Neymar não tem noção do papel que representa no futebol brasileiro. Mas a culpa não é dele

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A pergunta do repórter Silvio Barsetti a Neymar, se ele era um jogador que tinha comprometimento com a seleção brasileira roubou a cena na coletiva de imprensa desta terça-feira. A resposta do melhor jogador do Brasil nos últimos cinco anos mostra que ele não tem noção do papel que representa. Mas ele é o menor dos culpados por isso.

“Você tem que me cobrar em campo, mas tenho minha vida particular, tenho 24 anos, tenho minhas conquistas, minhas coisas, e sou muito tranquilo quanto a isso. Tenho meus erros, não sou perfeito”, disparou Neymar ao repórter.

“Eu tenho amigos, tenho família, por que não posso ir para a balada? Eu posso, eu vou, e não vejo problema nenhum, é minha vida particular. Dentro de campo eu sempre me entrego, tento fazer meu melhor, acabo errando, como errei muitas vezes e ainda vou errar. É normal para um ser humano. Estou aprendendo cada vez mais com meninos mais novos do que eu”, complementou.

Neymar está certo e errado na sua resposta. Está certo porque ele tem o direito de ir para onde bem entender, desde que se dedique em campo. E está errado ao não entender o papel que um jogador de sua envergadura representa. Ao não entender que, mesmo com 24 anos, ele precisa dar exemplo. Ao não entender que vivemos em uma era dominada pelas redes sociais, em que cada passo das celebridades é monitorado. Em que qualquer ser humano ‘comum’ pode aproveitar o fato de estar ao lado de um boleiro para capitalizar em cima disso. Em que, principalmente, as imagens e as chamadas de impacto valem muito mais do que entender o contexto de cada acontecimento.

Não é o “ir para a balada” que incomoda. É a mensagem que Neymar passa ao optar por se divertir na época em que o Brasil passava por uma crise dentro de campo. Quer queira ou não, o atacante é um dos líderes da seleção brasileira. Ao escolher se divertir, passa a mensagem de que não está preocupado com um momento do futebol brasileiro.

Neymar enfrenta o mesmo problema que Ronaldo Fenômeno enfrentou no auge do sucesso. Neymar deve ser autêntico e dizer sempre o que pensa? Ou deve cumprir o papel que lhe foi imposto? Ronaldo ‘resolveu’ este problema sendo duas pessoas – uma na frente das câmeras e outra quando elas não estão ligadas.

O atacante da seleção brasileira, por sua vez, parece ainda ter escolhido a primeira opção – visto o que disse na coletiva desta terça e o desabafo que deu nas redes sociais contra os críticos que detonaram o Brasil após o fiasco da Copa América.

Neymar, aliás, deu mostras de que, quando o assunto é futebol, só costuma se importar com o que faz dentro de campo – mais nada. Vale lembrar desta frase que concedeu ao apresentador Jô Soares quando foi entrevistado por ele: “Eu não gosto de ver jogo de futebol. Ou eu jogo, ou não assisto”.

A resposta de Neymar, a meu ver, é emblemática. Simboliza uma geração que não “sente” mais o jogo. Não se abala tanto quando seu time perde como no passado. Não se preocupa em ver se o rival está jogando melhor ou pior. Só quer jogar.

Cabe ressaltar que Neymar foi muito bem pela coragem em enfrentar a (boa) pergunta espinhosa e, principalmente, por ser sincero na resposta.

Quando digo que Neymar é o menor dos culpados, é porque ele nunca achou que ganharia o dinheiro que já ganhou, ou que teria a fama que tem. Muito do que foi dado a ele foi porque o atacante é o produto perfeito do mundo do marketing. É o personagem ideal do mercado que premia quem gera dinheiro.

“Se você tivesse 24 anos, tivesse tudo que eu ganhei e tudo que eu tenho, você seria o mesmo? Só isso que te pergunto”, finalizou Neymar.

E você, seria o mesmo? De quem é a culpa?

Texto originalmente publicado no Torcedores.com

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Um comentário sobre “Neymar não tem noção do papel que representa no futebol brasileiro. Mas a culpa não é dele

  1. Neli Faria

    Achei a pergunta super pertinente. .Até agora, ele não teve comprometimento algum com a seleção, é tudo “obá obá”. Para quem caiu em campo e mostrou o patrocinador da cueca, entrar sozinho em campo, pode ser sim, orientação dos marqueteiros. Parabéns ao repórter.Quanto a ter 24 anos e ter ganhado tudo(se comparando ao repórter), cada pessoa é cada pessoa!Envolve sorte, talento, sei lá uma série de fatores. Digno de meu desprezo.

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