O Santos conseguiu trazer uma crise de Barcelona antes de pegar o maior rival

Claudinei

O Santos conseguiu a proeza de ir para Barcelona em um jogo amistoso festivo que foi transmitido para o mundo todo (TV Globo inclusive) e voltar em crise, que tem muitas chances de ficar pior depois de quarta-feira, quando o Peixe enfrentará o Corinthians, seu maior rival histórico.

E por que essa mudança tão repentina? Porque talvez num arroubo de megalomania, a diretoria do Santos aceitou a proposta do Barcelona de se realizar um amistoso na Espanha como forma de pagamento pela compra do atacante Neymar. Mais uma grande chance de se internacionalizar a marca, pensaram os dirigentes. E o tiro saiu pela culatra.

O Santos tem uma base promissora, com garotos que tem tudo para dar bons frutos a médio prazo no clube. Mas é um time ainda em formação. E pegou um rival que dominou o futebol mundial por pelo menos quatro temporadas recentemente e tem toda uma base montada e uma estrutura de jogo bem definida. Para piorar, era o primeiro jogo do novo técnico e diante de sua torcida. Mesmo em pré-temporada, os jogadores do Barcelona tinham motivos de sobra para dar o melhor em campo e ‘não tirar o pé’.

O resultado de tudo isso todo mundo já sabe: um acachapante 8 a 0 que fez o Santos virar motivo de chacota do Brasil e no mundo. Péssimo para um clube que ganhou projeção mundial por ter na década de 60 o maior jogador de todos os tempos, Pelé.

O massacre de Barcelona mexeu com a autoestima do torcedor, que protestou contra os jogadores e a diretoria ainda no hotel da delegação na Espanha, e pixou os muros na Vila Belmiro onde deixava explícita a revolta com o resultado.

No final de semana, todo o roteiro de crise foi se delineando: fuga da delegação durante o desembarque em São Paulo para escapar dos protestos da torcida, cancelamento de todas as entrevistas coletivas da semana (medida que foi cancelada), pedido de impeachment do presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro e reunião da diretoria com os líderes do elenco para cobrar resultados.

A pergunta que fica é: precisava de tudo isso? Não dava para prever que a derrota seria expresssiva e os efeitos da excursão se tornariam maléficos. Agora, a beira do principal clássico, a autoestima dos jogadores está abalada e o orgulho do torcedor está ferido. Para piorar o quadro, o Corinthians embalou com duas vitórias seguidas em atuações convincentes. Já imaginaram os efeitos que uma derrota no clássico podem causar no ambiente do clube?

Se o Santos não se cuidar, pode jogar tudo que estava sendo (bem) feito depois da saída do Muricy no lixo. Aguardemos os próximos capítulos.

Crédito: AFP

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Victor, e não Ronaldinho Gaúcho, merece uma estátua da torcida do Atlético-MG

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A torcida do Atlético-MG ainda comemora (com muita razão) o título da Libertadores, mais de semana depois da conquista. Muito se fala sobre Ronaldinho Gaúcho, mas “o cara” da conquista foi o Victor.

O goleiro do Atlético-MG foi muito decisivo em partidas vitais para o clube durante a competição. Pela importância da conquista, que fez o clube voltar a conquistar um título de expressão após 42 anos, Victor merecia uma estátua como ídolo do clube.

Na final contra o Olimpia, Victor se destacou não somente na cobrança de pênalti, quando pegou uma das cobranças (após se adiantar muito, diga-se de passagem), mas também com duas grandes defesas quando a partida estava empatada sem gols.

Victor também decisivo na semifinal contra o Newell’s Old Boys. Na primeira partida, ele evitou que o Atlético-MG perdesse por uma diferença maior do que o 2 a 0. No jogo de volta, o goleiro foi decisivo na cobrança de pênaltis ao pegar o chute de Maxi Rodriguez e garantir o Galo na final inédita na sua história.

Acho que não preciso falar sobre as quartas de final né? O cara ‘só’ pegou uma cobrança de pênalti quase no último lance da partida contra o Tijuana. Se a bola entrasse, o Atlético-MG seria eliminado em casa, e ainda perderia de quebra uma longa invencibilidade no Independência!

Ronaldinho Gaúcho fez uma primeira fase primorosa na Libertadores, jogou muito bem nas oitavas contra o São Paulo, mas depois sucumbiu à forte marcação dos adversários e foi coadjuvante do título do Atlético-MG. Victor, que tem um custo mensal muito menor que o astro atleticano, foi decisivo na hora mais importante, e por isso merece ser alçado a condição de ídolo e receber uma estátua da torcida.

Crédito: AFP PHOTO / EVARISTO SA

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Claudinei fez mais que Muricy pelo Santos neste ano, mas ainda falta coragem

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O técnico Claudinei Oliveira assumiu no início de junho a missão de comandar, ainda que de forma interina, o Santos após a saída do técnico Muricy Ramalho e do atacante Neymar. Com dois meses de trabalho, já dá para dizer que ele fez mais do que seu antecessor no ano inteiro. Mas para receber a melhor nota da classe, ainda falta ter coragem de barrar medalhões.

Entre Copa do Brasil e Brasileirão, Claudinei disputou 9 jogos pelo profissional do Santos, com 4 vitorias, 3 empates e 2 derrotas, o que dá um aproveitamento de 55,6% – hoje, tal índice daria o sétimo lugar na classificação geral do Nacional.

Independente dos números, Claudinei conseguiu dar um padrão tático ao time. Hoje a torcida que acompanha os jogos do Santos sabe exatamente quem é o titular, à exceção do comandante do ataque, função que deve ser ocupada por Thiago Ribeiro.

Oriundo da base, Claudinei deu confiança aos garotos da nova geração santista, e os colocou para jogar. A aposta vem dando certo: Neílton se firmou no ataque, Leandrinho faz bons jogos como volante, e nomes como Pedro Castro e Léo Cittadini tem recebido chances concretas de demonstrar o seu valor.

Claudinei precisa resolver a sua defesa. Edu Dracena, Durval e Léo não podem jogar mais juntos. Por serem veteranos, os três formam um setor defensivo que tem muita dificuldade quando enfrenta ataques rápidos. Isso, somado ao fato de que Galhardo contribui muito mais no avanço do que na marcação pela lateral direita, caracteriza o problema a ser resolvido no Santos. O jovem Gustavo Henrique já mostrou o seu valor e pede passagem para ficar com a vaga de um dos zagueiros.

Provavelmente Claudinei tenha a mesma opinião, mas hesita em sacar um dos três por saber que são líderes do elenco, e a ida de um deles para o banco poderá revoltar os demais. Mas se quer ter a confiança total da diretoria do Santos, ele deve ter a coragem necessária para barrar quem preciso for em prol do crescimento da equipe. Não custa lembrar, Claudinei,  que Abel Braga está desempregado.

Crédito: Ricardo Saibun/Divulgação/Santos FC

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Por que Muricy desperta tanta adoração e raiva nos torcedores?

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Talvez não tenha hoje em dia nenhum técnico no futebol brasileiro que desperte tanta adoração e raiva nos torcedores como Muricy Ramalho. Os ‘muricystas’ e ‘não muricystas’ seriam capazes de ficar horas discutindo se o técnico é bom mesmo ou não é tudo isso que se alardeia.

Mas afinal, por que essa mistura de sentimentos? E Muricy é bom mesmo?

Sim, Muricy já provou que é capaz. É vencedor, conquista muitos títulos, como ele mesmo gosta de propagar. Mas apesar de ser multi-campeão, o treinador é adepto do futebol simples. Eficiente, mas sem brilho: o que revolta muitos torcedores.

Muricy foi de técnico de conquistas regionais a um dos melhores do país em cinco anos, quando faturou quatro brasileiros, três pelo São Paulo e um pelo Fluminense. O segredo? Se for para resumir em poucas palavras: montou times ótimos na defesa e com muito poder de decisão no ataque nas oportunidades que eram criadas. Em 2007, o Tricolor paulista foi campeão com uma impressionante média de apenas 19 gols sofridos em 38 jogos.

Muricy teve muitos méritos no início do trabalho do Santos justamente por ter acertado a defesa. Confiou no volante Adriano como seu ‘cão de guarda’ dos zagueiros, vigiou mais a subida dos laterais e deixou Ganso e Neymar a vontade para jogarem o que sabe. O resultado? Título da Libertadores após 48 anos de jejum.

Mas foi no mesmo Santos que a filosofia defensiva de Muricy foi colocada em xeque. Como os atuais dirigentes santistas gostam de propagar, o clube tem em sua história um DNA ofensivo que, na visão deles, deve ser respeitado. Na análise dos atuais diretores, as pratas da casa sempre devem ser valorizadas, o que não condiz com o histórico de Muricy, apesar dele insistir na falácia de que revela, sim, muitos jogadores. Por isso, ele amargou a demissão.

Os críticos de Muricy alegam que ele anda desmotivado, e que não conseguiu montar no Santos um time que deixasse de depender do Neymar. Os defensores, e nesta lista se incluem boa parte dos torcedores do São Paulo acostumados com a fase vencedora de títulos brasileiros, alegam que ele é um técnico vencedor, característica que não dá pra se desprezar.

Penso que as duas vertentes tem um pouco de razão. Mas Muricy tem, principalmente, que reciclar seus conceitos. Exemplos bem sucedidos de treinadores estudiosos e inovadores, como Tite e Cuca, estão aí para mostrar que não o futebol praticado em 2008, quando Muricy era multi-campeão, está cada vez mais em desuso.

Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress

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O dia em que José Silvério me deixou uma lição de simplicidade e humildade

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Recebi certo dia a incumbência de entrevistar José Silvério, um dos gênios vivos do rádio esportivo brasileiro, Pelé do Rádio para muitos, que completou recentemente 50 anos de carreira. A ideia era usar a plataforma do blog UOL Esporte Vê TV para relembrarmos as curtas passagens dele pela Manchete e ESPN Brasil.

Admito que pensei: não será uma tarefa fácil. Porque a impressão que eu tinha, não me perguntem o porquê, é que José Silvério era uma pessoa arrogante e pouco humilde. Ainda bem que pude perceber pouco depois que estava redondamente enganado.

Com o número do celular e da casa dele em mãos, liguei para entrevistá-lo. Do outro lado da linha, atendeu um senhor muito gentil, com uma voz inconfundível que me fez gostar ainda mais de rádio. E para me deixar ainda mais sem graça da minha impressão errada, me pediu de forma educada: “você poderia me ligar um pouco mais tarde? é que eu combinei de entrar em um programa da Rádio Bradesco em questão de minutos”.

Quando retornei, ele fez uma solicitação muito procedente: “não quer ligar no telefone aqui de casa? fica melhor para falarmos”. Atendi ao pedido do Silvério sem pensar duas vezes. “Pronto, o som está bem melhor agora, não acha?”. Claro que sim, Pelé do Rádio.

Silvério não fugiu de nenhuma pergunta. Foi bem humorado até na hora de responder as mais espinhosas. Qual é mais fácil de fazer, rádio ou TV? “Você vai me por numa fria danada se eu responder sinceramente, corro risco [risos]. A TV é uma moleza”, cravou. “É fácil você narrar rádio num puta ritmo frenético e depois diminuir para acompanhar devagar na TV. Agora é mais fácil para quem sabe também né?”.

Mas além da lição de humildade que recebi, a resposta dele que mais me chamou a atenção foi quando perguntei se ele ainda queria fazer algo que não tinha feito nos 50 anos de carreira e mais de 2000 jogos narrados.

Ali tive a certeza de que estava diante de uma pessoa consagrada no que faz, mas que mesmo assim mantém a mesma simplicidade e capacidade de sonhar do menino que começou no interior de Minas há cinquenta anos.

“Única coisa que quero fazer ainda, não chega a ser um sonho. Não é nada específico, não vai matar. Mas gostaria de ir para a Copa e narrar o hexa do Brasil. Seria muito legal”.

Se eu já torcia para o Brasil ser campeão, agora torço ainda mais, Silvério.


Crédito: Divulgação

Em tempo: segue a matéria que fiz com Silvério:

Silvério relembra narração ao lado de cães e diz que TV é “moleza”

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É possível ir do descrédito ao topo do mundo em dois anos? Sim. Tite explica como

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Era junho de 2011. Estávamos todos acompanhando a um treino do Corinthians em um lugar incomum para o dia a dia do clube: o Hotel Fazenda Estância das Amoreiras, situado na cidade mineira de Extrema, local escolhido pelo técnico Tite como refúgio para o clube se preparar para o restante do Brasileirão de 2011.

A situação, que no início do ano era péssima, tinha começado a melhorar. O Corinthians de Tite havia chegado ao fundo do poço no início do ano após a vexatória eliminação para o Tolima na Pré-Libertadores, mas Tite se manteve no cargo mesmo assim e ainda foi vice-campeão paulista.

O combinado com a Renata, assessora de imprensa do Corinthians, era que Tite falasse comigo logo depois do treino. Num momento de descuido nosso, ele caminhava para o hotel e teve que ser chamado por ela. Tite voltou prontamente e me atendeu até o local ficar quase que totalmente escuro, em uma entrevista que foi acompanhada também pelo Márcio, da sua assessoria pessoal. O técnico respondeu com boa vontade a todas as perguntas, sem se importar com o tempo, nem com a escuridão do local.

Da entrevista, renderam duas matérias. Mas rendeu principalmente uma frase que me marcou até hoje. Tite falou da importância de ganhar um título de expressão neste trabalho pelo Corinthians. Explicou, em tom de chateação, que tinha feito grandes trabalhos na carreira, mas que não eram devidamente reconhecidos porque não foram chancelados por taças de muito valor.

Parei pra pensar, de fato ele tinha razão. Ou alguém duvida que ele tenha feito um bom trabalho no Grêmio de 2001, que foi campeão da Copa do Brasil ganhando com autoridade do Corinthians em casa? Ou as duas campanhas de recuperação que fez com Corinthians (2005) e Palmeiras (2006) não foram bons trabalhos? Mas nada disso importa se não vier acompanhado de um título de expressão. E Tite tinha razão.

Pois bem. Pouco tempo depois da nossa conversa, começou a redenção de Tite. Ele ganhou Brasileirão, Libertadores, Mundial, Paulista, Recopa. Já é campeão das principais competições que um treinador pode conquistar. Saiu do limbo ao posto de melhor treinador brasileiro (disparado) em apenas dois anos.

Tite faz parte daquela lista de profissionais de futebol que a gente torce independente de estarem no nosso time de coração. Honesto, de princípios, estudioso, sempre interessado em aprender. É um treinador que faz bem ao futebol. Como bem disse Paulo Autuori quando ainda dirigia o Vasco, a nossa classe de técnicos brasileiros deveria ser menos arrogante. E espelhar em bons exemplos como o de Adenor Bacchi.

Crédito da foto: Renan Prates/UOL

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Segue o link das matérias que fiz após a exclusiva:

Tite diz que virou alvo de brincadeiras até do filho pelo perfil falso no Twitter

Adepto da prancheta, Tite vira discípulo de Joel e mostra vício por estatísticas

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São Paulo dá sintomas de time que pode cair para a Série B

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O São Paulo tem dado sintomas de um time que pode cair para a Série B. Se vai cair, é outra história…

Vamos aos sintomas:

– Jogadores e dirigentes expõem em público os problemas da equipe, algo que deveria ser tratado internamente, além de disparar reclamações uns contra os outros.

– Episódios bizarros como o ocorrido neste domingo na sede social do São Paulo, com o presidente Juvenal Juvêncio mandando a segurança pegar quem o chamou de vendido, mostram uma preocupação maior com a política do clube do que com a pior sequência sem vencer da gloriosa história do Tricolor.

– Como bem disse o Autuori, os jogadores estão mentalmente abalados. A partida equilibrada que faziam contra o Cruzeiro gerou em uma acachapante derrota por 3 a 0 porque os jogadores não aproveitaram as chances de gol que tiveram. Assim que Luan marcou seu primeiro gol, a confiança acabou, o nervosismo ficou ainda maior, e o São Paulo virou presa fácil para levar mais gols.

– Para mim, este é o pior sintoma: a certeza de que o time não vai cair. A diretoria nega o óbvio: que o momento é muito ruim. Enquanto isso for negado, a chance de cair só aumenta.

Não acho que o São Paulo vá cair, mas mais por incompetência dos outros do que por méritos próprios. Mas é bom ficar ligado. O Tricolor vem fazendo direitinho a lição de casa…

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