Corinthians e organizadas: cão que ladra, mas não morde

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O Corinthians mais uma vez ficou refém de sua torcida. A invasão de vândalos (porque quem rouba celular e agride funcionário só não pode ser chamado de torcedor) no último sábado deixou os jogadores acuados. A consequência imediata foi uma crise deflagrada após a derrota contra a Ponte Preta, a terceira seguida no Paulistão, no domingo.

Vamos aos fatos. Sábado, a notícia era a de que os jogadores não queriam atuar contra a Ponte Preta porque, com razão, estavam se sentindo inseguros diante da demonstração de violência no CT Joaquim Grava. Era uma excelente chance de chamar a atenção devida para o problema e fazer esses bandidos se sentirem culpados pelos atos de hostilidade. Mas logo depois, a ducha de água fria: o Corinthians disse que jogaria e transferiu a culpa para a Federação Paulista e a Globo pelo caso.

Ou seja: caso típico daquela expressão popular que fala do “cão que ladra, mas não morde”. Já ouviu falar?

Pois Deus foi generoso e concedeu ao presidente Mário Gobbi mais uma chance de mostrar para a opinião pública de que é capaz de peitar as torcidas organizadas e fazer as mesmas pagarem pelos atos que tanto prejudicam a imagem do Corinthians. Ele concedeu entrevista coletiva, e….NADA de novo. Para não cometer injustiça, Gobbi disse que não tem clima para dialogar com as organizadas, mas deu a entender que pode voltar a conversar no futuro. “No futebol, você nunca diz nunca mais, nem na vida”.

Nem o bom exemplo do presidente do Cruzeiro, que declarou guerra contra as organizadas e tem tentado de várias formas reduzir o poder de atuação das mesmas, não foi capaz de abrir os olhos de Gobbi, que deu uma clara manifestação de que tem ressalvas em fazer o mesmo.

“Eu acho que cada clube, cada caso, é um caso. Eu não tenho relação, a diretoria do Corinthians, esta gestão, não possui relação com organizadas”, alegou o presidente, e eu vou fingir que acredito.

Mas talvez a pior parte do discurso de Gobbi nesta segunda tenha sido quando ele eximiu o Corinthians de responsabilidade pelo caso. O presidente foi além, ao atacar o que ele chama de “falência da República Federativa do Brasil”.

“Isso não é função minha, não tenho que fiscalizar se torcida a ou b brigou, jogou pilha no campo. Há uma inversão de valores total, estão cometendo uma violência de punir clubes por ação de torcedores, como se o clube pudesse escolher quem pode torcer para ele, e controlar o que eles fazem”.

Ok, Gobbi, a polícia tem sua parcela de culpa…mas o Corinthians não pode fazer NADA??? Não tem nenhuma parte de responsabilidade nem por esse e nem pelos outros acontecimentos de 2013? Jura que você pensa assim?

Em resumo, para não me alongar mais: Gobbi perdeu uma grande chance de se diferenciar dos demais, e ficou na mesmice de discurso, para dizer o mínimo. Uma pena.

Crédito da foto: Danilo Verpa/Folhapress

ATUALIZAÇÃO DO POST: Confira o mesmo texto na íntegra no site Feito para homens

Veja como foi a coletiva inteira do Gobbi:

Gobbi promete fazer sua parte, mas diz: Punir é responsabilidade da polícia

Gobbi admite que preso de Oruro esteve na invasão e descarta ‘debandada’

Presidente corintiano promete romper diálogo com organizadas após invasão

Em tempo:

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal

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