La Bombonera é mítica para os torcedores, e péssima para os jornalistas

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Muito se fala de La Bombonera, estádio do Boca Juniors, De fato, assistir a um jogo do time xeneize como torcedor em um dos maiores caldeirões do mundo é uma experiência incrível, que recomendo a todo amante de futebol. Uma vez, de férias, vi in loco o clássico Boca 4 x 5 Independiente. Mas não posso dar boas referências a quem for escalado para cobrir um evento no local como jornalista.

Os desafios de se trabalhar em um jogo em La Bombonera sendo jornalista de internet começam já no credenciamento. O Boca Juniors tem como norma não credenciar quem trabalha para sites. Minha missão no final do ano passado era cobrir a final da Copa Sul-Americana entre Tigre e São Paulo para o UOL Esporte (o jogo foi realizado no campo do Boca porque o do Tigre não tinha a capacidade mínima exigida pela Conmebol para uma decisão). Então já dá para ter uma ideia da situação que me meti.

Trabalhei com informações desencontradas desde o dia que cheguei, uma segunda-feira (o jogo era na quarta). Não sabíamos se o responsável pelo credenciamento da imprensa era o Tigre ou o Boca Juniors. E eles também não faziam questão nenhuma de explicar, diga-se de passagem.

O jogo começava às 22h de quarta. Cheguei 14h30 do dia da decisão em La Bombonera. Pensei: quanto mais cedo estiver lá, maior a chance de eu resolver a questão do credenciamento a tempo de poder trabalhar. Para se ter uma ideia, foi difícil até para achar qual era a entrada de imprensa para o estádio – cada hora um porteiro me mandava para um local diferente.

Enfim dentro do estádio, me dirigi para falar no setor de credenciamento. O responsável era um uruguaio mal-educado (para dizer o mínimo), que felizmente esqueci seu nome. Expliquei a ele de onde era, e recebi uma resposta taxativa: “não credenciamos site de internet”. O popular: “pronto, se vira, azar é o seu”. Fiquei nervoso, óbvio. Em contato com a chefia em São Paulo, cogitamos a ideia de comprar ingresso para ver o jogo na torcida do Tigre. Mas acabou que não foi essa a solução para o problema.

Com a ajuda dos colegas da imprensa brasileira, conseguimos convencer o dito cujo a liberar a credencial. Fui jornalista da Folha por um dia, já que as duas empresas são do mesmo grupo e não tinha ninguém credenciado pelo jornal na Argentina naquela cobertura.

Tirando o fato de que a área da imprensa possibilitava uma boa visão apenas de um lado do campo, e que tive que arranhar um conversor para recarregar o laptop no hotel onde estava (tinha que ser padrão argentino), até que o jogo, que terminou num empate sem gols, transcorreu em uma certa calmaria.

No pós-jogo, os setoristas do São Paulo foram deslocados para entrevistar os jogadores e o treinador, na época o Ney Franco, na saída de um ginásio, mesmo tendo uma boa sala de imprensa no estádio. Mas até aí, tudo bem, exceto por dois ‘detalhes’: o local era tão sujo que começaram a cair baratinhas voadoras nos nossos ombros, e os funcionários não pensaram duas vezes em desligar a luz do local sem avisar, mesmo vendo a quantidade de pessoas que ainda estavam trabalhando.

Para completar a ‘festa’, fomos instruídos a não deixarmos o local para pegar táxi, porque se tratava de uma área com alto índice de violência que ficava deserta de madrugada. Sorte nossa que pudemos pegar carona na van que o São Paulo fretou para os conselheiros do clube.

Mas este foi apenas a história do primeiro jogo da final. Ainda tem a do segundo, que conto no próximo post…

Crédito: Marinho Saldanha/UOL Esporte

Para quem ficou curioso, segue o link do relato da primeira final:

Luis Fabiano é expulso, e São Paulo não sai do empate com Tigre na primeira final

Em tempo:
Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal

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