Jogo de vôlei nas Olimpíadas é um show de entretenimento

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Tive o privilégio de acompanhar três esportes nas Olimpíadas 2016: futebol, vôlei e polo aquático. E DE LONGE entre os três, o vôlei chamou mais atenção. Por que? Por ter virado um um show de entretenimento.

O entretenimento começa antes do jogo. Dois animadores do ginásio, junto com a equipe de apoio, ensinam como a torcida deve agir gestualmente e com sons em determinados momentos do jogo. Por exemplo: em um grande bloqueio (o monster block), os torcedores são ensinados a levantar os braços e inclinar as mãos para baixo.

Ainda antes do jogo, bolas gigantes são jogadas na arquibancada do ginásio, para que o público se divirta as jogando de um lado para o outro.

Entre os pontos, sempre uma música que agita quem ouve é tocada – a escolhida geralmente é um axé. (Aqui vai uma opinião pessoal de que não aprovei tanto as músicas que foram tocadas).

Esta estratégia de usar o vôlei como entretenimento foi confirmada pelo presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), o brasileiro Ary Graça.

“Decidimos que vôlei precisa ser um show. Não quero concorrer com famosos. Quero fazer meu trabalho bem feito. Quero que meu fã se sinta muito confortável no estádio de vôlei. Tem de ter absoluta segurança, tem de ter entretenimento, ter interação com público. Jogo de vôlei é como se fosse um trio elétrico estático. Tudo isso foi criado de uma maneira não tão espontânea, mas foi induzindo o público a gostar do vôlei brincando”, disse em entrevista ao UOL.

E ele está certo. Principalmente aqui no Brasil, onde existe uma forte monocultura esportiva voltada para o futebol (com uma pequena exceção para os esportes que ganham títulos importantes), o público se sentirá mais provocado a participar do vôlei se ele, além de ver um bom jogo, se divertir.

Quem está no Rio de Janeiro e não foi a um jogo de vôlei das Olimpíadas, não perca a oportunidade: ainda dá tempo.

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Meu palpite olímpico: Brasil ganha 6 ouros, 7 pratas e 12 bronzes

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Os Jogos Olímpicos Rio 2016 já começaram, e com ele o palpite olímpico. Resolvi participar desta e dar os meus pitacos. Inclusive, estou participando de um bolão.

Confira os meus palpites:

Ouro (6)
Equipe masculina – futebol
Arthur Zanetti – ginástica artística – argolas
Marcelo Melo e Bruno Soares – tênis
Equipe feminina – vôlei
Alisson e Bruno – vôlei de praia
Larissa e Talita – vôlei de praia

Prata (7)
Robson Conceição – boxe
Mayra Aguiar – judô
Ana Marcela Cunha – natação – maratona
Kahena Kunze e Martine Grael – vela – 49erFX
Equipe masculina – vôlei
Agatha e Barbara – vôlei de praia
Evandro e Pedro – vôlei de praia

Bronze (12)
Equipe masculina – basquete
Adriana Araujo – boxe
Isaquias Queiroz e Erlon Souza – canoagem – C2 1000m
Equipe feminina – handebol
Sarah Menezes – judô
Victor Penalber – judô
Allan do Carmo – natação – maratona
Bruno Fratus – natação – 50m livre
Thiago Pereira – natação – 200m medley
Yane Marques – pentatlo moderno
Equipe masculina – polo aquático
Robert Scheidt – vela – Laser

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O esporte brasileiro precisa de mais ídolos como Guga Kuerten

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Como foi bacana ter contato um pouco mais próximo com uma pessoa como Guga Kuerten. Pude comprovar uma tese que já tinha em mente: o esporte brasileiro precisa de mais ídolos como ele.

Estive no último sábado no Rio Open, maior torneio de tênis disputado no território brasileiro. Gustavo Kuerten não jogou, mas mesmo assim foi uma das estrelas do evento. Deu coletiva, participou de sessão de autógrafos e foi ovacionado pelo público brasileiro.

Neste evento, pude perceber que Guga tem uma característica que deveria ser de todo ídolo do esporte: ele sabe tratar um fã. Gustavo Kuerten mostrou uma paciência de monge ao encarar uma sessão de autógrafos desgastante no Rio de Janeiro de 40 graus. Melhor ainda: não tirava o sorriso do rosto. Seu comportamento fez os fãs quererem ficar sempre perto dele.

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Guga foi um craque dentro das quadras. Seus resultados o colocaram como o maior tenista brasileiro da história. Mas ele mostrou habilidade para saber quando parar, pois seu corpo não o permitia mais jogar como ele sempre soube.

Guga aprendeu a continuar lucrando depois da aposentadoria. Fez duelos de exibição contra craques como Roger Federer e Novak Djokovic. Lançou uma biografia sobre sua carreira.

“Ah, mas você é um ‘puxa saco’ e não lembra dos erros do Guga” – alguém pode se questionar. Aí que o leitor desavisado se engana.

O brasileiro se envolveu num polêmico abandono da delegação da seleção brasileira da Copa Davis em 2004. Seu comportamento chegou até a ser questionado sobre um suposto interesse em ter o comando do tênis nacional.

Os grandes ídolos do esporte não estão imunes a polêmica. Por isso, volto a dizer: o Brasil precisa de mais Gugas no esporte. De preferência, que não sejam atletas do futebol, que está cheio de bons (e maus) exemplos.

* O jornalista acompanhou o Rio Open a convite da Samsung

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Marcas dão bons exemplos de ativação no Rio Open

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Foi bonito comparecer ao Rio Open no último sábado e perceber que as marcas deram bons exemplos de ativação durante toda a competição.

Os stands do Jockey Club do Rio de Janeiro foram ocupados em sua totalidade por marcas de diferentes segmentos: emissora de TV, tênis, banco, operadora de celular, eletroeletrônico…

A maioria das marcas conseguiu com competência aproveitar a ocasião do Rio Open e dialogar com o público apaixonado por tênis com ações voltadas para este esporte. Os stands eram visualmente bonitos e convidativos.

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A Samsung, por exemplo, ofereceu um celular de última geração de presente para o frequentador do stand que conseguisse executar o saque mais veloz. Já a Asics tirou fotos dos frequentadores rebatendo bola como tenistas e os convidou a divulgar as imagens nas redes sociais com a hashtag da empresa.

Ações deste tipo, além de representar uma boa comunicação das marcas com seu público, ajudam a difundir o tênis no país, o que é muito saudável.

* O jornalista compareceu ao evento a convite da Samsung

Crédito da foto: Divulgação

Texto originalmente publicado no site Torcedores.com. Seja um colaborador!

Opinião: Nadal no Brasil em 2015 valeu pelas suas manias em quadra

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Rafael Nadal voltou ao Brasil para mais uma vez participar do Rio Open. O espanhol chegou como número 3 do ranking (saiu como quarto colocado) e a expectativa de que ganharia mais um título sem muitos esforços. Mas a sua passagem pelas terras tupiniquins valeu pelas suas manias dentro de quadra.

Não que Nadal não tenha mostrado lances do craque que é no saibro. Mas parar na semifinal contra o italiano Fábio Fognini, que chegou como número 28 no ranking (saiu como número 22), é muito pouco para um tenista da grandeza do espanhol.

Como bom pé-frio que sou, adivinhem qual jogo do Nadal que vi in loco? A derrota para Fognini, é claro. E o que vi foi um início arrasador do espanhol, que fez 4 a 0 sem muito trabalho. Quando o italiano acordou no jogo, já estava 6 a 1.

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No segundo set, a torcida passou a jogar com Fognini pelo simples fato de querer um jogo mais disputado. E o italiano cresceu aproveitando a displicência de Nadal, enfiando 6 a 2 para delírio do público. Nadal bem que acordou, mas sofreu com dores e não conseguiu evitar o 7 a 5 no set final.

Vitória justa de Fognini. Derrota amarga para Nadal.

Apesar da derrota e do jogo abaixo da média, para mim foi interessante analisar o comportamento de Nadal durante a partida. Já tinha ouvido falar que o espanhol tinha manias e esquisitices, mas não sabia que eram tantas. Foram inúmeras ajeitadas no shorts. Um ritual curioso no saque, que passa por toques da raquete no tênis, mão no nariz e no rosto, e o descarte da primeira bola recebida para sacar. Teve o uso de duas toalhas para se secar entre os pontos, ao invés de uma. Não dá para esquecer a forma meticulosa de colocar a água que ele usa para se hidratar no chão.

Tudo isso é besteira? Quem sou eu para dizer algo assim de um multicampeão do tênis.

Além das manias, chamou a atenção na visita de Nadal pelo Brasil o ‘malabarismo’ que o espanhol teve que fazer para trocar o calção na quadra nas quartas de final contra Pablo Cuevas, o que arrancou suspiros do público feminino que estava na partida.

Foi bacana também ver a empolgação de Nadal para acompanhar o Carnaval do Rio de Janeiro. O espanhol mostrou disposição para passar pelo Sambódromo mesmo debaixo de chuva.

O único ponto negativo foi ver que o Rio Open não conseguiu lotar a arquibancada nem mesmo para ver Nadal jogar contra Fognini.

Volte mais vezes, Nadal. O Brasil precisa ver lendas como você mais de perto para que nossos jovens voltem a se interessar pelo tênis.

* O editor foi ao Rio Open a convite da Samsung

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No meu primeiro jogo de tênis, senti falta da torcida de futebol

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Foi somente depois de completar a terceira década de vida que pude acompanhar in loco um grande jogo de tênis. E posso dizer sem pestanejar: senti falta da torcida de futebol.

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Não acompanho tênis de perto como gostaria, mas não sou nenhum ignorante no esporte a ponto de não levar em consideração que a ‘torcida de futebol’ seria inviável neste esporte, pois os atletas precisam de concentração para jogar. Mas a sensação de que falta mais emoção vinda de fora da quadra ficou latente para mim.

Acompanhei o duelo entre o espanhol Rafael Nadal e o italiano Fabio Fognini pela semifinal do Rio Open no último sábado. A torcida que compareceu ao Jockey Club do Rio de Janeiro começou a acompanhar a partida de forma tímida, talvez influenciada pelo fato de que Nadal fez 6 a 1 no primeiro set sem nenhuma dificuldade. Pude presenciar apenas uns chamados pelo nome dos tenistas vindos da torcida entre os saques. O que movimentou mesmo o público foi a presença de Gustavo Kuerten no camarote do evento – o ex-tenista foi ovacionado quando apareceu no telão.

Acho que é justamente em momentos como esse é que ‘liberar geral’ para a torcida faria diferença. Ouvi inúmeras declarações de atletas, principalmente do meio do futebol, admitindo que os torcedores empurram um time para a vitória. Alguns falam até que a torcida é o décimo segundo jogador. Por isso me pego questionando: será que a gritaria e o incentivo vindo da arquibancada de uma partida de tênis não podem ter efeito positivo para os tenistas?

Por isso que gosto da Copa Davis. Os torcedores, para incentivar os atletas do seu país, costumam quebrar o protocolo e gritar além do permitido durante as partidas desta competição. Me lembro de um confronto épico entre Brasil e Áustria em 1996 que fez oaustríaco Thomas Muster abandonar a partida reclamando dos excessos dos torcedores. Claro que houve excesso dos brasileiros que estavam no Hotel Transamérica. Mas jogos assim são mais emocionantes, não?

Outro fator que particularmente me incomodou foi o impedimento da torcida entrar depois do jogo iniciado. Me atrasei para chegar ao duelo Nadal x Fognini, e só pude acompanhar quando estava 3 a 0 para o espanhol. Respeito a regra, mas não posso dizer que tenha achado normal.

Não sou dono da razão. Estou passando as impressões de quem acompanhou uma partida de tênis de uma competição importante pela primeira vez na vida. Estou aberto ao debate.

* O jornalista foi ao Rio Open a convite da Samsung

Crédito da foto: Renan Prates/Torcedores.com

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Livro “Em 12 Rounds” explora casos desconhecidos do boxe brasileiro

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O boxe brasileiro teve apenas quatro campeões mundiais, mas por trás dos cinturões, inúmeros casos fantásticos formaram a história da nobre arte no país. O livro “Em 12 Rounds”, projeto feito em parceria pelos jornalistas e autores Bruno Freitas e Maurício Dehò, embarca em doze episódios que podem ter passado despercebidos pelo grande público, mas que agora são resgatados e contados em detalhes.

E não imagine apenas Eder Jofre e Popó entre os retratados. Você se lembra das passagens de Muhammad Ali e Mike Tyson pelo Brasil? Elas também são relatadas no livro.

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A publicação será feita pela Editora Via Escrita. Para viabilizar o lançamento, parte do investimento será com a ajuda das centenas de fãs de boxe e esporte em geral ávidos por um material como este, raro no Brasil. Um financiamento coletivo pelo site Catarse vai arrecadar parte do necessário para levar o livro à gráfica e, assim, às mãos dos leitores.

Entre as 12 histórias que são trazidas no livro – um capítulo extra ainda trará um 13º caso para quem colaborar com uma das cotas disponíveis no Catarse -, há detalhes curiosos como a vida de Eder Jofre no circo durante uma breve aposentadoria do ringue e a passagem especial que o fez voltar a lutar.

Para colaborar e adquirir o livro: O projeto no Catarse funciona como um financiamento coletivo, em que o leitor adquire cotas e é recompensado por sua colaboração. No caso do livro “Em 12 Rounds”, são seis tipos de contribuição – só a de menor valor não da direito a pelo menos um exemplar da obra. Todos os colaboradores terão o nome impresso em uma página de agradecimento à campanha. A cota de R$ 40 reais é a mais simples a retribuir com um exemplar do livro. A partir das contribuições de R$ 60, o leitor tem direito a um capítulo extra, inédito, que será disponibilizado em PDF.

Crédito da foto: Divulgação

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Deu gosto de ver Fórmula 1 no Canadá, e pena do Massa

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F1 Grand Prix of Monaco

Fazia tempo que eu não via uma etapa da Fórmula 1 com tanta atenção como essa do GP do Canadá. Fiquei vidrado nas voltas finais. E fiquei com pena do Massa.

Foi o GP mais emocionante de se ver da temporada. Seguramente. Com várias alternâncias de posição e um final inimaginável. Com um vencedor novato mais do que merecido, Daniel Ricciardo. E com mais uma prova de que Felipe Massa é muito azarado.

Massa talvez tenha feito a sua melhor corrida na temporada. Se não tivesse o problema nos boxes da Williams, poderia brigar pela liderança, certamente. Aí veio a batida com Sérgio Perez…

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Massa errou? Acho que sim. Mas Perez errou mais e foi corretamente punido com a perda de cinco posições. Massa errou mais por ter demorado a passar Vettel. Quando Vettel ultrapassou Perez, no final da corrida, o brasileiro viu ali a oportunidade única de ganhar mais uma posição, pois o mexicano tinha problemas com o freio. Daí, aconteceu o que todos sabem: a porta foi fechada, os dois bateram, e por muito pouco Vettel não se dá mal e sai da prova também.

Deu pena do Massa. Ele não merecia esse final de prova por tudo que fez nela. Se existe algo de positivo no acidente com Perez, foi a atitude do brasileiro. Ele bateu se arriscando, tentando passar. Talvez tenha sido imprudente. Mas tentou. E é esse o tipo de personalidade de um piloto campeão.

Mas foi bacana ver um GP tão disputado, principalmente no fim. E um final nada previsível, principalmente numa temporada que as Mercedes estão tão dominantes. A Fórmula 1 só tem a ganhar com isso.

Crédito da foto: Getty Images

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O Brasil não se cansa de passar vergonha na organização de Copa e Olimpíada

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Texto originalmente publicado no site Torcedores.com. Seja um colaborador!

O Brasil não se cansa de passar vergonha na organização da Copa do Mundo e Olimpíada. Dia após dia, vemos reportagens de autoridades da Fifa e do COI dando mostras claras de arrependimento de terem aceitado organizar competições deste porte no país.

A última declaração desabonadora de uma autoridade sobre a Copa do Mundo foi dada pelo secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke. Em entrevista para a imprensa, ele mostrou a sua preocupação com a segurança dos torcedores que virão ao Brasil para acompanhar o Mundial.

“Não apareçam no Brasil pensando que é a Alemanha, que é fácil se mover pelo país. Na Alemanha, você poderia dormir no carro. No Brasil não”, afirmou Valcke, que foi além: “Não há como dormir na praia, porque é inverno. Garanta sua acomodação. Não há como chegar com um mochila e começar a andar. Não existem trens, não se pode dirigir de uma sede à outra”, alertou.

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Não pensem que a preocupação da Fifa é porque faltam pouco mais de trinta dias para o início da Copa do Mundo no Brasil. As autoridades do Comitê Olímpico Internacional já estão extremamente preocupadas com o andamento das obras no Rio de Janeiro para a Olimpíada de 2016. Ex-diretor da entidade e uma das maiores autoridades em temas olímpicos, Michael Payne, deu entrevista para a Folha de S. Paulo em que resumiu muito bem o drama vivido pelo COI com o Rio de Janeiro.

“É, inquestionavelmente, e de longe, a organização mais atrasada entre todas as [Olimpíadas] anteriores. O COI enfrenta atualmente sua pior crise operacional nos últimos 30 anos”.

Minha dúvida é: até quando as autoridades brasileiras vão vir a público e tentar iludir que está tudo certo? Que os problemas serão facilmente resolvidos? Será que eles não tem a noção da vergonha que estão passando?

Acho que o Brasil está perdendo uma grande oportunidade de, com a Copa do Mundo e a Olimpíada, se modernizar. De concretizar projetos de mobilidade urbana. Os dois eventos serão realizados aqui sim. Com o ‘jeitinho brasileiro’. Dá para ficar feliz com isso? Eu, não. Estou envergonhado.

Crédito da foto: Divulgação

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Globo faz série equilibrada sobre Senna e mostra até críticas de Galvão

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A TV Globo tem exibido no seu principal programa de domingo, Esporte Espetacular, um documentário interessante sobre os 20 anos da morte de Ayrton Senna. Interessante principalmente por ser equilibrado e mostrar até as críticas ao herói nacional.

Admito que quando vi as chamadas na TV com depoimentos emocionados de Leandro Hassum e Maurren Maggi, pensei: “lá vem mais uma série oba-oba pra satisfazer os fãs do Senna”. Errei. E feio.

O terceiro episódio da série foi o mais emblemático nesse sentido. A Globo exaltou os feitos de Senna de forma justa, mas não deixou de abordar o ‘lado B’ do piloto e usou até críticas de Galvão Bueno, principal narrador da casa e um dos melhores amigos de Senna.

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Galvão deu um depoimento em que exaltou o fato de Senna representar o Brasil que deu certo. Mas o narrador reprovou o episódio em que o brasileiro provoca propositadamente o acidente com Prost para tentar ser campeão do mundo sem precisar correr na última corrida de 1990 – dando o troco no que o francês fez no ano anterior, diga-se de passagem. “Foi uma fase triste da Fórmula”, resumiu Galvão.

Estou com Galvão. Senna talvez tenha sido o maior piloto brasileiro da história da Fórmula 1. Com certeza, foi um dos maiores do mundo. Acho que isso não tem que ser colocado em questão.

Por ser o Brasil que deu certo, mobilizou multidões. Mas a morte precoce de Senna contribuiu para a mitificação de um piloto que era, acima de tudo, um ser humano, com muitos acertos e muitos erros.

Já vibrei muito com as vitórias de Senna, acordava mais cedo só para vê-lo nas pistas nos domingos pela manhã, chorei e fiquei realmente triste pela sua morte. Mas isso não me deixa cego. Ele deve ser muito valorizado pelos inúmeros acertos. Mas também cometia erros, e isso não pode ser esquecido quando falarmos de sua história.

Crédito: Facebook do Instituto Ayrton Senna/Reprodução

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