Jean Chera e a supervalorização dos atletas na base

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Jean Chera é um garoto que logo cedo conquistou, sem muito esforço, tudo que muito jovem tenta e muitas vezes não consegue conquistar: lugar cativo num clube grande, salário maior até do que atleta profissional e a certeza de que seu caminho para brilhar estava traçado. Mundo dos sonhos? Para ele, não. Agora com 18 anos, o garoto se perdeu na ganância do pai e coleciona fracasso após fracasso no futebol.

A história até agora mal sucedida de Jean Chera, infelizmente, é um retrato cruel de situações que acontecem cotidianamente na base dos principais clubes do país. Ávidos por revelarem talentos em casa, os dirigentes dos times muitas vezes entram no oba-oba criado pela imprensa e supervalorizam pequenos atletas que até podem vir a ser craques, mas precisam ‘maturar’, para usar um jargão dos técnicos, antes disso.

Cabe lembrar que nesses casos, a postura do pai e dos familiares pode servir para atrapalhar de vez a trajetória do garoto da base até o time principal. O próprio Jean Chera se viu obrigado a romper com o pai e contratar outro empresário para cuidar da sua carreira, e em entrevista recente para a TV Record admitiu que a sua saída do Santos para a Genoa-ITA com apenas 15 anos foi precoce, mas ele foi porque confiava no que o pai escolhia para a sua carreira.

“Minha saída do Santos para a Itália foi muito precipitada. Acho que deveria ter esperado. Meu contrato no Santos estava pronto, montado. Tinha só 15 anos. Meu falou não, você tem que ir para a Europa, vou acreditar no meu pai né? Mas hoje acho que se tivesse esperado, seria totalmente diferente”.

Concordo que muitos dos clubes se veem na maioria das vezes numa encruzilhada, porque tem que se precaver de diversas formas para não perder os jovens talentos que surgem nos seus campos de base, já que basta apenas um bom jogo a nível nacional para que o garoto passe a ser alvo de empresários e ache que é um ‘novo Pelé’.

Jean Chera pode vir até a ser um jogador acima da média. Mas ele é um bom exemplo de que não basta ter talento para vingar no futebol, mas também ter base estruturada, boa formação familiar, para aguentar o tranco de passar a ser famoso e ter assédio/melhoria substancial de vida de um dia para o outro. Histórias de atletas que caíram nas drogas ou no álcool estão aí aos montes para serem contadas e recontadas.

Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Leia mais sobre o caso:
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A palavra é dele: ex-santista diz que título brasileiro de 95 do Botafogo foi armado

Em tempo:
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3 comentários sobre “Jean Chera e a supervalorização dos atletas na base

  1. Não podemos esquecer a parcela de culpa da imprensa esportiva, desesperada para faturar em cima da paixão nacional, vive descobrindo novos “Pelés” e “Messis”. E quanto a esse Chera…o pai atrapalhou mesmo a carreira dele mas o rapaz também não correspondeu porque se fosse craque já teria se garantido em todos esses times grandes por onde passou. Agora é só esperar pelo fundo do poço porque, convenhamos, Oeste de Itápolis é de lascar…

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