O dia em que José Silvério me deixou uma lição de simplicidade e humildade

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Recebi certo dia a incumbência de entrevistar José Silvério, um dos gênios vivos do rádio esportivo brasileiro, Pelé do Rádio para muitos, que completou recentemente 50 anos de carreira. A ideia era usar a plataforma do blog UOL Esporte Vê TV para relembrarmos as curtas passagens dele pela Manchete e ESPN Brasil.

Admito que pensei: não será uma tarefa fácil. Porque a impressão que eu tinha, não me perguntem o porquê, é que José Silvério era uma pessoa arrogante e pouco humilde. Ainda bem que pude perceber pouco depois que estava redondamente enganado.

Com o número do celular e da casa dele em mãos, liguei para entrevistá-lo. Do outro lado da linha, atendeu um senhor muito gentil, com uma voz inconfundível que me fez gostar ainda mais de rádio. E para me deixar ainda mais sem graça da minha impressão errada, me pediu de forma educada: “você poderia me ligar um pouco mais tarde? é que eu combinei de entrar em um programa da Rádio Bradesco em questão de minutos”.

Quando retornei, ele fez uma solicitação muito procedente: “não quer ligar no telefone aqui de casa? fica melhor para falarmos”. Atendi ao pedido do Silvério sem pensar duas vezes. “Pronto, o som está bem melhor agora, não acha?”. Claro que sim, Pelé do Rádio.

Silvério não fugiu de nenhuma pergunta. Foi bem humorado até na hora de responder as mais espinhosas. Qual é mais fácil de fazer, rádio ou TV? “Você vai me por numa fria danada se eu responder sinceramente, corro risco [risos]. A TV é uma moleza”, cravou. “É fácil você narrar rádio num puta ritmo frenético e depois diminuir para acompanhar devagar na TV. Agora é mais fácil para quem sabe também né?”.

Mas além da lição de humildade que recebi, a resposta dele que mais me chamou a atenção foi quando perguntei se ele ainda queria fazer algo que não tinha feito nos 50 anos de carreira e mais de 2000 jogos narrados.

Ali tive a certeza de que estava diante de uma pessoa consagrada no que faz, mas que mesmo assim mantém a mesma simplicidade e capacidade de sonhar do menino que começou no interior de Minas há cinquenta anos.

“Única coisa que quero fazer ainda, não chega a ser um sonho. Não é nada específico, não vai matar. Mas gostaria de ir para a Copa e narrar o hexa do Brasil. Seria muito legal”.

Se eu já torcia para o Brasil ser campeão, agora torço ainda mais, Silvério.


Crédito: Divulgação

Em tempo: segue a matéria que fiz com Silvério:

Silvério relembra narração ao lado de cães e diz que TV é “moleza”

Veja a lista das matérias que fiz pelo UOL na minha página pessoal:

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