Jornalismo esportivo me fez torcer muito mais por pessoas do que por agremiações

adilson

Entrei na faculdade de jornalismo em 2002, na Universidade Metodista de São Paulo. Apesar de gostar muito de esportes, não tinha a pretensão inicial de trabalhar na área, o que foi acontecer em 2005, pelo Terra, e de 2007 até hoje, no UOL. Desde então, adquiri o hábito de torcer muito mais por pessoas do que por agremiações.

Claro que torço para o meu time no futebol e no basquete, esportes que mais gosto de acompanhar. Mas aprendi a torcer pelo sucesso das pessoas que merecem, independente delas trabalharem nos rivais do clube do meu coração.

Quando se trabalha com esportes, a gente acaba tendo acesso aos bastidores dos jogos, dos treinamentos dos times, do trabalho dos técnicos, jogadores, diretores. E acaba vendo quem realmente merece da torcida e quem não dá valor a quem o venera.

Vou citar um exemplo para não correr o risco de pagar por ser genérico demais. Tido como Professor Pardal por boa parte do torcedor comum, o técnico Adilson Batista é daqueles profissionais que merecem toda a sorte do mundo. É um cara honesto, muito trabalhador e que segue com afinco as suas convicções.

Posso discordar da sua maneira de ver o futebol em alguns aspectos, mas não posso dizer que ele não entende de futebol. Adilson é um profissional diferenciado da maioria dos técnicos do país, e por isso merece a minha torcida, onde quer que ele esteja.

A profissão me fez torcer menos pelo meu time do coração, admito. Aos poucos, você perde o encantamento ao ver tantas coisas que o desagradam. Mas em contrapartida, o jornalismo esportivo me fez ter exemplos concretos de profissionais que primam pela correção e merecem todo sucesso do mundo. Mas mesmo pelos bons quanto pelos maus exemplos, digo que tem valido a pena.

Crédito da foto: Divulgação

Em tempo:
Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

Estamos vendo a ressurreição do Valdivia?

Valdivia

Confesso que tenho visto o Palmeiras em campo menos do que gostaria, por isso não vou me arriscar a fazer uma análise mais profunda.

Mas fiz uma pesquisa rápida aqui na página do UOL Esporte para tentar explicar a questão do título deste post e percebi que, dos seis relatos das partidas que o Valdivia esteve em campo depois que retornou de um período de 100 dias inativo por lesão, três ressaltavam a sua atuação acima da média.

Palmeiras 4 x 1 ABC (link do relato)

Figueirense 2 x 3 Palmeiras (link do relato)

Palmeiras 2 x 1 Bragantino (link do relato)

Isso sem contar que, na goleada sobre o Icasa por 4 a 0, Valdivia entrou aos 20min do segundo tempo e deixou Ananias e Alan Kardec em boas condições de marcar, mas só o segundo acabou balançando as redes após uma assistência sua.

Na vitória sobre o São Caetano nesta terça-feira, ficou clara a falta que Valdivia fez no time do Palmeiras.

Por isso volto a fazer a mesma pergunta: estamos vendo a ressurreição do Valdivia com a camisa do Palmeiras?

Os indícios estão cada vez maiores na direção de uma resposta positiva para esta pergunta. O meia engatou a maior sequência com a camisa do Palmeiras neste ano (seis jogos), que só foi interrompida por uma decisão (acertada,
diga-se de passagem) da comissão técnica.

Em campo, Valdivia tem demonstrado uma performance acima da média, digna da sua melhor época no Palmeiras, em que comandou a campanha que rendeu o título paulista de 2008.

Além disso, Valdivia:
– Tem falado menos, reclamado pouco e evitado polêmica
– Mostra uma dedicação incomum nos treinos
– Parece mais à vontade em campo

“Ah, mas na Série B é obrigação”, argumenta o torcedor mais irritado com Valdivia por todos os problemas que ele já trouxe ao Palmeiras.

Até concordo em parte com a afirmação. Por isso, para realmente confirmar a sua ressurreição no Palmeiras, Valdivia precisa manter a sequência de bons jogos sem se lesionar e conseguir desempenhos acima da média também contra adversários mais qualificados.

Crédito da foto: Rodrigo Capote/UOL

Em tempo:
Acompanhe tudo sobre o Palmeiras no UOL Esporte:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

Anderson Silva faz ‘turnê’ pela imprensa para melhorar sua imagem. Mas…será que ele aprendeu as lições do nocaute?


Crédito: Reprodução/Twitter

Fantástico, Altas Horas, Legendários, De Frente com Gabi, Agora é Tarde, Pânico da Jovem Pan, Esporte Espetacular, ufa…esse são alguns dos programas que Anderson Silva participou desde que perdeu o cinturão dos médios do UFC após ser derrotado por nocaute para Chris Weidman.

Bem orientado por sua assessoria, Anderson escolheu programas em que sabia que não seria colocado contra a parede. As situações embaraçosas, se existissem, certamente seriam bem contornadas. Posso citar um exemplo: o lutador do UFC foi ao Legendários, programa da Record comandado por Marcos Mion, apresentador que é seu amigo declarado.

Na ‘turnê’ pela imprensa, Anderson deixou de lado as críticas (pertinentes, por sinal) aos fãs brasileiros e retomou o discurso de humildade e patriotismo, além das características que sempre contribuíram para popularizá-lo, como a voz fina e a facilidade de cantar, dançar e interpretar sem o medo de ser julgado por isso.

Mas a pergunta que fica para mim é: será que ele aprendeu as lições do nocaute? Admito que não sei a resposta, mas torço para que seja sim.

Diante de tanta exposição de Anderson na mídia, o assunto “derrota para Chris Weidman” foi dissecado até não poder mais. O brasileiro fez algumas ponderações coerentes sobre os motivos que o fizeram perder.

Concordo com ele que foi um erro técnico. Então essa é a primeira lição que tem que ser superada. Errar é humano, mas pode custar um cinturão. O estilo de guarda aberta com que ele luta não permite descuidos.

Achei que houve desrespeito ao Weidman. “Ah, mas ele luta sempre assim”, diria um defensor do brasileiro. Sim, e por isso já fazia por merecer ser surpreendido como foi, contra um adversário que não entrou no seu jogo psicológico. Nem todos caem nas suas provocações, e isso é algo que Anderson tem que aprender.

Anderson caiu porque subestimou o rival. Além disso, estava tão obcecado que não entendeu que as duas vezes em que ficou muito perto de ser finalizado no primeiro round deveriam servir como alerta do tipo: agora acabou a brincadeira, preciso derrotá-lo. Essa é outra lição que fica para o brasileiro.

Anderson Silva ainda é o melhor lutador peso por peso? Apesar de o ranking dizer o contrário, eu acredito que sim.

É melhor que Chris Weidman? Sim, e muito.

Vai vencer a revanche no dia 28 de dezembro? Se tiver a humildade de reconhecer seus erros, aprender com eles, e não repeti-los, vence com facilidade e volta novamente a ser ídolo nacional. Porque nos outros esportes, somente conquistam a condição de ídolos nacionais aqueles que vencem sempre.

Em tempo:
Acompanhe tudo sobre MMA no UOL Esporte:

Confira o Blog Na Grade do MMA, do meu amigo Jorge Corrêa:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

Ney Franco e a sinceridade cada vez mais rara no futebol

Ney Franco

Ney Franco concedeu uma entrevista bombástica ao colega Carlos Eduardo Mansur, do Jornal O Globo, na edição desta terça-feira. O ex-técnico do São Paulo detonou o goleiro Rogério Ceni e o coordenador técnico Milton Cruz, entre outras coisas.

Não vou entrar no mérito se Ney Franco estava certo ou não. Nem dizer o quanto isso piora a crise do São Paulo, pois não é a intenção desse post. Mas me chamou uma atenção a característica que já tinha notado na personalidade do treinador: a sinceridade.

Ney Franco teve discursos muito sinceros no ano que passou pelo São Paulo. Ao meu ver, até pagou por isso, porque sua sinceridade era mais destinada para as críticas públicas aos jogadores do que ao reconhecimento das suas falhas.

Ah, mas Ney Franco deveria ter dito tudo o que disse enquanto estava no comando do São Paulo e não teve coragem, pode argumentar o torcedor do clube. Concordo. Como bem disse o técnico Emerson Leão para a ESPN Brasil, quando se está longe, “depois que sai, muita gente vira macho”.

Mas a sinceridade de Ney Franco é boa para o futebol. O mundo da bola é um mundo do faz de conta, onde as crises são abafadas e os personagens são obrigados muitas vezes a mentir para evitar a repercussão negativa dos problemas que acontecem nos bastidores. Como disse certa vez o técnico Muricy Ramalho com muita propriedade, só 10% das coisas que acontecem no futebol são divulgadas. Então, episódios como este servem até para os torcedores entendam um pouco do ambiente do esporte mais popular do país.

Crédito da foto: Leandro Moraes/UOL

Em tempo:
Acompanhe tudo sobre o São Paulo no UOL Esporte:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal

O Santos conseguiu trazer uma crise de Barcelona antes de pegar o maior rival

Claudinei

O Santos conseguiu a proeza de ir para Barcelona em um jogo amistoso festivo que foi transmitido para o mundo todo (TV Globo inclusive) e voltar em crise, que tem muitas chances de ficar pior depois de quarta-feira, quando o Peixe enfrentará o Corinthians, seu maior rival histórico.

E por que essa mudança tão repentina? Porque talvez num arroubo de megalomania, a diretoria do Santos aceitou a proposta do Barcelona de se realizar um amistoso na Espanha como forma de pagamento pela compra do atacante Neymar. Mais uma grande chance de se internacionalizar a marca, pensaram os dirigentes. E o tiro saiu pela culatra.

O Santos tem uma base promissora, com garotos que tem tudo para dar bons frutos a médio prazo no clube. Mas é um time ainda em formação. E pegou um rival que dominou o futebol mundial por pelo menos quatro temporadas recentemente e tem toda uma base montada e uma estrutura de jogo bem definida. Para piorar, era o primeiro jogo do novo técnico e diante de sua torcida. Mesmo em pré-temporada, os jogadores do Barcelona tinham motivos de sobra para dar o melhor em campo e ‘não tirar o pé’.

O resultado de tudo isso todo mundo já sabe: um acachapante 8 a 0 que fez o Santos virar motivo de chacota do Brasil e no mundo. Péssimo para um clube que ganhou projeção mundial por ter na década de 60 o maior jogador de todos os tempos, Pelé.

O massacre de Barcelona mexeu com a autoestima do torcedor, que protestou contra os jogadores e a diretoria ainda no hotel da delegação na Espanha, e pixou os muros na Vila Belmiro onde deixava explícita a revolta com o resultado.

No final de semana, todo o roteiro de crise foi se delineando: fuga da delegação durante o desembarque em São Paulo para escapar dos protestos da torcida, cancelamento de todas as entrevistas coletivas da semana (medida que foi cancelada), pedido de impeachment do presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro e reunião da diretoria com os líderes do elenco para cobrar resultados.

A pergunta que fica é: precisava de tudo isso? Não dava para prever que a derrota seria expresssiva e os efeitos da excursão se tornariam maléficos. Agora, a beira do principal clássico, a autoestima dos jogadores está abalada e o orgulho do torcedor está ferido. Para piorar o quadro, o Corinthians embalou com duas vitórias seguidas em atuações convincentes. Já imaginaram os efeitos que uma derrota no clássico podem causar no ambiente do clube?

Se o Santos não se cuidar, pode jogar tudo que estava sendo (bem) feito depois da saída do Muricy no lixo. Aguardemos os próximos capítulos.

Crédito: AFP

Em tempo:
Acompanhe tudo sobre o Santos no UOL Esporte:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

Victor, e não Ronaldinho Gaúcho, merece uma estátua da torcida do Atlético-MG

https://i2.wp.com/imguol.com/c/esporte/2013/07/25/24072013---victor-sai-para-comemorar-titulo-do-atletico-mg-apos-penalti-chutado-na-trave-1374724287208_615x300.jpg

A torcida do Atlético-MG ainda comemora (com muita razão) o título da Libertadores, mais de semana depois da conquista. Muito se fala sobre Ronaldinho Gaúcho, mas “o cara” da conquista foi o Victor.

O goleiro do Atlético-MG foi muito decisivo em partidas vitais para o clube durante a competição. Pela importância da conquista, que fez o clube voltar a conquistar um título de expressão após 42 anos, Victor merecia uma estátua como ídolo do clube.

Na final contra o Olimpia, Victor se destacou não somente na cobrança de pênalti, quando pegou uma das cobranças (após se adiantar muito, diga-se de passagem), mas também com duas grandes defesas quando a partida estava empatada sem gols.

Victor também decisivo na semifinal contra o Newell’s Old Boys. Na primeira partida, ele evitou que o Atlético-MG perdesse por uma diferença maior do que o 2 a 0. No jogo de volta, o goleiro foi decisivo na cobrança de pênaltis ao pegar o chute de Maxi Rodriguez e garantir o Galo na final inédita na sua história.

Acho que não preciso falar sobre as quartas de final né? O cara ‘só’ pegou uma cobrança de pênalti quase no último lance da partida contra o Tijuana. Se a bola entrasse, o Atlético-MG seria eliminado em casa, e ainda perderia de quebra uma longa invencibilidade no Independência!

Ronaldinho Gaúcho fez uma primeira fase primorosa na Libertadores, jogou muito bem nas oitavas contra o São Paulo, mas depois sucumbiu à forte marcação dos adversários e foi coadjuvante do título do Atlético-MG. Victor, que tem um custo mensal muito menor que o astro atleticano, foi decisivo na hora mais importante, e por isso merece ser alçado a condição de ídolo e receber uma estátua da torcida.

Crédito: AFP PHOTO / EVARISTO SA

Em tempo:
Acompanhe tudo sobre Atlético-MG no UOL Esporte:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

Claudinei fez mais que Muricy pelo Santos neste ano, mas ainda falta coragem

tecnico-claudinei-oliveira-ao-lado-de-odilio-rodrigues-vice-presidente-do-santos-1374106115331_615x300

O técnico Claudinei Oliveira assumiu no início de junho a missão de comandar, ainda que de forma interina, o Santos após a saída do técnico Muricy Ramalho e do atacante Neymar. Com dois meses de trabalho, já dá para dizer que ele fez mais do que seu antecessor no ano inteiro. Mas para receber a melhor nota da classe, ainda falta ter coragem de barrar medalhões.

Entre Copa do Brasil e Brasileirão, Claudinei disputou 9 jogos pelo profissional do Santos, com 4 vitorias, 3 empates e 2 derrotas, o que dá um aproveitamento de 55,6% – hoje, tal índice daria o sétimo lugar na classificação geral do Nacional.

Independente dos números, Claudinei conseguiu dar um padrão tático ao time. Hoje a torcida que acompanha os jogos do Santos sabe exatamente quem é o titular, à exceção do comandante do ataque, função que deve ser ocupada por Thiago Ribeiro.

Oriundo da base, Claudinei deu confiança aos garotos da nova geração santista, e os colocou para jogar. A aposta vem dando certo: Neílton se firmou no ataque, Leandrinho faz bons jogos como volante, e nomes como Pedro Castro e Léo Cittadini tem recebido chances concretas de demonstrar o seu valor.

Claudinei precisa resolver a sua defesa. Edu Dracena, Durval e Léo não podem jogar mais juntos. Por serem veteranos, os três formam um setor defensivo que tem muita dificuldade quando enfrenta ataques rápidos. Isso, somado ao fato de que Galhardo contribui muito mais no avanço do que na marcação pela lateral direita, caracteriza o problema a ser resolvido no Santos. O jovem Gustavo Henrique já mostrou o seu valor e pede passagem para ficar com a vaga de um dos zagueiros.

Provavelmente Claudinei tenha a mesma opinião, mas hesita em sacar um dos três por saber que são líderes do elenco, e a ida de um deles para o banco poderá revoltar os demais. Mas se quer ter a confiança total da diretoria do Santos, ele deve ter a coragem necessária para barrar quem preciso for em prol do crescimento da equipe. Não custa lembrar, Claudinei,  que Abel Braga está desempregado.

Crédito: Ricardo Saibun/Divulgação/Santos FC

Em tempo:
Acompanhe tudo sobre o Santos no UOL Esporte:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

Por que Muricy desperta tanta adoração e raiva nos torcedores?

01dez2012---muricy-ramalho-tecnico-do-santos-entra-em-campo-antes-da-partida-contra-o-palmeiras-1354400092031_615x300

Talvez não tenha hoje em dia nenhum técnico no futebol brasileiro que desperte tanta adoração e raiva nos torcedores como Muricy Ramalho. Os ‘muricystas’ e ‘não muricystas’ seriam capazes de ficar horas discutindo se o técnico é bom mesmo ou não é tudo isso que se alardeia.

Mas afinal, por que essa mistura de sentimentos? E Muricy é bom mesmo?

Sim, Muricy já provou que é capaz. É vencedor, conquista muitos títulos, como ele mesmo gosta de propagar. Mas apesar de ser multi-campeão, o treinador é adepto do futebol simples. Eficiente, mas sem brilho: o que revolta muitos torcedores.

Muricy foi de técnico de conquistas regionais a um dos melhores do país em cinco anos, quando faturou quatro brasileiros, três pelo São Paulo e um pelo Fluminense. O segredo? Se for para resumir em poucas palavras: montou times ótimos na defesa e com muito poder de decisão no ataque nas oportunidades que eram criadas. Em 2007, o Tricolor paulista foi campeão com uma impressionante média de apenas 19 gols sofridos em 38 jogos.

Muricy teve muitos méritos no início do trabalho do Santos justamente por ter acertado a defesa. Confiou no volante Adriano como seu ‘cão de guarda’ dos zagueiros, vigiou mais a subida dos laterais e deixou Ganso e Neymar a vontade para jogarem o que sabe. O resultado? Título da Libertadores após 48 anos de jejum.

Mas foi no mesmo Santos que a filosofia defensiva de Muricy foi colocada em xeque. Como os atuais dirigentes santistas gostam de propagar, o clube tem em sua história um DNA ofensivo que, na visão deles, deve ser respeitado. Na análise dos atuais diretores, as pratas da casa sempre devem ser valorizadas, o que não condiz com o histórico de Muricy, apesar dele insistir na falácia de que revela, sim, muitos jogadores. Por isso, ele amargou a demissão.

Os críticos de Muricy alegam que ele anda desmotivado, e que não conseguiu montar no Santos um time que deixasse de depender do Neymar. Os defensores, e nesta lista se incluem boa parte dos torcedores do São Paulo acostumados com a fase vencedora de títulos brasileiros, alegam que ele é um técnico vencedor, característica que não dá pra se desprezar.

Penso que as duas vertentes tem um pouco de razão. Mas Muricy tem, principalmente, que reciclar seus conceitos. Exemplos bem sucedidos de treinadores estudiosos e inovadores, como Tite e Cuca, estão aí para mostrar que não o futebol praticado em 2008, quando Muricy era multi-campeão, está cada vez mais em desuso.

Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress

Em tempo:
Leia a entrevista exclusiva dos colegas Luiz Paulo Montes e Vinicius Mesquita com o Muricy:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

O dia em que José Silvério me deixou uma lição de simplicidade e humildade

1002106_499159353493691_2080428594_n

Recebi certo dia a incumbência de entrevistar José Silvério, um dos gênios vivos do rádio esportivo brasileiro, Pelé do Rádio para muitos, que completou recentemente 50 anos de carreira. A ideia era usar a plataforma do blog UOL Esporte Vê TV para relembrarmos as curtas passagens dele pela Manchete e ESPN Brasil.

Admito que pensei: não será uma tarefa fácil. Porque a impressão que eu tinha, não me perguntem o porquê, é que José Silvério era uma pessoa arrogante e pouco humilde. Ainda bem que pude perceber pouco depois que estava redondamente enganado.

Com o número do celular e da casa dele em mãos, liguei para entrevistá-lo. Do outro lado da linha, atendeu um senhor muito gentil, com uma voz inconfundível que me fez gostar ainda mais de rádio. E para me deixar ainda mais sem graça da minha impressão errada, me pediu de forma educada: “você poderia me ligar um pouco mais tarde? é que eu combinei de entrar em um programa da Rádio Bradesco em questão de minutos”.

Quando retornei, ele fez uma solicitação muito procedente: “não quer ligar no telefone aqui de casa? fica melhor para falarmos”. Atendi ao pedido do Silvério sem pensar duas vezes. “Pronto, o som está bem melhor agora, não acha?”. Claro que sim, Pelé do Rádio.

Silvério não fugiu de nenhuma pergunta. Foi bem humorado até na hora de responder as mais espinhosas. Qual é mais fácil de fazer, rádio ou TV? “Você vai me por numa fria danada se eu responder sinceramente, corro risco [risos]. A TV é uma moleza”, cravou. “É fácil você narrar rádio num puta ritmo frenético e depois diminuir para acompanhar devagar na TV. Agora é mais fácil para quem sabe também né?”.

Mas além da lição de humildade que recebi, a resposta dele que mais me chamou a atenção foi quando perguntei se ele ainda queria fazer algo que não tinha feito nos 50 anos de carreira e mais de 2000 jogos narrados.

Ali tive a certeza de que estava diante de uma pessoa consagrada no que faz, mas que mesmo assim mantém a mesma simplicidade e capacidade de sonhar do menino que começou no interior de Minas há cinquenta anos.

“Única coisa que quero fazer ainda, não chega a ser um sonho. Não é nada específico, não vai matar. Mas gostaria de ir para a Copa e narrar o hexa do Brasil. Seria muito legal”.

Se eu já torcia para o Brasil ser campeão, agora torço ainda mais, Silvério.


Crédito: Divulgação

Em tempo: segue a matéria que fiz com Silvério:

Silvério relembra narração ao lado de cães e diz que TV é “moleza”

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

É possível ir do descrédito ao topo do mundo em dois anos? Sim. Tite explica como

ao-lado-da-assessora-do-corinthians-tite-olha-para-a-sua-prancheta-antes-do-treino-em-extrema-03062011-1307935017914_615x300[1]

Era junho de 2011. Estávamos todos acompanhando a um treino do Corinthians em um lugar incomum para o dia a dia do clube: o Hotel Fazenda Estância das Amoreiras, situado na cidade mineira de Extrema, local escolhido pelo técnico Tite como refúgio para o clube se preparar para o restante do Brasileirão de 2011.

A situação, que no início do ano era péssima, tinha começado a melhorar. O Corinthians de Tite havia chegado ao fundo do poço no início do ano após a vexatória eliminação para o Tolima na Pré-Libertadores, mas Tite se manteve no cargo mesmo assim e ainda foi vice-campeão paulista.

O combinado com a Renata, assessora de imprensa do Corinthians, era que Tite falasse comigo logo depois do treino. Num momento de descuido nosso, ele caminhava para o hotel e teve que ser chamado por ela. Tite voltou prontamente e me atendeu até o local ficar quase que totalmente escuro, em uma entrevista que foi acompanhada também pelo Márcio, da sua assessoria pessoal. O técnico respondeu com boa vontade a todas as perguntas, sem se importar com o tempo, nem com a escuridão do local.

Da entrevista, renderam duas matérias. Mas rendeu principalmente uma frase que me marcou até hoje. Tite falou da importância de ganhar um título de expressão neste trabalho pelo Corinthians. Explicou, em tom de chateação, que tinha feito grandes trabalhos na carreira, mas que não eram devidamente reconhecidos porque não foram chancelados por taças de muito valor.

Parei pra pensar, de fato ele tinha razão. Ou alguém duvida que ele tenha feito um bom trabalho no Grêmio de 2001, que foi campeão da Copa do Brasil ganhando com autoridade do Corinthians em casa? Ou as duas campanhas de recuperação que fez com Corinthians (2005) e Palmeiras (2006) não foram bons trabalhos? Mas nada disso importa se não vier acompanhado de um título de expressão. E Tite tinha razão.

Pois bem. Pouco tempo depois da nossa conversa, começou a redenção de Tite. Ele ganhou Brasileirão, Libertadores, Mundial, Paulista, Recopa. Já é campeão das principais competições que um treinador pode conquistar. Saiu do limbo ao posto de melhor treinador brasileiro (disparado) em apenas dois anos.

Tite faz parte daquela lista de profissionais de futebol que a gente torce independente de estarem no nosso time de coração. Honesto, de princípios, estudioso, sempre interessado em aprender. É um treinador que faz bem ao futebol. Como bem disse Paulo Autuori quando ainda dirigia o Vasco, a nossa classe de técnicos brasileiros deveria ser menos arrogante. E espelhar em bons exemplos como o de Adenor Bacchi.

Crédito da foto: Renan Prates/UOL

Em tempo:
Segue o link das matérias que fiz após a exclusiva:

Tite diz que virou alvo de brincadeiras até do filho pelo perfil falso no Twitter

Adepto da prancheta, Tite vira discípulo de Joel e mostra vício por estatísticas

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

%d blogueiros gostam disto: