Jogo de vôlei nas Olimpíadas é um show de entretenimento

Tive o privilégio de acompanhar três esportes nas Olimpíadas 2016: futebol, vôlei e polo aquático. E DE LONGE entre os três, o vôlei chamou mais atenção. Por que? Por ter virado um um show de entretenimento.

O entretenimento começa antes do jogo. Dois animadores do ginásio, junto com a equipe de apoio, ensinam como a torcida deve agir gestualmente e com sons em determinados momentos do jogo. Por exemplo: em um grande bloqueio (o monster block), os torcedores são ensinados a levantar os braços e inclinar as mãos para baixo.

Ainda antes do jogo, bolas gigantes são jogadas na arquibancada do ginásio, para que o público se divirta as jogando de um lado para o outro.

Entre os pontos, sempre uma música que agita quem ouve é tocada – a escolhida geralmente é um axé. (Aqui vai uma opinião pessoal de que não aprovei tanto as músicas que foram tocadas).

Esta estratégia de usar o vôlei como entretenimento foi confirmada pelo presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), o brasileiro Ary Graça.

“Decidimos que vôlei precisa ser um show. Não quero concorrer com famosos. Quero fazer meu trabalho bem feito. Quero que meu fã se sinta muito confortável no estádio de vôlei. Tem de ter absoluta segurança, tem de ter entretenimento, ter interação com público. Jogo de vôlei é como se fosse um trio elétrico estático. Tudo isso foi criado de uma maneira não tão espontânea, mas foi induzindo o público a gostar do vôlei brincando”, disse em entrevista ao UOL.

E ele está certo. Principalmente aqui no Brasil, onde existe uma forte monocultura esportiva voltada para o futebol (com uma pequena exceção para os esportes que ganham títulos importantes), o público se sentirá mais provocado a participar do vôlei se ele, além de ver um bom jogo, se divertir.

Quem está no Rio de Janeiro e não foi a um jogo de vôlei das Olimpíadas, não perca a oportunidade: ainda dá tempo.

Todos devem viver a experiência das Olimpíadas no Brasil

Goste ou não de esportes, ninguém deve ficar indiferente a ter o maior evento esportivo do mundo sendo realizado no nosso país. Todos devem viver a experiência das Olimpíadas de alguma forma.

Viver a experiência das Olimpíadas significa gastar o dinheiro que você não tem para viajar ao Rio de Janeiro ou para comprar um ingresso caro só para dizer que foi? Não. Significa participar de alguma forma de um evento desta grandeza.

Não tem dinheiro/vontade de ir ao Rio de Janeiro? Vá a São Paulo, Belo Horizonte, Manaus ver algum jogo de futebol olímpico. Não é a mesma coisa, mas dá para ter uma boa ideia.

Está no Rio, mas não tem interesse/vontade/dinheiro para acompanhar de perto algum jogo? Sem problemas. Para isto existe o Boulevard Olímpico no Rio de Janeiro, que está muito interessante e dá uma boa ideia da grandeza do evento que está acontecendo no Brasil.

Ao lado da Praça da Candelária, o Boulevard te permite ver a Pira Olímpica, conhecer os stands das empresas que patrocinam o evento, interagir com as atividades que elas promovem, e acompanhar as Olimpíadas do telão que está instalado no local.

Tem mais: as casas dos países. São instalações que mostram a cultura de cada país. As mais badaladas cobram entrada do público, mas muitas delas te permitem entrada sem pagar nada.

Quem está no Rio de Janeiro e não quer/pode viver nada disso, a dica é: se permita viver experiências novas. Você pode sair da sua casa e se ver dando dicas para um gringo que não sabe que estação de metrô precisa pegar para ir em determinado lugar. Você pode ir a um bar e encontrar atletas que disputaram – e ganharam as suas provas. Tem ideia do aprendizado que isso proporciona?

Estive no Rio de Janeiro semana passada e fiz questão de comprar o ingresso mais barato (Polo Aquático) só para conhecer o Parque Olímpico e ter uma ideia da atmosfera que um evento como esse proporciona. Não me arrependi um segundo sequer. Fiquei com “gostinho de quero mais”. E já estou com saudades.

Por que você não faz o mesmo? Ainda dá tempo! Não espere o evento terminar para se arrepender de não ter ido.

Sucesso feminino e fiasco masculino escancaram machismo nas análises de futebol

As seleções feminina e masculina de futebol do Brasil se encontram em fases opostas nas Olimpíadas. Mas ao contrário do que muitos apostaram, as meninas estão dando show e os meninos colecionando fiascos. Isto cria o ‘território perfeito’ para as abordagens machistas.

A primeira delas, a mais óbvia, é dizer que Marta é melhor do que Neymar, e pedir a presença da melhor jogadora da história do futebol brasileiro na seleção masculina – como a torcida fez “em peso” no Mané Garrincha neste domingi. Como se disséssemos: “a Marta é tão boa que merece um lugar na seleção masculina”. Para entender como essa análise é machista, basta imaginarmos se o contrário aconteceria: você acha que alguém em algum momento faria algum comentário do tipo: “Neymar é tão bom que já é melhor do que a Marta?”.

Ninguém melhor definiu este assunto como a própria Marta. Resposta curta e grossa, mas precisa: “Não tem essa comparação: Marta é Marta, Neymar é Neymar”.

Sei que alguns que lerem este texto vão dizer que sou feminista, careta, chato e politicamente correto. Ou vão discordar com as seguintes indagações: “agora é proibido fazer a comparação que eu quero?” ou “vivo em um país livre, não posso dizer o que quero?”.

Antes de mais nada, quero fazer um parênteses. Não é questão de apontar o dedo para A, B ou C. Todos os dias tenho que lidar com o machismo que me foi ensinado pela “escola da vida” sem que eu quisesse. Desde o momento que o amigo que fazia mais sucesso era aquele que “tinha dado o primeiro beijo antes dos outros”, para ficar só neste exemplo. Todos os dias tenho que me policiar para não repetir frases machistas que aprendi quando não sabia o que era machismo.

À estas pessoas que me chamarão de feminista, deixo aqui o que me disse um membro da seleção feminina de futebol: “Ao invés de elogios, atacam a masculina através de nós”. Acho que faz todo sentido esta análise. Não são as meninas que estão dando show. A análise vai na linha: até as meninas, que vivem sem incentivo, conseguem dar show, e os homens, milionários, passam vergonha”.

Depois de criticarmos (merecidamente) os homens, deixo a seguinte indagação: “estamos sendo justos com as mulheres do futebol brasileiro?”.

Eu tenho certeza que não.

RECOMENDO LER ESTA OPINIÃO: Comparação Neymar x Marta é um desrespeito à jogadora

Meu palpite olímpico: Brasil ganha 6 ouros, 7 pratas e 12 bronzes

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 já começaram, e com ele o palpite olímpico. Resolvi participar desta e dar os meus pitacos. Inclusive, estou participando de um bolão.

Confira os meus palpites:

Ouro (6)
Equipe masculina – futebol
Arthur Zanetti – ginástica artística – argolas
Marcelo Melo e Bruno Soares – tênis
Equipe feminina – vôlei
Alisson e Bruno – vôlei de praia
Larissa e Talita – vôlei de praia

Prata (7)
Robson Conceição – boxe
Mayra Aguiar – judô
Ana Marcela Cunha – natação – maratona
Kahena Kunze e Martine Grael – vela – 49erFX
Equipe masculina – vôlei
Agatha e Barbara – vôlei de praia
Evandro e Pedro – vôlei de praia

Bronze (12)
Equipe masculina – basquete
Adriana Araujo – boxe
Isaquias Queiroz e Erlon Souza – canoagem – C2 1000m
Equipe feminina – handebol
Sarah Menezes – judô
Victor Penalber – judô
Allan do Carmo – natação – maratona
Bruno Fratus – natação – 50m livre
Thiago Pereira – natação – 200m medley
Yane Marques – pentatlo moderno
Equipe masculina – polo aquático
Robert Scheidt – vela – Laser

Concorda? Não? Qual você discorda? Dê a sua opinião na caixinha de comentários

Neymar não tem noção do papel que representa no futebol brasileiro. Mas a culpa não é dele

A pergunta do repórter Silvio Barsetti a Neymar, se ele era um jogador que tinha comprometimento com a seleção brasileira roubou a cena na coletiva de imprensa desta terça-feira. A resposta do melhor jogador do Brasil nos últimos cinco anos mostra que ele não tem noção do papel que representa. Mas ele é o menor dos culpados por isso.

“Você tem que me cobrar em campo, mas tenho minha vida particular, tenho 24 anos, tenho minhas conquistas, minhas coisas, e sou muito tranquilo quanto a isso. Tenho meus erros, não sou perfeito”, disparou Neymar ao repórter.

“Eu tenho amigos, tenho família, por que não posso ir para a balada? Eu posso, eu vou, e não vejo problema nenhum, é minha vida particular. Dentro de campo eu sempre me entrego, tento fazer meu melhor, acabo errando, como errei muitas vezes e ainda vou errar. É normal para um ser humano. Estou aprendendo cada vez mais com meninos mais novos do que eu”, complementou.

Neymar está certo e errado na sua resposta. Está certo porque ele tem o direito de ir para onde bem entender, desde que se dedique em campo. E está errado ao não entender o papel que um jogador de sua envergadura representa. Ao não entender que, mesmo com 24 anos, ele precisa dar exemplo. Ao não entender que vivemos em uma era dominada pelas redes sociais, em que cada passo das celebridades é monitorado. Em que qualquer ser humano ‘comum’ pode aproveitar o fato de estar ao lado de um boleiro para capitalizar em cima disso. Em que, principalmente, as imagens e as chamadas de impacto valem muito mais do que entender o contexto de cada acontecimento.

Não é o “ir para a balada” que incomoda. É a mensagem que Neymar passa ao optar por se divertir na época em que o Brasil passava por uma crise dentro de campo. Quer queira ou não, o atacante é um dos líderes da seleção brasileira. Ao escolher se divertir, passa a mensagem de que não está preocupado com um momento do futebol brasileiro.

Neymar enfrenta o mesmo problema que Ronaldo Fenômeno enfrentou no auge do sucesso. Neymar deve ser autêntico e dizer sempre o que pensa? Ou deve cumprir o papel que lhe foi imposto? Ronaldo ‘resolveu’ este problema sendo duas pessoas – uma na frente das câmeras e outra quando elas não estão ligadas.

O atacante da seleção brasileira, por sua vez, parece ainda ter escolhido a primeira opção – visto o que disse na coletiva desta terça e o desabafo que deu nas redes sociais contra os críticos que detonaram o Brasil após o fiasco da Copa América.

Neymar, aliás, deu mostras de que, quando o assunto é futebol, só costuma se importar com o que faz dentro de campo – mais nada. Vale lembrar desta frase que concedeu ao apresentador Jô Soares quando foi entrevistado por ele: “Eu não gosto de ver jogo de futebol. Ou eu jogo, ou não assisto”.

A resposta de Neymar, a meu ver, é emblemática. Simboliza uma geração que não “sente” mais o jogo. Não se abala tanto quando seu time perde como no passado. Não se preocupa em ver se o rival está jogando melhor ou pior. Só quer jogar.

Cabe ressaltar que Neymar foi muito bem pela coragem em enfrentar a (boa) pergunta espinhosa e, principalmente, por ser sincero na resposta.

Quando digo que Neymar é o menor dos culpados, é porque ele nunca achou que ganharia o dinheiro que já ganhou, ou que teria a fama que tem. Muito do que foi dado a ele foi porque o atacante é o produto perfeito do mundo do marketing. É o personagem ideal do mercado que premia quem gera dinheiro.

“Se você tivesse 24 anos, tivesse tudo que eu ganhei e tudo que eu tenho, você seria o mesmo? Só isso que te pergunto”, finalizou Neymar.

E você, seria o mesmo? De quem é a culpa?

Texto originalmente publicado no Torcedores.com

Tite, Roberto de Andrade, a demagogia e os torcedores que sempre ficam como “trouxas”

O episódio que culminou na troca do técnico Tite, do Corinthians, pela seleção brasileira, a meu ver, só comprovou o que eu já pensava: o mundo do futebol é cercado de “faz de conta” e de demagogia. No final, quem cumpre o papel de trouxa é sempre o torcedor.

Por que o torcedor cumpre o papel de trouxa? Porque, geralmente movido pela paixão, ele acredita nas pessoas que comandam e/ou cumprem papeis importantes no mundo do futebol.

“Pode-se dizer que o Corinthians está rompido com a CBF”, vociferou Roberto de Andrade, presidente do Corinthians na coletiva de imprensa nesta quarta-feira, claramente incomodado com a saída do treinador responsável pelos anos mais gloriosos na recente história do Timão.

Boa parte da torcida provavelmente irá se inflamar com a fala do presidente e bradará aos quatro cantos para os amigos que torcem para outro time: “meu time é rompido com a CBF”, o que hoje é sinônimo de orgulho, visto os problemas com a Justiça que enfrentam os principais comandantes da entidade e a imagem cada vez mais arranhada da mesma perante a opinião pública. Mas…quanto tempo este rompimento vai durar? Vale lembrar que Andrés Sanchez, um dos principais líderes do Corinthians, já declarou guerra a Del Nero mais de uma vez. E Roberto de Andrade votou em Coronel Nunes, aliado de Del Nero, para a presidência da CBF. Na palavra de quem podemos acreditar?

Tite também teria que se explicar, já que, em um passado não tão muito distante, assinou um manifesto pedindo a renúncia do presidente Marco Polo del Nero da CBF — mandatário que foi o responsável pela sua contratação para comandar a seleção brasileira. Como trabalhar ao lado de uma pessoa que você queria que estivesse fora da entidade? O torcedor — corintiano principalmente — acreditava que, enquanto Del Nero fosse presidente, Titenão pisaria lá. E foi enganado. Veja bem: Tite tem o direito de fazer a escolha que bem entender, e se for usar os problemas jurídicos de quem comanda o futebol como justificativa para não trabalhar em um lugar A ou B, provavelmente estaria desempregado. Não é este o “x” da questão, mas sim como a opinião das pessoas no futebol pode ser moldada em pouco tempo.

Tite deu coletiva como técnico da seleção brasileira, como esperado, ao lado de Del Nero, que teria de se explicar o motivo de ter demorado dois anos para escolhê-lo como treinador, sendo que Tite estava livre no mercado e ele optou por Dunga, mas não o fez.

Del Nero teria que dizer o porquê de ter escolhido alguém que critica a sua gestão. Quando pensei em escrever este texto, apostei que ele provavelmente ressaltaria as inegáveis qualidades de Tite como treinador, que era qualificado “desde 2014”, mas foi escolhido somente agora”.

O que Del Nero não disse (e não dirá) é que a escolha por Tite é para que ele tenha o escudo necessário no futebol para ter tranquilidade para se defender das acusações na Justiça. Afinal de contas, se o Brasil fracassar nas eliminatórias, ele pode virar para a opinião pública e dizer: escolhi o técnico que vocês queriam, não?

Tite, a minha desilusão com o futebol não é de hoje

Antes de começar a exercer o jornalismo esportivo, eu torcia muito para o meu time de futebol (Santos), ia em estádio, ficava realmente triste com as derrotas. Depois de conhecer mais de perto este mundo de “faz de conta”, de reiteradas mentiras e frases demagogas, torço bem menos.

Por quê? Porque me achava um torcedor trouxa. Daqueles que acreditava na palavra de todos que fazem parte deste mundo futebolístico. Você também se acha assim? Faz todo sentido.

Texto adaptado da publicação que fiz no Torcedores.com. Veja aqui

Onde foi que perdemos a capacidade de debater com argumentos?

Texto originalmente publicado no site Onda

Um belo dia, em uma rede social, um amigo compartilhou uma foto da deputada federal Luiza Erundina, do PSOL-SP, pedindo a saída do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Foi aí que começou o ‘debate’

Pessoa 1 – “O sujo falando do mal lavado”
Pessoa 2 – Não concordo com sua posição e, não há nada que desabone a senha Luiza Erundina da Silva, ok?
Pessoa 1 – Se vc confia nesse lixo de político, entendo pq vc não apoia a saída da presidenta. Opinião minha ok?

Na tentativa de entender se a pessoa 1 tinha argumentos para defender a tese de que a Erundina é um “lixo de político”, interagi com ela, mesmo sem conhecê-la.

“Por que a Erundina é um “lixo de político”? Queria entender”, perguntei.

Eis que recebi a seguinte resposta, repleta de bons argumentos: Cada um com sua opinião querido! Não sou obrigada a gostar do que vc acha bom pra si. Eu e Sandro já nos entendemos. Obrigado! De nada

Sim, isto aconteceu. Foi real. Eu vivenciei. Ninguém me contou. E não está em questão se a deputada Luiza Erundina está correta ou não. Se ela é honesta ou não. A questão deste post é a falta de argumentos para o debate.

Onde foi que perdemos a capacidade de debater com argumentos? Salvo raras (e boas exceções), os debates estão pautados da seguinte forma: vence quem ‘ataca’ melhor, quando na verdade, em primeiro lugar, não deveria haver ‘vencidos’ ou ‘derrotados’. Todos ganham com um debate saudável. Todos tem sempre algo para aprender com o outro. Onde foi que esquecemos disso?

Percebo outro problema que emburrece o debate: as pessoas não conseguem entender que, em determinadas situações, 2 + 2 pode ser igual a 5. Também não conseguem entender que, em uma discussão de ideias, as duas pessoas podem estar certas, as duas pessoas podem ter dito verdades. Só que cada um analisou a mesma situação de um ângulo diferente.

E neste contexto, os valores acabam sendo distorcidos, principalmente quando o debate é no campo político. Se uma pessoa faz um post no Facebook criticando um ato ilícito de um político ligado ao PT, fatalmente vai ler na sua timeline algum comentário do tipo: e o político do PSDB que faz a mesma coisa e ninguém fala nada? Ou seja: não discutimos o ato ilícito. Discutimos quem fez o ato. Pior: discutimos se o amigo criticou ou não quem fez o ato. Ou seja: a pauta está errada, é superficial. A discussão fica rasa.

Acredito que a onda de intolerância que assola o país também contribuiu para o emburrecimento do debate. As redes sociais (Facebook principalmente) viraram o ‘lugar certo’ para as pessoas desabafarem, mostrarem o que existe de pior nelas. Muitos postam um comentário e depois pensam. O que deveria ser um local de reflexão e de debates, vira um local de troca de agressões.

Como reverter este quadro? Investindo em educação. Quem lê mais, reflete mais. Tem mais argumentos. Aprende mais. Pode debater melhor. E, se tiver estômago para lidar com quem quer só provocar, eleva o debate. Todos ganhamos com isso.

Opinião: Até quando jornalistas serão perseguidos pelas torcidas e ninguém fará nada?

Texto originalmente publicado no Torcedores.com

Fiz questão de escrever este texto para manifestar a minha indignação com algo que vem acontecendo constantemente na cobertura do futebol no Brasil: jornalistas perseguidos pela torcida. Até quando isso continuará acontecendo e ninguém fará nada para acabar este problema?

O último caso ocorreu com o ótimo repórter Tiago Maranhão, do Sportv. Ele trabalhou pelo canal na cobertura de Palmeiras 3 x 0 Rio Claro, na última quinta-feira, pelo Paulistão. Cumpriu muito bem com o seu dever jornalístico (assim como os operadores de imagem da emissora, diga-se de passagem) ao relatar uma irregularidade cometida por o auxiliar Omar Feitosa, do Palmeiras, durante a partida.

O que a torcida do Palmeiras fez? Ao invés de entender que um funcionário do clube cometeu uma infração, passou a perseguir o repórter no Twitter a tal ponto que ele se viu obrigado a excluir a sua conta nesta rede social.

Aí que eu faço duas colocações ao torcedor do Palmeiras, que o chamou injustamente de ‘dedo-duro’.

– Que prova vocês tem de que o repórter dedurou a informação para o trio de arbitragem? Olhei a cena mais de uma vez, e dá para ver claramente que ele não fez nada.
– Ainda que ele tivesse feito isso, qual foi o seu erro? Que hipocrisia é essa que absolve quem cometeu o erro e condena quem relatou?

Não é a primeira vez que uma covardia como essa é cometida pelos ‘valentões da internet’, que muitas vezes se escondem atrás de perfis falsos para ofender quem está trabalhando, e incitar outras pessoas a fazer o mesmo.

A colega Ana Thaís Matos, que também faz um bom trabalho na Rádio Globo/CBN, recentemente foi perseguida de forma covarde. O motivo? Postagens nas redes sociais que, na visão torta dos torcedores do Palmeiras, inviabilizariam a sua permanência como setorista do clube. Argumento ruim, para dizer o mínimo. Sou testemunha da dedicação da profissional para executar o seu trabalho da melhor maneira possível.

Eu já fui alvo de ‘valentões’ desse tipo. Quando trabalhava como setorista do UOL Esporte, recebi ameaças via Twitter de torcedores.

Por isso, a minha indignação maior é com quem nos representa. Até quando as nossas entidades de classe vão assistir a isso e não vão fazer nada?

Nós jornalistas esportivos precisamos nos sentir seguros para fazer o nosso trabalho. Fazer nota de repúdio não basta. Precisamos de ações mais efetivas.

Veja as lições para a sua carreira que você pode aprender assistindo ao filme Moneyball

Sempre que assisto um filme, penso que pode se tratar de alguma valiosa oportunidade para aprender algo, seja para a minha vida profissional ou mesmo para a vida pessoal. Claro que vejo películas com o simples objetivo de me distrair ou “esvaziar a mente”, mas para estas dou uma importância muito menor.

Assistir um filme com este objetivo tem me proporcionado experiências valiosas que eu relatei neste espaço ao abordar o filme O Senhor Estagiário (que rendeu mais de um textoe ao admitir a relevância da série The Good Wife.

Pois bem, o último filme que de alguma forma transformou a minha vida foi Moneyball.

Aí você vai pensar: “Puxa, como ele só assistiu à esse filme agora?”. Exato, foi isso mesmo que pensei: por que demorei tanto tempo?

Moneyball, ou o Homem que mudou o Jogo, é um filme de 2011, inspirado no livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, que conta uma história real ocorrida com Billy Beane (muito bem interpretado na película pelo ator norte-americano Brad Pitt)

Beane é o gerente geral do Oakland Athletics, que fez uma temporada notável em 2001 mesmo com poucos recursos financeiros e se vê sem saídas para repetir o feito depois da saída dos principais nomes do seu time para equipes com poderio financeiro maior.

Foi este o filme que me proporcionou lições importantes para a minha carreira profissional, que vou relatar nos parágrafos abaixo. Antes, um parênteses: sei que de alguma forma vou acabar dando spoiler a quem não assistiu ao filme. Portanto, se você não gosta de spoilers, talvez seja o momento de parar de ler por aqui.

– Não tenha medo de inovar:  No filme, o personagem de Brad Pitt decide contratar reforços problemáticos do ponto de vista de comportamento, mas eficientes em relação ao desempenho no campo de beisebol. Este modelo enfrentou muita resistência entre os olheiros e especialistas do esporte. Se o gerente geral se intimidasse com essa resistência, provavelmente o projeto seria um fracasso retumbante.

– Entender os números pode mudar o jogo: Muitos ainda insistem em desprezar a importância dos números, principalmente no esporte. Pois o filme Moneyball prova que, se você souber fazer uma boa leitura dos números e associar corretamente a uma boa filosofia, você pode ter muito sucesso em qualquer profissão que exercer.

– Faça o que for preciso para a inovação dar certo: Inicialmente, o Oakland Athletics colecionou derrota atrás de derrota. Mas…por qual motivo? O gerente geral simplesmente executou as mudanças e tentou “enfiar goela abaixo” do técnico e dos jogadores. Se você não convence os atores do espetáculo de que o roteiro precisa ser diferente, a chance da mudança dar certo beira a 0%.

– Saiba identificar os talentos ‘esquecidos’: Foi uma desesperada tentativa de contratar um atleta de um time rival que fez Billy Beane conhecer Peter Brand (interpretado pelo ator Jonah Hill – na vida real, Brand se chama Paul DePodesta), aparentemente um amedrontado assistente do Cleveland Indians, mas que na verdade era um brilhante estudioso de beisebol e dos seus números.  As ideias de Brand fizeram Beane mudar a história do beisebol norte-americano. E por que a cúpula dos Indians não aproveitou o seu talento? Arrisco um palpite: eles o desprezaram por ser jovem e não saber se impor com sua ideia de jogo tão diferente do convencional.

– Não se prenda a ‘fantasmas’ do passado: Billy Beane acaba perdendo talvez a maior oportunidade da sua vida porque ele não quis repetir o mesmo erro do passado. Mas quem garante a mudança para o Boston Red Sox seria um erro? Você pode sempre reescrever a sua história. Basta tentar aprender com os erros e não se deixar levar pelos ‘fantasmas’ do passado.

Assistiu ao filme Moneyball? Concorda com a minha análise? Pretende assistir? Comente na caixinha de comentários abaixo 🙂

Por que prestamos serviço tão mal — e não nos preocupamos com isso?

A crise econômica é algo abordado diuturnamente no Brasil, seja nas manchetes de jornais, nos noticiários que você assiste enquanto toma o seu café da manhã ou no papo com o seu colega de trabalho. Mas tem algo que muitas vezes passa despercebido no nosso país e particularmente me inquieta — por que prestamos serviço tão mal? E pior: por que não nos preocupamos com isso?

A classe dos taxistas é o maior exemplo de como existe um desprezo pela prestação de serviços eficiente. Matéria do UOL Notícias, de 21 de janeiro de 2016, informa que a Prefeitura de São Paulo recebeu uma média de quatro reclamações por dia contra taxistas no ano passado.

“Entre as denúncias, 30,4% foram relativas à atitude desrespeitosa do condutor do táxi com o passageiro”, diz a matéria. Ora, respeito a um cliente é o mínimo que pode se exigir de um profissional prestador de serviço.

Agora façamos uma breve pausa para um exercício de reflexão. Esses foram os que “perderam seu tempo” e reclamaram. Imagina os que sofreram com os taxistas e resolveram ficar quietos?

É neste contexto que entra o Uber. A empresa de transporte compartilhado está “engolindo” o serviço comum de táxi por um simples motivo: trata bem os seus clientes. E se engana quem pensa que o Uber está inventando a roda, porque tratar bem, neste caso, significa se preocupar com pequenos gestos como oferecer uma água, uma balinha, perguntar se o ar condicionado está bom ou que estação de rádio o cliente deseja sintonizar.

E é neste ponto que a minha indignação aumenta. Como profissional do mercado de trabalho, se um concorrente oferece um serviço melhor que o meu, eu me esforço para tentar superá-lo e prestar um serviço melhor que o dele, certo? Não é assim que pensam muitos taxistas.

Em outubro, antes da chegada do Uber em Fortaleza, alguns taxistas se prepararam para criar uma frota com serviços mais qualificados e respeito aos clientes — o que foi uma iniciativa excelente. Mas olha o que contou um dos administradores da frota, Hélio Pereira, em entrevista ao jornal O Povo:

“A maioria me chama de babaca e besta. Quando você inova, sempre tem gente contra. ‘Vai gastar dinheiro com o cliente?’. Gastar dinheiro com o cliente deve ser um crime mesmo…

Instituições de ensino também deixam a desejar

Em um país que tenta ser a Pátria Educadora, assusta um pouco a percepção de que algumas instituições de ensino pecam em fatores tão básicos de prestação de serviços.

Vou usar este espaço para relatar dois problemas que vivenciei. Fiz pós-graduação no campus Paulista da Universidade Anhembi por 18 meses. E durante todo este período, sabe qual era um dos maiores problemas dos alunos? O elevador. A instituição oferecia apenas três elevadores para os alunos utilizarem. Resultado? Enormes filas nos ‘horários de pico’ e alunos que chegavam atrasados nas aulas por não quererem (com razão) subir 13 andares de escada.

Outro problema vivenciei recentemente com a escola de inglês Wise Up, que promete um ensino “revolucionário” da língua inglesa com aulas em classes com alunos de diferentes níveis, mas na verdade se preocupa muito mais em enviar o boleto para pagamento do que em avisar das mudanças dos calendários e horários de aula. Relatei todos os problemas para a coordenação da minha unidade por email. O que eles fizeram? Nada. Aí não dá para pagar o que pago por mês e receber este tipo de atenção, não é? Por isso vou sair do curso. E vou fazer questão de não recomendar a escola para ninguém.

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Crédito da foto: Reprodução/Facebook oficial

Caso Quitandinha mostra a arrogância dos donos de estabelecimento

O recente caso de assédio de dois homens a duas mulheres ocorrido no Bar Quitandinha, mostra, além de um comportamento deplorável dos assediadores, gerente, garçom e policiais que estiveram no caso, algo que infelizmente é muito comum entre alguns donos de estabelecimentos famosos em São Paulo: a arrogância.

No caso, o empresário Flávio Pires, um dos sócios do Quitandinha “e de pelo menos mais cinco estabelecimentos na Vila Madalena, deu declarações típicas de quem não se preocupa com a satisfação de cada cliente que entra em seus estabelecimentos — algo que precisa ser a premissa de um bom prestador de serviços.

Ele concedeu uma entrevista ao portal G1. Me reservo ao direito de pegar o trecho da declaração que mais me chamou atenção: “Pode ter tido erro, mas não do tamanho da repercussão”. Ora, por que agir como se fosse vítima de um ato orquestrado de quem quer prejudicá-lo? Não seria mais fácil admitir o erro e prestar assistência para a vítima? É muita arrogância!

Flávio ficou assustado porque criaram mais de um evento no Facebook pedindo o fechamento do Bar Quitandinha. Mas a sua postura de não assumir a falha dos seus funcionários só contribuiu para aumentar a ira dos seus clientes.

Para finalizar a linha de pensamento sobre este caso, fico com o excelente texto de Marc Tawil e, especialmente, com esse trecho: “o recado das ruas, melhor dizendo, da rede, é tão simples quanto direto: reveja os seus conceitos. Reveja quem você contrata, reveja seu atendimento, sua comunicação, sua ética e suas relações”.

É claro que este texto não leva em conta os bons exemplos, que felizmente acontecem no nosso país. Mas ainda tratamos os bons exemplos mais como exceção do que como a regra.

Por via das dúvidas, não custa perguntar: você tratou bem o seu cliente hoje?

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