte de Luciano do Valle e enaltecer as suas qualidades também chama atenção. Primeiro, porque Galvão quase nunca concede entrevistas para outras emissoras, somente para a Globo. Segundo, porque Luciano foi o único narrador que chegou ao seu patamar – muitos dizem que foi melhor do que Galvão.

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“A televisão brasileira e a comunicação brasileira ficam mais pobres. Luciano é um marco para a história do país. Eu me orgulho de poder dizer que fui amigo, que eu concorri com ele e que eu aprendi com ele”, disse Galvão.

Os clubes fizeram várias homenagens durante a rodada de abertura do Campeonato Brasileiro. Mas a mais bonita delas, a meu ver, foi a do São Paulo, que colocou no alto-falante narrações históricas do Luciano do Valle em jogos do Tricolor e exibiu faixas como agradecimento.

A comoção de Nivaldo Prieto, que não conseguiu entrar no ar porque não parava de chorar, foi muito emocionante. Dentre os depoimentos, um dos que mais me tocou foi do técnico José Roberto Guimarães, que mostrou toda a sua gratidão por tudo que Luciano do Valle fez ao vôlei brasileiro.

Luciano não fez apenas para o vôlei. Foi de enorme importância para o basquete, para a Fórmula Indy, para o Boxe, até para a Sinuca! Ajudou a popularizar nomes como Paula, Hortência, Maguila, Popó…praticou os conceitos de TV fechada na TV aberta, muito antes da existência de ESPN, FOX, Sportv.

Mas Luciano foi mais importante para a minha infância esportiva, como deve ter sido para a sua. Uma parte dela morreu neste último sábado. E infelizmente não será substituída a altura.

Crédito da foto: Folhapress

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Oscar Schmidt deveria parar de agir como torcedor em público

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Oscar

* Post atualizado no dia 11/11

Queria escrever esse post sobre o Oscar há algum tempo, mas sempre deixava para depois e acabava passando o ‘timing’. Após a presença de um dos maiores jogadores de basquete da história do Brasil em um evento publicitário, o assunto voltou a tona. E eu posso dizer sem pestanejar: Oscar Schmidt deveria parar de agir publicamente como um torcedor.

Oscar tem feitos individuais incríveis como jogador de basquete. O número de pontos que marcou na carreira (49.703), talvez nunca seja superado na história. Sua história de superação, a lição de foco nos treinamentos e a forma brilhante como vem encarando o câncer que possui tem sempre que serem ressaltados. Mas tudo isso não lhe dá o direito de dizer o que vem a cabeça, sem filtro.

Tudo o que Oscar construiu na sua brilhante carreira como jogador e a posição que possui como maior ídolo do basquete brasileiro não podem servir como muleta para ele dizer o que bem entender, sem pensar nas consequências.

Oscar disse ao meu irmão João Gabriel Rodrigues, do globoesporte.com, a seguinte pérola sobre o atual treinador da seleção brasileira, Ruben Magnano: “Por mim, ele tem de estar fora. Que seja despedido. Ele fez bastante por ter levado o Brasil de volta às Olimpíadas. Mas foi só. À frente da seleção brasileira e não vence a Jamaica? O Uruguai? É uma falta de respeito com a seleção. Se ele não sabe como convocar, eu posso ajudar”.

Magnano teve inúmeras falhas na Copa América, isso é inegável. Agora sair da seleção??? E ainda colocar Claudio Mortari no seu lugar??? Francamente…

O treinador argentino mudou a forma de jogar da seleção brasileira para muito melhor. Fez o Brasil voltar a disputar as Olimpíadas após 20 anos. E desempenhou uma campanha digna. ‘Só’ por isso merece que nem seja cogitada a sua saída.

E digo ainda mais, Oscar. Sua trajetória é brilhante como jogador, como já citei. Mas títulos representativos você conquistou muito mais pelos clubes que disputou do que pela seleção. Em conversa com o comentarista de basquete Fábio Sormani, fui convencido de que o tão falado ouro no Pan de Indianápolis (EUA) em 1987, que virou símbolo da sua geração pela vitória de virada contra os donos da casa, até foi significativo tanto para os brasileiros quanto para os norte-americanos.

Mas sigo achando que o  EUA sentiram muito mais a derrota para a Argentina na semifinal da Olimpíada de 2004. E o técnico, vejam só, era quem? O mesmo Ruben Magnano, que se sagrou campeão olímpico naquele ano.

Oscar também erra ao expor a sua opinião de forma tão contundente sobre as dispensas dos principais atletas da seleção na última Copa América, jogando a torcida brasileira contra os jogadores que podem fazer o Brasil ter uma boa campanha no Rio-2016. E isso já teve consequências sérias: o pivô Nenê levou vaias retumbantes do público carioca durante um jogo da pré-temporada da NBA. O que de prático Oscar acaba ganhando com isso? Fica a pergunta sem resposta. O basquete, com certeza, perde muito.

Por isso, Oscar, te faço um apelo de quem sempre te admirou. Pare de agir como torcedor. Ao menos publicamente.

Crédito da foto: Marcelo de Jesus/UOL

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Por que não diz quem te traiu, Magnano?

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Magnano

Muito já foi falado sobre a eliminação vexatória do Brasil na Copa América e o fato de o país pela primeira vez na sua história depender de um convite para conseguir a vaga no Mundial.

Mas eu queria me ater ao discurso do técnico Ruben Magnano reportado pelo colega Daniel Neves no UOL Esporte.

“Nem para elogiar nem para criticar sou uma pessoa que cita nomes. Mas em três ou quatro dispensas, eles haviam falado ‘sim’ para mim”.

“Achava que a presença desses três ou quatro jogadores me dava uma condição de segurança interior, de que poderiam pegar a equipe em suas mãos. Não aconteceu assim, por isso fiquei um pouco abatido com isso. São caras que decepcionaram muito a gente”.

Diante disso, pergunto: por que não diz quem são os ‘três ou quatro’ que disseram sim para você e depois mudaram de ideia? Por que não larga a insinuação de traição e fala de uma forma mais clara sobre o assunto?

Concordo com o ala Guilherme Giovanonni, que disse após a derrota para Jamaica ao repórter Fábio Aleixo, do Lancenet, que não era a hora de jogar m… no ventilador. Mas já que Magnano escolheu esse caminho, por que ele não vai até o fim? Isso me parece pura e simples transferência de responsabilidade.

Dizer que o Brasil perdeu apenas porque teve desfalques (muito significativos, diga-se de passagem) da NBA é analisar o problema de uma forma muito reducionista. Será que o Brasil não perdeu também porque Magnano deixou transparecer aos que estavam lá a sua decepção por não contar com os ‘três ou quatro’ jogadores que lhe disseram sim? Era nítida a falta de confiança dos atletas nos momentos decisivos das partidas.

O time do Brasil perdeu os quatro jogos da Copa América porque não tinha padrão. Não marcava nada, atacava mal, sem inspiração, sem jogada bem executada. Os valores individuais do time atuaram muito abaixo da média. E isso com 50 dias de treino.

A impressão de que Magnano está “jogando para a torcida” fica mais forte quando ele diz que nunca teve pedido de dispensa na Argentina, o que não é verdade. Astro dos Spurs, Manu Ginobilli já pediu para não jogar por causa da NBA, só para citar um exemplo.

Não sou contra Magnano, muito pelo contrário. O acho um dos melhores técnicos do mundo na história recente. Seus feitos com a Argentina foram notáveis, assim como ter terminado em quinto. Mas ele peca em atacar os que atletas que não foram pra Copa América. Até porque o treinador precisará de todos eles se quiser fazer uma boa Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016.

Crédito: Reuters/Mike Segar

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